É difícil dizer o que senti quando vi aquela cidade esculpida na pedra pelos homens, vento e água. Como se pode fazer uma coisa tão espantosa como aquela?
Dizem os canhenhos que chegaram a viver ali 50 mil pessoas. A cidade existe desde o século V a.C., mas há ali perto vestígios de ocupação humana da Idade da Pedra. Hoje é um deserto, mas lindo de morrer.
Dizem os mesmos canhenhos que a desertificação humana ficou a dever-se ao desvio das caravanas de comerciantes que passaram a optar por outra rota e deixaram de passar por ali. A mim parece-me que terá havido outro motivo, que estará ligado com mudanças climáticas ou, pelo menos, com o desaparecimento de água. Petra foi um sítio com muita água, basta olhar para aquelas pedras… e, hoje, não tem uma gota.
Roma foi um grande Império, de facto. Petra é a evidência do génio que construiu esse Império e a prova que nada dura para sempre. Tal como tudo que existe, também os Impérios começam a morrer logo no dia em que nascem.
No final do dia, descansámos da canseira de calcorrear Petra, com um narguilé à moda antiga… foi perfeito.Quando voltámos para Amman, íamos de alma lavada. Até o sacaninha do funcionário diligente da embaixada iraquiana nos pareceu mais simpático. Mas o visto nunca chegou. Os iraquianos privilegiavam jornalistas de órgãos mais globais que a SIC ou mais representativos dos respectivos estados… mas também foi azar meu. De todas as vezes que tentei entrar no Iraque, nunca consegui o visto. Talvez para a próxima.

7 comentários:
Está excelente! :)
Tive muito tempo sem vir aos blogs para terminar o meu curso, mas vejo que vale mesmo a pena vir.
Estes textos vão dar um livro, não vão? :)
Realmente o sítio é lindíssimo, e também me parece que a mudança terá sido mais climática que outra coisa... porque as caravanas comerciais passam por onde existem pessoas, e não o contrário. (Pura especulação!:)
Tb fico espantado com essas construções e com a imponência do legado do império romano... e sinto-me aliviado por saber q nenhum império dura para sempre!
Pior do que a morte é saber que algumas vidas durariam para sempre...
Um dia este império em que vivemos vai esboroar-se, da mesma forma simples como se aglutinou... resta-nos desejar e sonhar que o próximo império seja um puzzle de peças humanizadas, reunido num todo mais humano, montado por cada uma das peças, e não por uns quaisquer imperadores.
Obrigado por estes tesouros que nos deixa.
Uma das razões de ter querido ser músico foi essa: poder viajar. :)
Um abraço
Às vezes sinto uma certa inveja de todas as aventuras que viveste, de tudo o que viste!
Só tenho uma palavra para dizer depois de ver as fotos de Petra: maravilhoso...
É um prazer ir conhecendo mundo pelas suas palavras, caro CN. Mas Petra espero ainda conhecer pelos meus próprios olhos.
Soa sempre bem a tua voz. Bjs
Sinal do destino. Deixa, foste a Zanzibar e a mais nem sei quantos lugares muito próximos do paraíso. Não se pode ter tudo...
É um homem de sorte que eu invejo. Petra é um dos locais que gostava de visitar. Teve o seu papel hegemónico no tempo das caravanas, até aparecer o famoso Entreposto de Palmira, para onde as caravanas, inclusive as da rota da seda, passaram a desviar as suas rotas. É natural que seja proveniente dos tempos Pré-Históricos, a região já foi uma frondosa floresta, mas o primeiro povo que se conhece com registo histórico, foram os Nabateus, um povo bíblico.
O seu blog é como o deserto, faz crescer a água na boca.
Um abraço. Augusto
Maravilhoso Blog...fico feliz de te-lo encontrado e mal chego e encontro Petra, um dos lugares do mundo que mais amo. Gostei muito e vou voltar sempre quero ler voce e muito.
beijos
della
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