É um rio com muito peixe. Muitos peixinhos pequenos e um muito grande,
o peixe-tigre, com dentes de sabre e três metros de comprido da boca à barbatana caudal.

Muzungo só gostava de apanhar peixe-tigre. Depois de morto, o bicho, por vezes maior que a canoa de Muzungo, tinha de ser rebocado para a aldeia, onde era aberto e limpo para poder secar ao sol. Chamam-lhe “cabalao”, quando está seco…

O rio também tem crocodilos, que também comem peixe. Crocodilos e homens disputam o mesmo prato e é por isso, acho eu, que não se dão bem. Dizem os homens que o crocodilo é uma reincarnação de um espírito maligno. Não sei o que dirão os crocodilos…

Os homens vão para o rio de manhã cedo, ainda quando tudo está escondido pelo nevoeiro. Um nevoeiro espesso, branco, que parece fumo a sair da água. A essa hora, os crocodilos dormem.
4 comentários:
Carlos, estas imagens são tão belas, tão mágicas...
Se os crocodilos pensassem, haveriam de nos caçar e fazer connosco malas e sapatos. Ou talvez não. Talvez pensassem mesmo. Porque a nós não nos serve de grande coisa pensar.
O teu lado poético é lindo! Beijinho
Que bonito.
Fabulosas, as imagens e as palavras, se é que as podemos categorizar assim. A evocação das lendas, o questionar e, sim, a magia de quem conhece lugares para além do mundo, escondidos debaixo da lua como nós, desconhecidos a procurar, se caminharmos o suficiente...
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