Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, setembro 09, 2006

Luanda revisitada. Nginga

Pediu-me 200 kuanzas (ou 2 €) de entrada. Aceitou o dinheiro, escreveu qualquer coisa numa folha e perguntou-me se trazia máquina fotográfica. Informou que podia fotografar tudo o que quisesse, inclusivé as paisagens da cidade, menos a parte onde está situado o palácio presidencial. Zédú não gosta de ser fotografado... Não me deu bilhete de entrada.
Quem visita o Forte de São Miguel, em Luanda, tem de se preparar para um choque. Parte das instalações estão, ainda, ocupadas por militares e outras instituições públicas angolanas e, portanto, não são visitáveis. Mas o pior são os maus-tratos... O que resta… são só paredes… e as ruínas de painéis de azulejos centenários… No edifício central, construído à volta de um poço, os painéis contavam a história de Angola, desde que os portugueses lá chegaram. Hoje, é impossível contar essa história através desses azulejos.

Apenas num deles (a terceira foto) se percebe ainda que se trata da cerimónia de baptismo da Rainha Nginga, heroína angolana da resistência contra os colonialistas.
Nginga Nbandi viveu no século XVII e juntou o seu reino ao do Rei do Congo, com quem casou, com a condição de que quem mandava no reino era ela e não ele. Parece que Nginga tinha mau feitio… enfim, reza a História (e a tradição) que foi ela quem comandou um poderoso exército africano que derrotou as tropas do governador português de Angola, João Corrêa de Souza, em 1621. Mais tarde acabou por se submeter e foi mesmo baptizada com o nome Ana de Souza…

Podiam ter deixado ficar os azulejos…

4 comentários:

planaltobie disse...

Ana de Souza (ou ainda Nginga) em frente ao governador mandou um subdito pôr-se de gatas e sentou-se nele, depois do governador pedir uma cadeira para a rainha. Com o acto pretendia mostrar comando e poder.

Isabela disse...

Hora da redacção: "vamos sonhar": o actual governo angolano desaparecia num ápice, não interessa para onde, todos raptados por extraterrestres, e nunca mais voltariam. Tu, Carlos Narciso, eras eleito o Grande Pai Carlos Salvador da Terra (escolhe como preferirias ser eleito, quem seriam os teus adeversários plíticos, etc.). Quais seriam as tuas 10 medidas, dou-te apenas 10 medidas para oôr o país a funcionar como um pais decente, como um país sem dor. Tu percebes.
Esta redacção é a sério, meu querido! Quero ler.

Barão da Tróia II disse...

Lá como cá. A estupidez a ignorância e a incúria não tem cor.

Phwo disse...

Carlos,
Terás regressado no avião em que parti?
Desta vez não fui ver a fortaleza, nem a Ilha, nem nada. Uma semana encerrada no Palácio dos Congressos a tentar compreender as coisas da dita "Cultura Nacional", mais uma semana a preparar e a ansiar pela sessão de trabalho com três bailarinos mascarados cokwe...
Regressei, para partir definitivamente em breve.
Sobre a "terra" nem me apetece falar... é o meu país.
Mas não estou animada. Será porque há dias assim ou porque é mesmo assim (de desanimar)?
Pois...

AddThis

Bookmark and Share

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

Seguidores