Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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segunda-feira, setembro 05, 2011

Bairro Negro, reportagem de 1984

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Our sisters

Irmão: igual, semelhante, membro da mesma confraria.

Sisters from Camfed on Vimeo.

Our Brothers

Irmãos nossos precisam de ajuda. Os que puderem, ajudem.

Brothers [US] from Camfed on Vimeo.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Deve ser inginheiro...


Medina Carreira especializou-se em partir a loiça. Não há vez nenhuma em que abra a boca para dizer coisas simpáticas. É sempre para partir. Assim se tem desdobrado a aceitar convites das televisões privadas, sempre sedentas de sangue e polémica, e dos círculos da oposição, sempre sedentos de tirar partido de todos os que se põem a jeito. E Medina, que também fez carreira à conta da política (militou no PS, foi ministro, apoiou Cavaco Silva na candidatura presidencial de 2006), lá anda a propalar ideias e críticas que, porventura, outros gostariam de expressar mas calam por conveniências de circunstância.
Confesso que não sei avaliar bem da justeza das críticas. Acho que muitas das teorias carecem de experimentação. Talvez Medina Carreira volte a ser ministro, um dia destes, e queira testar as suas próprias receitas.
Mas, por vezes, acho-o excessivo, injusto e parcial. Como, por exemplo, agora quando veio dizer que tudo está mal no sistema de ensino português, que os miúdos saem das escolas sem saber ler nem escrever e, portanto, não têm futuro: “o que é que se vai fazer com esta cambada, de 14, 16, 20 anos que anda por aí à solta? Nada, nenhum patrão capaz vai querer esta tropa-fandanga”, diz ele.
Este senhor bacharel em engenharia mecânica acha que ninguém sabe nada de nada, excepto ele. Mas está enganado… até porque muitos dos patrões que ele agora defende preferem mesmo a tal “tropa-fandanga” que sai da escola sem saber ler nem escrever… apenas porque são baratos e submissos, qualidades que o patronato valoriza em detrimento das qualificações profissionais e da experiência com provas dadas. Como podem imaginar, sei do que estou a falar.

quinta-feira, novembro 19, 2009

fosso geracional


Dizia ele na prelecção que entre os jovens dos 12 aos 17 anos, 78% têm computadores portáteis, 71% têm telemóveis e 74% Ipods (qué isso?). E eu a sentir-me velho...

terça-feira, setembro 15, 2009

Regresso à escola


Hoje, a taxa de produtividade do país caiu para metade. Com o propalado 1ºdia de aulas das escolas básicas, os pais das criancinhas viram-se confrontados com a obrigação de terem de preencher fichas e assinar actas que eram rigorosamente lidas de fio a pavio pelos profs (seguindo as instruções ministeriais, certamente) e… pelo menos na escola dos meus filhos, com o facto do 1º dia escolar se resumir a essa espécie de apresentação do ano lectivo feita aos pais… ou seja, as criancinhas foram à escola, experimentaram o pátio e reviram amiguinhos e voltaram para casa. Para mim, foi uma surpresa, já que contava com um dia escolar por inteiro… Moral da história: hoje, não fiz nada. Tomei conta dos meus filhos.
Parece que amanhã é que é a sério…

domingo, agosto 30, 2009

Espero que os "jotas" tenham aprendido bem a lição


Ainda me hão-de explicar, por favor, porque razão tipos como o ex-futuro-ministro-de- qualquer-coisa Pina Moura têm sempre um ou dois jornalistas dispostos a fazerem eco dos gargarejos que lhe brotam da goela, mesmo os mais simplistas.
É que classificar o programa do PSD como “duro e focado”, “clarificador” e “divisor de águas”, sem o justificar, é o mesmo que dizer nada. Dizer que o programa do PSD assume “que os recursos são escassos”, assim sem mais, é plagiar qualquer um dos manuais de introdução à economia existentes no mercado livreiro. Que “os recursos são escassos” sabemos todos e nem sequer precisamos de ter lido Samuelson ou Mankiw.
Mas Pina Moura diz banalidades destas e foi logo citado nos jornais e televisões. Até vi o inefável Marcelo rejubilar, tanto mais que se trata de alguém que tem tido um percurso político de deriva constante da esquerda para a direita. “Alguém que começou no Estado e chegou ao privado”, dizia o professor aos seus alunos na Universidade de Verão do PSD, lembrando que Pina Moura começou no Partido Comunista e acaba de se colar ao PSD (agora, que o PS está na mó de baixo). Enfim, seguindo o exemplo de outros. Na deriva e na falta de escrúpulo. Para Marcelo, um exemplo a seguir pelas gerações mais novas, malgrado o lambebotismo.

sábado, agosto 15, 2009

Woodstock, o Adelino e a ditadura


Woodstock foi há 40 anos. Meio milhão de pessoas juntaram-se num descampado, perto de uma aldeia chamada Woodstock, nos EUA, e realizaram um festival de música que marcou uma geração na parte Ocidental do Mundo.
Por esses dias, aqui, um amigo da escola foi detido pela polícia, em plena via pública, por ir vestido de forma indecente e usar o cabelo comprido. O Adelino (que será feito dele…) estava longe de ser um revolucionário, filho de pais abastados, protestantes, esse meu amigo de infância era realmente um tipo pacato. Mas não era um carneiro e, naquele dia, decidiu vestir umas calças à boca de sino, uma camisa florida, um colete de cabedal com franjinhas… mais do que suficiente para ir parar à esquadra.
Vivíamos tempos estranhos, naquela época. A repressão política tinha um lado moralista serôdio, pudibundo, profundamente estúpido, que pretendia que agíssemos como uma porção de gado lanígero. Quem se tresmalhava, ia de cana. Foi o que aconteceu ao Adelino.

quarta-feira, maio 20, 2009

Escola


A mulher não bate bem da bola e duvido que esteja em condições emocionais para dar aulas, mas alguns dos melhores professores que tive eram, também, um pouco assim: maluquinhos.
Tive um professor de desenho que, quando a malta extravasava no barulho, chamava os prevaricadores para junto da sua secretária, em fila indiana, e despachava-nos a todos com um soco nas bochechas que nos deixava azambuados… correctivo aplicado de modo igual às meninas. Era um homem sem preconceitos de género.
Tive um professor de Matemática que parecia um ogre lunático… mas que com cáculo mental resolvia equações de segundo grau…
Enfim, tive uma professora de Geografia que atraía alunos com mais de 16 anos a casa, sob pretexto de que estavam necessitados de explicações… que acabavam por ser de anatomia. Todos os que lá foram, chumbaram… numa espécie de síndrome da viúva negra.
As coisas foram o que foram, mas nós nunca fomos nem bufos nem espiões. Os paizinhos só sabiam do que era estritamente necessário e a malta desenvencilhava-se melhor sem eles. Também é verdade que naquela época os gravadores de som eram uns trambolhos que dificilmente passariam despercebidos numa sala de aula. Também é verdade que, naquela época, a televisão não prestava para coisas deste género.

quinta-feira, abril 16, 2009

Escola fechada


Hoje os meus filhos não foram à escola. Porque, quando falta a água, a escola fecha. Acontece que, por razões que desconheço, a água falta com alguma frequência nesta zona do país, mesmo se se trata da maior freguesia da Europa em número de habitantes por metro quadrado… Sem água, não é possível fazer funcionar a cantina nem garantir a limpeza das casas de banho. São razões compreensíveis. O que não é compreensível é que a água falte recorrentemente e que a escola nunca tenha procurado uma alternativa funcional.

sábado, abril 07, 2007

O bom aluno

Se alguém julga que mudei de opinião sobre a licenciatura de Sócrates, desenganem-se. Não é pelo que se lê no Público ou no Expresso que devemos tirar ilações. As ditas investigações jornalísticas ainda não deram em nada, excepto na revelação evidente da desorganização interna da Universidade Independente. Quem conhece a UnI sabe que, até agora, aquilo era mais ou menos governado como se fosse uma empresa familiar. O que, de facto, até era. Espero que deixe de ser, se lhe for dada a hipótese de sobreviver a estes tumultos. Por isso não fico espantado com certificados assinados a um domingo pelo Reitor e pela filha, ou por haver falta de assinaturas em documentos e outras imperfeições do género.
Quem conhece a realidade do ensino superior privado, sabe que notas altas (do tipo que Sócrates obteve) não são, de todo, estranhas ao sistema. Muitos alunos que chegam às privadas são pessoas mal preparadas, provenientes de um sistema escolar deficiente e permissivo. E há os que vêm dos Palops, com certificados escolares mais do que duvidosos, manifestamente impreparados para um nível de ensino superior. De modo que, quanto mais não seja por comparação, os alunos razoáveis acabam por se verem transformados em alunos muito bons. Foi o que aconteceu, provavelmente, com José Sócrates. Mas ele não tem culpa disso.
As universidades privadas são fábricas de canudos? Pois são, e então? O que queriam que fossem? Elas existem como negócio. Servem para dar dinheiro aos accionistas. Não têm outra função maior.

quarta-feira, abril 04, 2007

As razões de Estado


Não sei quem é Pedro Araújo, jornalista do Jornal de Notícias, mas foi dos poucos que fez bom jornalismo neste caso. Pelo menos ouviu as partes envolvidas nesta questão.
Muitos amigos e conhecidos já me telefonaram para perguntar porque “não ponho a boca no trombone” sobre o que sucedeu na passada 3ªfeira. Não ponho, realmente, porque não tenho motivos para isso, apesar de sentir que sofri uma penalização exagerada para a falta cometida.
Percebo muito bem as motivações do ministro que me exonerou (ora aqui está um belo termo para despedimento!) mas lamento a frieza, a desumanidade e a incompreensão reveladas por ele e por muitos dos jornalistas que trataram este caso.
Cometi o erro de ter sido sensível ao pedido de ajuda de um professor. De uma pessoa por quem tinha estima e que, afinal, se revelou um homenzinho fraco. Cometi o erro de ter tentado ajudar a amenizar as convulsões que se abateram sobre a Universidade Independente, com a agravante de não ter conseguido manter a frieza perante um problema que me afectava pessoalmente. Passei os últimos 4 anos a caminhar para a UNI, raramente faltei a uma aula, tenho notas razoáveis e sempre trabalhei em simultâneo, claro. Quando estava na TSF (e no 1ºano da Faculdade), levantava-me às três e meia da manhã, entrava na TSF uma hora depois, deitava-me ao meio-dia, dormia até às cinco, tinha aulas das seis às 11 da noite, voltava para casa para dormir mais um bocadinho até às 3 e meia. Por isso, ao fim de 4 anos, em que só me falta defender a dissertação, vejo a UNI a ir para o fundo e não consigo ficar frio perante isso. As razões de Estado que me desculpem.

segunda-feira, março 26, 2007

Catedrática trapalhada

Quando penso na Universidade Independente, assalta-me uma grande angústia. É que há ali 2.400 pessoas inocentes de qualquer trafulhice, sem quota de participação no capital social da empresa que gere a universidade e que são os únicos grandes prejudicados das trapalhadas que estão a destruir a escola. Se o Reitor ou o vice-Reitor andaram a meter dinheiro ao bolso indevidamente, é uma coisa que não me interessa por aí além, é um caso de polícia que qualquer investigador judicial tem capacidade para resolver. Quem é o dono daquilo, é outro assunto irrelevante para o cidadão comum, mas que o ministério da tutela deveria ter preocupação em saber. Agora, os 2.400 alunos que pagam os 200 e muitos euros mensais de propinas, que além de investirem ali o seu dinheiro investem, também, expectativas legítimas de se valorizarem profissionalmente, esses é que estão a ver a vida a andar para trás, com o “canudo” a desvalorizar-se e a escola em risco de perder o alvará e ter de fechar.
O caso da Independente, depois do que já aconteceu noutras universidades privadas (lembrem-se da Moderna), demonstra que nem tudo o que é privado é bom… ou fiável… ou eficiente…
A responsabilidade do Estado é total, neste caso. Primeiro, porque licenciou a escola. Depois, porque não cuidou de fiscalizar ao longo do tempo se a escola cumpria devidamente com as regras. Terceiro, porque se dispensou de equipar as universidades públicas com cursos em horário pós-laboral e, assim, deu às privadas todo o mercado dos trabalhadores-estudantes. Ou seja, o Estado deu uma fatia do mercado para que as privadas pudessem viver. A implantação das universidades privadas não foi, assim, uma questão definida pela qualidade do serviço prestado, não foi definida por aquilo a que se chama “regulação do mercado”. Foi um favor que se fez a alguns senhores.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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