Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, janeiro 05, 2009

Arafat, a oportunidade perdida



Estive em Gaza, em circunstâncias que já relatei aqui… Vinte anos depois, embora nunca mais lá tenha voltado, julgo que pouco ou nada mudou, pelo menos para melhor.
Já naquela altura não se conseguia vislumbrar uma solução para resolver o conflito israelo-palestiniano… Acredito até que, hoje, o conflito está mais longe de uma solução negociada do que estava há 20 anos. Na altura, existia Yasser Arafat, um dirigente palestiniano que estava disposto a negociar uma solução com Israel. Arafat tinha uma missão na vida, que era a de criar o estado palestiniano independente e era, portanto, um homem disposto a negociar, ao mesmo tempo que lutava, e os dirigentes israelitas deveriam ter percebido isso. Mas Arafat nunca quis uma paz sem condições e os israelitas nunca estiveram dispostos a fazer reais concessões políticas… perderam-se anos a negociar as fronteiras irreais de um futuro estado palestiniano, que acabou dividido e sem continuidade territorial entre Gaza e a Cisjordânia… Israel preferiu isolar Arafat e deixá-lo morrer e, agora, não tem um verdadeiro interlocutor para negociar… o Hamas responde, primeiro, aos interesses hegemónicos de potências regionais como o Irão e a Síria, que utilizam a causa palestiniana como arma de arremesso para ferir Israel… e ao Hamas pouco interessa o bem estar da população palestiniana…
De modo que percebo, agora, a opção militarista assumida por Israel. Não conseguindo negociar com quem não pode ter boa-fé, resta o confronto aberto e a possibilidade de uma vitória militar. O problema é que este conflito pode não ser controlável, dirigentes árabes e islâmicos mais extremistas podem sentir-se compelidos a agir… e tudo isto pode descambar perigosamente…
Por outro lado, a actual invasão de Gaza pode resultar num fiasco para os estrategas israelitas. Gaza é um imenso aglomerado urbano, com milhares de ruelas e túneis, uma anarquia urbanística super-populada, um sítio ideal para emboscar as patrulhas israelitas. Já era assim há 20 anos, quando por lá andei e hoje não será muito diferente, volto a dizer.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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