Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











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quinta-feira, outubro 15, 2009

Mal-me-quer bem-me-quer, muito pouco ou nada...



Quando em Maio o Conselho Regulador da ERC deliberou "reprovar a actuação da TVI”… “por desrespeito de normas ético-legais aplicáveis à actividade jornalística", os membros da Entidade foram acusados, em vários órgãos de comunicação social, de serem serventuários do poder já que, em causa, estavam 13 queixas que, em comum, tinham o facto de acusarem a TVI, nomeadamente o Jornal Nacional de 6ªfeira, de falta de rigor e de isenção em trabalhos jornalísticos sobre a questão do Freeport e que implicavam o primeiro-ministro.
Agora, a ERC vem dizer que a decisão de suspender o referido programa foi um acto ilegal da Administração da empresa que, por lei, não se pode imiscuir nas questões editoriais. Curioso, não é? Tenho de ler o Público, um dia destes…
Na verdade, a lei separa as águas entre actos administrativos e questões editoriais, numa tentativa de salvaguardar a Liberdade de Expressão… coitadita. Mas estas coisas só vêm à tona quando há bronca… Quando não, quem sabe das reuniões regulares do dono da SIC com a estrutura hierárquica da direcção de Informação do canal? Quem reclama por esse controlo eventualmente abusivo e pernicioso?
Ai, Liberdade, Liberdade…

terça-feira, outubro 06, 2009

Jacarés (s)em festa


A SIC fez hoje 17 anos, sem pompa nem circunstância nem orgulho nem muita esperança. Na programação nem se notou e se não fosse um clip comemorativo da efeméride que passou na antena algumas vezes durante o dia, ninguém diria que hoje era suposto haver festa em Carnaxide.
As cerimónias internas resumiram-se a um discurso do patrão, que todos teriam dispensado de boa vontade, ensombrado de resto pelo suícidio de um trabalhador da casa.
Na fotografia exibida, continua a notar-se a ausência da figura de Emídio Rangel, apagado graças a um truque barato de Photoshop. Estaline fez igualzinho.

terça-feira, agosto 04, 2009

Marradas (da boa série "Reptilário")

Em 2001, para afastar da SIC Emídio Rangel, Balsemão utilizou um jovem homem de mão para o confronto. A coisa deu-se num célebre plenário de trabalhadores, o “velho leão” foi surpreendido pelo atrevimento do “jovem turco”. Acabaram por sair os dois da empresa, mas o jovem já regressou depois de ter feito carreira pela PT e pela RTP. Rangel é, hoje, uma espécie de proscrito, um dos nomes no infame índex do Dr.Balsemão, a quem ninguém quer dar a mão.

Agora, é o próprio Balsemão quem se confronta com um jovem que o desafia pelo controlo de um espaço vital para ambos: a Impresa, que é como quem diz, a SIC. O desafiante é, nada mais nada menos, que o filho do melhor amigo do sefardita, falecido há alguns meses. Nuno Vasconcellos (dois elles), tem um monte de dinheiro e muita ânsia nas veias e quer que o velho lhe venda o suficiente para ter de lhe passar o controlo do império. Se fossem bodes selvagens, andariam à marrada pelo direito a cobrir todas as cabras da manada. Como são capitalistas, a coisa mede-se em % de acções e votos no Conselho de Administração. Não que as cabras não andem por ali, de igual modo…

sábado, junho 13, 2009

Lado-a-Lado



Às vezes vejo o Jornal das 9 da Sic-notícias. Trabalhei uns anos no antigo Jornal das 9 do canal 2 da RTP, que foi uma escola de profissionalismo que marcou quem por lá passou, apesar de algumas malfeitorias que por lá se fizeram. Também o Mário Crespo tem alguma nostalgia desse tempo e sei que é por isso que a Sic-notícias recuperou esse título que, entretanto, a RTP estupidamente deixou de utilizar.
Este Jornal das 9 feito em Carnaxide é um espaço banal de informação. É claro que o savoir faire do Mário Crespo disfarça um pouco a debilidade da redacção, mas não suprime a falta de criatividade, a agenda sem surpresas, que caracterizam hoje a produção da informação do grupo Sic. Além disso, o Jornal tem desequilíbrios difíceis de aceitar. Por exemplo, às sextas-feiras o espaço de debate chamado de Frente-a-Frente é abrilhantado pelas participações de um militante do CDS e outro do PC. A ideia é ter um tipo de esquerda a defrontar outro da direita, mas quando estão os dois na oposição a coisa não funciona. E ontem foi muito curioso assistir ao “debate”. Quando o CDS dizia mata, o PC respondia esfola. Fartaram-se de bater no ceguinho (ou seja, no governo) e a mediação do Mário resumia-se a um sorriso beato. Aquilo não é um frente-a-frente. Devia-se intitular antes lado-a-lado.

domingo, maio 27, 2007

A propósito de sarjeta

A crónica do Miguel Sousa Tavares, no Expresso desta semana, fala da mixórdia informativa a que as televisões se têm dedicado, desde que desapareceu a menina inglesa na Praia da Luz, no Algarve.
Lê-se na crónica que a SIC é a campeã da mixórdia, com 212 notícias e 14 horas de cobertura, em vinte dias em que raras vezes houve uma verdadeira notícia para dar. A maior parte das vezes, os repórteres da SIC limitaram-se a dizer que nada se tinha passado, além de um passeio da mãe da criança pela praia com um peluche na mão ou de mais uma vigília na igreja lá do sítio.
Diz o MST que “uma não-notícia não é notícia em lado algum do mundo” e que o director de informação da SIC “sabe-o bem”. Ora, aqui é que o Miguel se engana…porque, na verdade, o homem já não sabe nada. Esqueceu o que lhe ensinaram, do mesmo modo como trocou amizades antigas pelos favores do patrão, mas isso é outra história.
Um dia, nos finais da década de 80, um repórter da RTP andava a cobrir a campanha eleitoral do MRPP. Foi até ao Porto, onde se realizava um dos comícios escolhidos para integrar essa cobertura noticiosa. Quando chegou ao Monte da Virgem, para montar a reportagem, sentou-se em frente à máquina de escrever e… nada lhe saiu. Não havia uma ideia naquela cabecinha para estruturar a reportagem. Era como se não tivesse acontecido nada. Um outro repórter, que também tinha ido de Lisboa mas para acompanhar a campanha do PC, viu o camarada enrascado e disponibilizou-se para o ajudar. Sentou-se ele em frente à máquina de escrever e disse ao outro para lhe resumir as imagens que tinha e lhe contar algo que lhe tivesse chamado mais a atenção. À medida que o enrascadinho ia balbuciando os acontecimentos, o outro ia escrevendo.
No final do dia, aquela reportagem do comício do MRPP foi a melhor do enrascadinho em toda a campanha.
Assim se fez uma carreira brilhante, não foi Sr. director de informação?

sábado, março 17, 2007

Lei? Qual Lei?

Ouvi na TSF e creio ter ouvido bem (ia a conduzir…), que os chefes das Forças Armadas ponderam desobedecer aos tribunais administrativos, nos casos em que a justiça civil contradiga a justiça militar.

















A questão (se bem me lembro) foi levantada quando os militares detidos por terem “passeado” na Avenida da Liberdade, castigados com vários dias de prisão, interpuseram providências cautelares e viram as suas razões serem atendidas pelos tribunais civis. Agora, os chefes militares ponderam desobedecer a ordens análogas, no futuro, preferindo pagar indemnizações a libertar os detidos. Sinceramente, até me custa a acreditar que tenha escutado bem, que tenha entendido direito tudo o que foi dito… nesta notícia a TSF citava o Sol e, realmente, devia ter comprado o jornal para ter a certeza dos pormenores da notícia, mas não me apeteceu sujar as mãos. Fico à espera das reacções que, julgo, não tardarão a estalar.
Mas esta ideia peregrina não é inédita. Muitas decisões dos tribunais não são acatadas, nunca. Não sei com que consequências mas, cheira-me, a impunidade reina alegremente.


















Dou-vos o exemplo da SIC do Dr.Balsemão que ainda não acatou a sentença do Supremo Tribunal que mandou reintegrar o jornalista Jorge Schnitzer e pagar-lhe todos os ordenados em falta desde meados de 2003, altura em que o director do Departamento de Desporto foi despedido sem justa causa (assim julgou o tribunal). Já lá vão quase dois meses, se não erro, e Schnitzer continua à espera. Claro que o “contador” não para e, mais tarde ou mais cedo, Schnitzer será reintegrado e devidamente indemnizado. Mas a questão é o modo como uma decisão de um tribunal, que já não pode ser contestada, segundo creio, continua a ser olimpicamente ignorada. Não é só a SIC que se porta mal, mas também o seu patrão, que não honra a condição de senador da República.



















De modo que, se um general de 4 estrelas desobedecer a um tribunal, não abram a boca de espanto.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Época de saldos

Passei a manhã no Tribunal de Oeiras. Estava arrolado como testemunha de Alexandre Paes, ex-director do 24 Horas, acusado de perseguição difamatória pelo Rodrigo Guedes de Carvalho.
O caso remontava a 2002, aos meses da brasa da SIC, quando o patrão decidiu despedir mais de 200 trabalhadores para não ter que vender parte do capital social da empresa. Travou-se uma luta titânica entre os trabalhadores e a administração que queria despedir barato. Foi um ano de muitas discussões, muitas assembleias de trabalhadores, muita intransigência patronal.
O 24 Horas era dos jornais que acompanhava mais de perto o evoluir da situação no interior da empresa. Quase todos os dias havia pequenas notícias sobre a SIC. Claro que o nome do Rodrigo foi mencionado muitas vezes, até porque ele sempre se pautou por um posicionamento próximo da administração. Às vezes, mesmo, mais papista que o papa.
Foi neste enquadramento que o Rodrigo se sentiu perseguido e difamado pelo jornal. Não lhe caíram bem alguns epítetos, como, por exemplo, “talhante bem arreado”, que é o que me ficou na memória. De início, Rodrigo pedia 10 mil euros de indemnização. Hoje, contentou-se com 3 mil e não chegou a haver julgamento. Se fizermos contas à inflação, cinco anos depois os 3.000 € são uma ridicularia, sendo que ainda há as custas do tribunal e os honorários do advogado para pagar (isto, se o patrão não patrocinou a causa). Afinal de contas, não foi grande ofensa…

domingo, fevereiro 25, 2007

A Margarida e o Nuno

Acabo de ler uma notícia que me deixou aliviado. Trata-se do acordo extra-judicial alcançado pela Margarida Marante e pelo Nuno Santos. Os dois tinham um litígio em tribunal, por alegadas declarações difamatórias da Margarida. Estou aliviado porque eu era testemunha da Margarida e, para ser sincero, não me sentia muito bem nesse papel. Trabalhei muitos anos com os dois. À Margarida, conheço-a desde sempre. Andámos juntos no Liceu Rainha Dona Leonor, fomos camaradas de partido político, camaradas de trabalho na RTP e na SIC. Devo-lhe algumas atenções raras, que outros não tiveram comigo. E gosto da coragem dela. Conheci o Nuno na SIC. Fui o seu primeiro coordenador no programa Praça Pública, que ele apresentava a meias com a Júlia Pinheiro. Depois fui, durante uns dois anos, coordenador do Jornal da Noite aos fins-de-semana, que o Nuno Santos apresentava. Sempre gostei de trabalhar com ele. É um tipo inteligente e eficaz e tem uma especial capacidade de improviso, condição essencial para se ser um bom apresentador de noticiários. Sempre considerei que, na SIC, o Nuno Santos era o segundo melhor pivot, logo depois do José Alberto Carvalho e muito à frente do Rodrigo ou do Camacho. Hoje, o Nuno Santos está a desempenhar de modo brilhante o cargo de Director de Programas da RTP, facto que deve causar muitos engulhos aos tipos que, na SIC, sempre o menosprezaram.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Porno SIC


Para quem ainda tinha dúvidas, o jornal 24 horas, na edição de hoje, dissipa-as todas, ao revelar um negócio de filmes pornográficos que se efectua na SIC. Quando falo em dúvidas, refiro-me aos padrões morais e deontológicos dos patrões da SIC, claro. Tudo lhes serve para ganhar dinheiro.
Outro sinal revelador das coisas é o facto de nenhum dos jornalistas do canal ter querido dar a cara nesta denúncia. Prestam declarações sob anonimato, com medo evidente das represálias. Não são homens e mulheres livres, o que para quem exerce o jornalismo como profissão é triste, muito triste.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Artes e manhas

Nuno Santos, o actual director de programas da RTP, nunca deve ter sonhado que, um dia, uma decisão sua iria provocar uma acção (neste caso, reacção) legislativa de quase todos os partidos políticos representados na Assembleia da República.
Pois, face à sua decisão de relegar os tempos de antena para as 19 horas (ou seja, antecipar em cerca de ½ hora o habitual horário de transmissão), a Assembleia da República acaba de aprovar uma nova lei que obriga a RTP a colar os tempos de antena ao Telejornal.
Os deputados consideraram que a decisão de Nuno Santos desconsiderava a importância dos tempos de antena e que os relegava para um horário de menor audiência.
Embora, porventura, alheios a essa realidade, os deputados acabaram de fazer um grande favor à SIC e à TVI. As audiências do Telejornal irão baixar, com toda a certeza, sempre que a RTP tiver de passar tempos de antena imediatamente antes. Os tempos de antena são, normalmente, tempo para zapping e muitos telespectadores, uma vez mudado o canal, irão ficar entretidos com qualquer outra programação. O Telejornal, cujas audiências têm sido uma pedra nas engrenagens da SIC e da TVI, fica assim mais fragilizado.
Assim, temo que as audiências dos tempos de antena, às 19h30 ou 19h45, acabem por ser ainda menores do que seriam às 19 horas.
Digamos que se, por absurdo, esta polémica tivesse sido engendrada pelo Dr.Balsemão, não teria sido mais eficaz...

sábado, fevereiro 03, 2007

Vende-se reptilário

Quero ver o que dirá Marques Mendes, se o Dr.Balsemão vender a Impresa à RTL.
A hipótese anda a ser falada insistentemente em alguns jornais, nomeadamente nos económicos. Parece que seria um grande negócio para o patrão da SIC… e sempre se livrava de uma dor de cabeça para a qual já não tem idade.
Acontece que a RTL é uma empresa alemã e, se bem me lembro, quando os espanhóis da PRISA vieram comprar a Média Capital (TVI), o dirigente do PSD acusou o governo de estar a beneficiar os espanhóis a troco de não-sei-o-quê.
O caso foi até levado à Comissão Parlamentar dos Direitos, Liberdades e Garantias, onde o Ministro dos Assuntos Parlamentares foi dizer o óbvio, ou seja, que o governo não tem nada que ver com mudanças dos accionistas de empresas privadas, nem tem que autorizar ou impedir a venda de empresas portuguesas a grupos económicos estrangeiros. Às vezes é pena, mas a verdade é que o governo não tem competência para tanto.

sábado, janeiro 13, 2007

Amigos p`ra que vos quero (da série Reptilário)

O semanário Tal&Qual traz, na edição desta semana, uma história repescada dos anos 90, quando foi denunciada a falência fraudulenta da Caixa Económica Faialense, um banco que se dedicava a captar as poupanças dos portugueses que trabalhavam no estrangeiro.


A falência do banco deixou um rasto de miséria entre os clientes, pudera. O Tal&Qual relembra a história mais emblemática dessa fraude: o caso de José Fernandes, um tipo que, nas vésperas da fraude se consumar, tinha depositado 100 mil contos, fruto da venda de um negócio que tinha no Canadá. Num dia era um homem rico, no outro acordou pobre. A inoperância da justiça e a raiva levaram-no a matar a tiro o gerente do balcão.


José Fernandes matou, porventura, o operacional da fraude, mas não chegou aos mandantes. Esses, eram homens mais poderosos e com amigos mais influentes. Os arguidos deste caso são ex-ministros do governo do Dr.Balsemão, quando este foi cooptado para primeiro-ministro depois da morte de Sá Carneiro, em 1980.
De modo que, quando o programa que eu coordenava e apresentava na SIC pegou no assunto, o “Casos de Polícia”, a repórter Isabel Horta foi avisada (ameaçada?) de que a reportagem jamais iria para o ar, porque o Dr.Balsemão, certamente, não iria permitir.
Era essa a fé de Luís Morales, Serra de Moura, entre outros. E, de facto, o Dr.Balsemão tentou, embora timidamente. Estaria dividido entre a lealdade aos tais amigos e os cifrões que arrecadava nos intervalos do "Casos de Polícia"... o que sei é que perguntou, ou mandou perguntar, não me recordo já, ao Emídio Rangel (o Director-Geral da SIC) se a reportagem “tinha mesmo de ser exibida”. Rangel disse-lhe que sim, obviamente. A minha tarefa ficou muito mais simplificada.
Bons tempos.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Ano Novo

2007 começa em grande!

Segundo o serviço da Lusa, “o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein será enforcado dentro de "poucos dias" no interior da "Zona Verde", a oeste de Bagdad, noticia hoje o diário árabe internacional Al-Hayat, que cita fontes governamentais iraquianas. A forca já está preparada num lugar no interior da 'Zona Verde»", onde se encontram as instalações do Governo iraquiano e as sedes das embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido, afirmaram as fontes, segundo o jornal.”
Será uma execução pública, à moda dos bons velhos tempos do far-west?

Outro arranque em grande: o meu amigo Jorge Schnitzer diz que regressa à SIC no próximo dia 16. O Dr.Balsemão usou de um processo dilatório para atrasar a aplicação da sentença do Supremo Tribunal que lhe ordenava a integração imediata do Director do Departamento de Desporto, mas parece que o “aclaramento” solicitado pelo advogado de Balsemão foi satisfeito com rapidez. Também, que raio de aclaramento queriam eles? As sentenças, hoje, já não são manuscritas, não há hipótese de se argumentar que não se percebe a caligrafia do juiz…

terça-feira, dezembro 26, 2006

Os trabalhos do Carlos Aranha

Hoje há um amigo que parte. O Carlos Aranha vai para o Qatar, durante cinco meses. Vai trabalhar. O “spider” é um repórter de mão cheia. É daqueles camera-men que não se limitam a ser bons tecnicamente. Ele gosta da reportagem, gosta de perceber através do view-finder o que anda a fazer, gosta de contar histórias com as imagens que captura. Dele guardo algumas parcerias heróicas: Israel, em 1989, numa grande reportagem para a RTP sobre o 2ºaniversário da Intifada; Alentejo, 1992, para uma média reportagem sobre a seca, com que em Outubro a SIC estreou o Praça Pública; Guiné-Bissau, 1998, para a cobertura da guerra civil. Fizemos outros trabalhos juntos, mas estes ficaram-me na memória para sempre. O Aranha vai para o Qatar, porque aqui não encontra trabalho. Deixa a mulher e os dois filhos e sei quanto isso lhe custa. Espero que se dê bem por lá e que estes cinco meses passem rápido.

A última experiência que partilhei com ele, foi em 2003, depois de termos saído da SIC. Fomos para Cabo Verde dar aulas, a convite do Cenjor, mais o Paulo Tavares (um dos maiores montadores de imagem portugueses vivos e que a SIC, por acaso, também não quis...). A foto que publico diz respeito a essa viagem, foi tirada no Museu do Tarrafal, em Santiago. O Carlos Aranha é o que está à direita na foto. Em Cabo Verde, descobri que o Aranha também sabia ensinar. Acho que ele próprio se descobriu nisso, também. Mas, nem assim, o Aranha conseguiu novo modo de vida. Nem mesmo a ensinar aquilo que tão bem sabe fazer.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Habemus Barradas

Ontem, cheguei a casa ainda a tempo de o ver na pantalha a falar sobre o grande show do momento: a visita papal à Turquia. O Barradas ressuscitou. Milagre!, dirão os mais crédulos. Mas não foi. O Barradas terá de agradecer a outros, que não Deus ou o Papa.


A RTP demorou quatro anos a perceber que lhe faltava um comentador de política internacional de grande craveira, um poço de cultura, poliglota, de raciocínio felino. Mas ainda foi a tempo. É uma ironia, mas foi uma óptima maneira de assinalar os quatro anos de semi-desemprego do João Carlos Barradas, desde que foi despedido pela SIC. Foi precisamente em Novembro de 2002 que ele e o Waldemar Abreu receberam a famigerada cartinha registada com o aviso de despedimento… foram os primeiros, mas outras cartinhas seguiriam nas semanas e meses seguintes.
No reptilário, os “cabeças de vaca” (como o Barradas lhes chamava) devem ter caído de cú.

sábado, novembro 25, 2006

Casos de polícia (da série Reptilário)

O julgamento do processo Casa Pia vai na 251ª sessão e, hoje mesmo, completa dois anos de duração, com mais de 211 pessoas ouvidas em audiência, até agora.
Sendo certo que o processo tem dimensões pouco habituais, também é certo que todas as partes envolvidas têm sido exímias no exercício de estratagemas para baralhar, confundir e dificultar o desenrolar do julgamento e a apreciação do júri.
Dir-me-ão que esses estratagemas são expedientes legais e, portanto, de uso legitimo. Pois são. Mas a verdade é que por este andar jamais se fará justiça, seja ela qual for. Um julgamento não pode durar dois anos. E, este, talvez nem em três se consiga cumprir.
Enfim, são as teias da lei que propiciam este tipo de expedientes. Por exemplo, ando há mais de um ano a caminhar para o Tribunal de Oeiras para depor como testemunha num processo que o jornalista Jorge Schnitzer moveu contra a SIC. O processo trata de uma questão de direitos de autor. Schnitzer foi o autor de um programa que esteve no ar mais de 10 anos e a SIC nunca lhe pagou as autorias. Em vez disso, despediu-o. Agora, Schnitzer tenta receber aquilo com que se compram melões e que Balsemão se recusa a pagar.

Jorge Schnitzer no Tribunal de Oeiras, esta semana (foto tirada com o meu telemóvel)

Ora, porque diabo o processo não avança? Por que razões andam as testemunhas para trás e para a frente, a perder tempo e a gastar dinheiro em excursões à porta do tribunal? Porque o dono da SIC falta sistematicamente às sessões. Farto desta brincadeira, Schnitzer dizia, na passada 3ªfeira, que ia solicitar ao juiz que, para a próxima vez, mandasse a GNR à Quinta da Marinha para escoltar o réu até ao tribunal e, assim, o julgamento possa ter início. Adorava ver… mas acho que este juiz não se chama Baltazar Garzon.

o juíz Baltazar Garzon(foto da Wikipedia)

O julgamento foi adiado para Abril de 2007.

sábado, outubro 21, 2006

Uma jibóia no reptilário

Jorge Schnitzer vai regressar à SIC por decisão do Supremo Tribunal de Justiça.
Para que passe pelas portas envidraçadas do antigo armazém de bananas, falta apenas que a sentença transite em julgado.

Até lá, é bem provável que o Dr.Balsemão, ou alguém mandado por ele, trate de passar o cheque de quase 4 anos de salários, décimo terceiro e subsídios de férias, tal como manda a lei. Certamente, o mesmo funcionário tratará de apresentar ao Jorge Schnitzer uma razoável proposta para a rescição amigável do contrato de trabalho. É que se o Schnitzer assume, de facto, o seu posto de trabalho, as gargalhadas de gozo vão abanar seriamente os alicerces do armazém.


Schnitzer foi um dos cinco funcionários da SIC contra quem a empresa moveu um processo de despedimento colectivo. Éramos cinco… entre os quais, os dois delegados sindicais dos jornalistas. O pretexto do processo de despedimento colectivo era a “crise” do mercado, a obrigar “redução de custos” e “racionalização”, enfim, um rol de mentiras porque, o que contava mesmo, era despedir os delegados sindicais e mais três chatos desenquadrados com o "jovens turcos" que substituíram o "velho leão" Rangel.
Dos cinco, o Schnitzer foi o único que levou a contestação do despedimento até ao fim. Era o único que o podia fazer, que tinha almofada financeira própria para refazer a vida sem necessitar do dinheiro da indemnização. Os outros… éramos uns tesos. Daqui se provam duas coisas, sendo que a primeira é que a justiça não está ao alcance de todos, que não é coisa para pobres, a segunda é que vale a pena lutar. Parabéns ao Schnitzer, de regresso ao reptilário.

terça-feira, outubro 17, 2006

Onde é que já ouvi isto?...

Quando sou eu a dizer, ninguém parece ligar. Mas, agora, que uns peritos norte-americanos disseram o mesmo, espero que os medíocres empresários nacionais da comunicação reflictam sobre o que andam a fazer.Vem tudo na edição de hoje do DN, na secção media, onde num artigo sobre “os nove truques que fazem vender jornais”, pode-se ler, às tantas, que o idolatrado lucro tem dois caminhos para lá se chegar, “cortar custos ou aumentar investimento. Tem-se cortado, cortado, cortado, mas não se tem investido para aumentar receitas, alertam os especialistas, acrescentando que é tempo de investir em pessoas, papel, produtos, promoções e produção. Os custos irão crescer, mas não se pode manter margens para sempre, agindo como canibais."
A mim despediram-me quando disse rigorosamente o mesmo, em Janeiro de 2003.

sábado, outubro 07, 2006

O reptilário (em festa)

Há 14 anos atrás, a SIC dava-se a conhecer, com a Alberta Marques Fernandes (a apresentar um noticiário intercalar a meio da tarde), com uma reportagem da Cândida Pinto sobre o deflagrar dos conflitos em Luanda e, pouco depois, na estreia do célebre programa Praça Pública, com uma reportagem minha e do Carlos Aranha sobre a seca no Alentejo. Mais tarde, o José Alberto Carvalho, no Jornal da Noite…
Hoje, nenhum destes protagonistas está lá. Não estamos lá, nem (logicamente) fomos convidados para a festa pimba com que a SIC pretendeu maravilhar o povoléu. Nem nós, nem qualquer um dos outros de quem o patrão se livrou nos últimos 4 anos.

A verdade, de qualquer modo, é que os trabalhadores já há muito que deixaram de participar nestes festejos da empresa. Deixaram de ter motivos, ou vontade, para tal. Cansaram-se do Bolo Rei e do Moet Chandon. O patrão, hoje, só conta com as "estrelas"... e, mesmo essas, pelo menos uma boa parte, apenas por dever de ofício.
O ambiente de trabalho, na SIC, está um deserto.

segunda-feira, agosto 07, 2006

A velha palavra de ordem

Deve ser a mais antiga pichagem de Portugal. Data de 1980, talvez 1981.
Quem pintou aquelas palavras fê-lo por motivos políticos, disso não tenho dúvidas, até porque ainda me lembro bem...
Mas o que me intriga é a razão da longevidade do protesto. Sobreviver 25 anos é obra. E não julguem que se trata de um muro escondido nalgum lugar esconso. Nada disso. Aquilo fica numa das ruas mais movimentadas de Odivelas, mesmo em frente aos paços do Concelho e ao lado de uma farmácia. Eu próprio passo por ali quase todos os dias e leio (com afecto, confesso) a velha palavra de ordem. Acho que se lá está, ao fim destes anos todos, só pode ser porque as pessoas gostam que lá esteja. Digo mesmo que deveria ser considerado, no mínimo, património municipal.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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