Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, outubro 28, 2006

Uma experiência inolvidável

Ontem à noite, cerca das 21 e 30, cheguei à urgência do Hospital de Santa Maria. Fizemos o check-in e sentámo-nos na sala de espera. Ao fim de dez minutos, soou o nome no altifalante do tecto. Sala de triagem. Blá blá, então ao que vem, blá blá, agora vai ser atendido por um médico, volte para a sala de espera, por favor. E as melhoras. Foram uma simpatia, as enfermeiras. Sala de espera a abarrotar. Eram os bêbados precoces da noite de 6ªfeira, os atropelados, os velhos queixosos, os neuróticos, os hipocondríacos, os envenenados, os engripados. Estávamos lá todos. Duas horas e meia depois, continuávamos lá todos. Desisti… aquilo havia de passar. Parecia até que já estava a passar.
Duas horas depois do regresso a casa, nova dor. As cólicas sucediam-se de 5 em 5 minutos. Febre, 39 graus. Voltar ao hospital… mas não ao mesmo, com o povoléu engarrafado na dita sala de espera. Escolhemos o da CUF, o das Descobertas, na Expo. Ia ser uma estreia!

Lá dentro, a madrugada ia serena. O hospital estava vazio, coisa estranha. A menina fardada na recepção pediu identificação e qualquer cartão de qualquer companhia de seguros. Como não havia, disse “Ah! É particular”. Pois que fosse.


Dez minutos depois, uma enfermeira cheirosa veio buscar a paciente que, desta vez, não necessitou de muita paciência. O médico já lá estava, o exame foi rápido. Prescreveu umas análises de sangue e urina e uma ecografia. Em menos de uma hora o laboratório já tinha com que se entreter… o médico para a ecografia é que ia demorar um pouco. Mas nada demais, pensei. Apareceu 6 horas depois. Estava noutro hospital do mesmo grupo e não tinha sido possível chegar mais rápido. E também tinha tido necessidade de almoçar. A paciente que tivesse, de novo, paciência. Depois do exame, o diagnóstico e a aplicação da poderosa medicina dos brancos. Três caixas de comprimidos durante 7 dias e tchau!, espero que volte a deitar-se nas nossas marquesas.
Só falta contar o grande final. A mão nem me tremeu quando passei o cheque de 541,47 €.



Não foi mau, para uma infecção urinária.

12 comentários:

GR disse...

A SAÚDE vai mal em Portugal!
Lá dizia a outra:”Quem quer saúde paga!” afinal, já nem a pagar há saúde!
541€ por uma ecografia (tardia), uma análise à urina que se faz em casa (comprando a palheta na farmácia) e uma receita, esperar 6 horas??? Não é caro, é um ROUBO!
541€ é um ordenado! Poucos portugueses poderão usufruir de urgências particulares.
As urgências são uma lástima, porém, pretenderem fecha-las, será ainda pior.
O problema das grandes cidades, é grave. Nas pequenas irá ficar também. Cidades há, com hospital e urgência desde 1917, com de cerca 40 mil habitantes, com uma população flutuante no Verão na ordem de cerca de 80 mil, o tempo de espera máximo na urgência é de 60 minutos. O sr, ministro, vai fechar as urgências do concelho, assim como de mais quatro, acumulando todos os doentes num só hospital (S. Sebastião Stª Maria da Feira – distrito de Aveiro), superlotado (cujo o tempo de espera é já de 8 horas) a dezenas de km. Sabe-se que depois do fecho nos concelhos, irá ficar com mais 100 mil habitantes, potenciais utentes). Ninguém me venha dizer que é para poupar dinheiro, pois por cada doente concelhio que tiver que ir para esse Hospital semi-privatizado o governo receberá 78€ (suplemento) para além dos gastos inerentes de tratamento ou internamento. Qual o interesse desta política? Que será dos trabalhadores, reformados, doentes em geral!
O melhoramento imediato das Urgência deverá ser uma medida rapidamente tomada. Nunca o fecho!
Problemas renais, são do pior!
As melhoras!

GR

paulo disse...

foda-se, meu...que raio de país é este?? já não somos um país, somos uma grande infecção urinária...

Laranjada Ovarense disse...

GR,
Sabes do que falas e falas bem.
Apoiado.
Cumprimentos,

Paulo disse...

Quanto é que pagas em impostos? Que parte do teu ordenado vai para o estado? Metade? Um terço? Para quê?
Se o estado não funciona, o melhor é deixar de pagar impostos. Sempre sobra algum dinheiro para pagar aos privados.
Haja saúde!
Outro Paulo

mfba disse...

Tenho um amigo que já me tinha dito que a CUF Descobertas é pior do que o público: espera-se o mesmo e paga-se que até doi.A CUF da Infante Santo parece ser melhor, porque os que têm seguro vão todos para a outtra, mas paga-se o mesmo.

inominável disse...

Disse várias asneiras, umas maiores outras menores, mas decidi não escrever nenhuma... E logo eu, que tenho desses problemas com frequência...

E falando do Hospital de Aveiro... da última vez que lá estive foi com uma... infecção dessas... mas não esperei tanto...

É uma vergonha... e por causa de históricas como estas, se empanturram as seguradoras e sistemas de saúde paralelos (ou mesmo perpendiculares) ao público... Dá para dizer que o sistema de saúde e os seus ministros estão todos com graves infecções nas meninges, para não falar de falta de espinha dorsal...

Ida disse...

Diante disso, ainda prefiro, no que diz respeito à saúde, este Sulbúrbio. Há atendimento gratuito para qualquer emergência, os planos de saúde sempre têm um hospital de plantão por perto e têm uma cobertura bastante razoável, bem, pelo menos para coisas prosaicas como infecçoes urinárias. Mas,claro,tou a falar de grandes cidades, o interior pode ser lastimável. Só que, no caso, estamos a falar mesmo de que cidade? Lisboa? Ou tou enganada? Devo estar enganada.

para mim disse...

Não sei de que te queixas. 541,47 euros é menos do que, por exemplo, 541,50. Ou até 550 euros ou 600. Bem sei que é mais do que 541,46 euros e mais ainda do que o salário mínimo nacional, mas podia ter ficado mais caro do que o que ficou, logo pagaste menos do que terias de pagar se tivesses de pagar mais do que pagaste...

Ida disse...

Aproveitando que os comentários são moderados, faço a travessura de enviar um coment que não tem a menor intenção de se ver publicado. É q o delicioso comentário provocou um sorriso gostoso na da esquerda, no meio da papelada e na frente da tela cheia de impessoalidade do meu Compaq.

Elisabete Alfaiate disse...

Quase me fazes sentir que paguei pouco por uma microcirurgia ocular que me custou 4200 euros.
Achas muito?! Durou 1 hora e meia, mas, caramba, era uma microcirurgia ocular, reparou-me uma retina rasgada e deslocada, e vai pôr-me a ver. Se tivesse ido para a urgência do público nem me queixaria da espera, fossem 6 ou 7 horas, estaria habituada. Preocupar-me-ia vir de lá com um diagnóstico de nada, até cegar, porque isto não podia esperar. Preocupar-me-ia vir de lá com uma perna engessada de tal forma que começaria a gangrenar (aconteceu-me há uns anos!).
Mas na minha opinião devias ter ido ao SAP. Quando estou muito aflita com esse tipo de coisas pequenas: SAP. Receitam, e se é muito grave mandam para o hospital, mas já sem passar pela triagem, com uma cor mais rápida. Chamando nós o táxi, claro.
Não tens SAP em Odivelas? É que é mesmo o melhor!

mch disse...

(Não sou o MCH mas gostava. Escrevo também no Blog dele)

Carlos,

É verdade. Eu, da CUF gostava era da equipe de futebol, com o equipamento arsenalista! A última vez que lá fui, ao pé do MNE ( é onde morrem os Embaixadores) com uma intoxicação alimentar ( Sorvetes do LIDL mais um mau estômago trazido do Zaire) foram quase qutrocentos Euros mas puseram-me lá a sôro quatro horitas. Meu Deus, se for de morrer que morra de repente ou a dormir.

André Bandeira

Cristina disse...

a ilusão das privadas...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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