Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, abril 11, 2007

Imaginem lá

Não é difícil de imaginar que a RTP vai vencer nas audiências desta noite. Sócrates vai tentar convencer o povo que não aldrabou nem beneficiou de qualquer favorecimento relativamente à sua licenciatura em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, em 1996.
Eventualmente, o primeiro-ministro irá safar-se desta trapalhada, mas o preço a pagar será altíssimo. Vou tentar explicar porquê.
Imaginem o Conselho de Ministros. Sócrates na cabeceira de uma longa mesa oval e os seus 16 ministros olham para ele e sorriem. Mas de que sorriem eles? De comiseração, de complacência pedante? Eles, entre os quais estão 8 Doutorados, dois Professores Catedráticos e um Mestre, que respeito terão pelo “quase-engenheiro”?
Imaginem Sócrates a ensaiar um discurso sobre qualificação, rigor ou equidade… quem não irá sorrir, a partir de agora?
Imaginem como deve ter mudado a relação entre Sócrates e Cavaco Silva. O primeiro-ministro fragilizado por esta questão que mancha a sua honorabilidade, face a um PR reconhecidamente austero e suspeito de alguma perfídia política.
Diz-se que o tempo tudo cura, mas a ferida é profunda e vai levar tempo a cicatrizar.

10 comentários:

Ana-Catarina disse...

Texto brilhante. Ri-me a sério, obrigada! :))

Gosto do Sócrates, pelo seu perfil empreendedor e dinamizador. Espero que Portugal se lembre disso.

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

Beijokas........

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inominável disse...

o pior é mesmo o clima de suspeição... que é duradouro e se vem juntar a muitas outras suspeitas passadas e futuras... sim, memória tem passado e futuro, quero lá saber do que dizem os outros...

e agora é só imaginar o beicinho do PM, que de sábio só parece ter o nome, a dizer "fiz o curso, sim senhor, e com distinção, e se não acreditam podem ir lá falar com os meus stôres"...

jocasipe disse...

Sem dúvida nenhuma. Eu sou um quase baicharel. Completei o 12º ano...

nelio disse...

este é mesmo um país de doutorices. em muitos países europeus há ministros sem cursos universitários. o que interessam são as competências, não os títulos. quero lá saber se o homem é licenciado ou não, não me interessam aparências mas sim essências e competências. sou licenciado e sei bem, observando os meus colegas, que uma licenciatura não quer dizer muita coisa, a não ser que se passou x anos na universidade e se conseguiu acabar o curriculo imposto, muitas vezes sem muito nexo e sem inter-relação entre as várias cadeiras. e digo sem sombra de dúvidas que alguns dos meus melhores, mais cultos e mais inteligentes amigos não tem qualquer curso superior.

Matvey disse...

Bela leitura.

Tocaste no ponto.

-pirata-vermelho- disse...

Bem antevisto, Carlos.
É dramático...

AGRIDOCE disse...

Tenho dúvidas que se tenha safado de toda esta embrulhada. E se a leitura que fiz da entrevista foi a correcta, não vai haver tempo político suficiente para cicatrizar a ferida. Já será bom se não entrar em coma antes do fim do mandato. E é pena que por estas mesquinhices se jogue o nome de Portugal para o mundo. Porque aqui, no mundo, a ferida não passará nunca, mesmo que nunca tenha existido. E aí, em Portugal, nada de positivo trará.

Matvey disse...

Que tal achaste a entrevista de ontem?

Gostava de trocar umas ideias contigo, se tiveres um e-mail que possas dar... muito agradecido ficava.


NF

andrea disse...

A memória do povo é curta e a da classe politica mais curta aínda.
Além de mais, não é um curso de Eng.que faz um primeiro ministro.
Mas lá que chateia ...chateia.
Principalmente porque mais uma vez nos estão a fazer passar por tolos.
Entretanto que venho o diabo e escolha.
Abraços.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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