Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quinta-feira, dezembro 07, 2006

Todos os vendedores de automóveis em 2ªmão são aldrabões em potência, ou como se perde o emprego

Era um Volkswagen carocha de janela estreita atrás. Os connaisseurs sabem a importância do pormenor. Tinha para lá de 180 mil quilómetros, mas se dividirmos mais de duas décadas de vida por essa quilometragem dá menos de 9 mil quilómetros por ano, ou seja, cerca de 20 quilómetros por dia, o que não é nada. Além do mais, a publicidade dos anos 80 dizia que era “um carro para o resto da vida”.
Comprei-o à Mila, uma assistente de realização da RTP que ia emigrar para São Paulo, no Brasil, onde abriu um negócio.
Andei com o popó uns meses. Fui de férias para o Algarve e, no regresso, inacreditavelmente, avariou a meio do caminho para Lisboa. Julguei que o iria abandonar em plena planície alentejana, mas lá conseguimos chegar juntos a casa. No dia seguinte, levei-o à oficina da marca e o diagnóstico foi fatal: motor gripado. O arranjo era mais caro do que o valor do carro. Fui aconselhado a despachá-lo…
Fui trabalhar. A redacção da delegação de Lisboa do jornal O Comércio do Porto era na esquina da Rua da Emenda com a Rua Horta Seca. Estava na varanda a olhar para o destroço estacionado em cima do passeio, quando o chefe de redacção chegou e perguntou como tinham corrido as férias. Ele era um tipo sempre cheio de esquemas para facturar arredondamentos ao salário, famoso por comprar e vender carros velhos, entre outras coisas. Perguntei-lhe se não quereria comprar aquela jóia tecnológica… ele olhou para o carro, perguntou se estava tudo bem (respondi-lhe que sim…) e ele, então, disse que vinha mesmo a calhar, porque a irmã tinha acabado de tirar a carta e ele ia-lhe oferecer aquele clássico VW carocha. Passou o cheque (60 contos), mandou o paquete do jornal ir comprar uma declaração de compra e venda e pediu-me para deixar o carro numa oficina de um amigo dele, “para uma limpeza”. Aníbal Mendonça era famoso por dar cabeçadas nos tipos que o chateavam… no dia seguinte já não fui trabalhar.

9 comentários:

Paulo disse...

Era tb conhecido por CANIBAL Mendonça.

inominável disse...

que história engraçada... a lembrar o meu Peugeot 205 que morreu congelado num inverno em terras germanas por falta de... anti-congelante...

para mim disse...

O meu primeiro carro foi um Carocha, mas não com aquele vidro traseiro. Era uma máquina do caraças, mas um dia estava com um problema qualquer no motor. Conheci então um tipo sueco - que me disse que construíu os bunkers do Saddam Hussein (isto foi em 1991) - que olhou para o motor e cortou um pedaço do tubo de ar ou lá o que aquilo era. Parecia um Porsche! Que saudades... Ainda por cima era bastante espaçoso...

Isabela disse...

Esta história ainda não acabou, pois não?! É que eu quero saber o resto. Quem terá sido o último enganado?!

≈♥ Nadir ♥≈ disse...

............♥
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..........*****
.........*Bom*
........***Fim***
......*****De*****
.....***Semana***
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....(`“•.¸ ¸.•“´)
.....♥ Nadir ♥ .
....(¸.•“´ `“•.¸)

Ida disse...

Isso é o que se chama "cara de pau"..:) Mas no estilo que usas para contar, é muito divertido.

Ana Afonso disse...

Ola Carlos
Gostei muito da historia!!:) :)
Estou em Edimburgo. Precisa de alguma coisa da fria Escócia???
Abraços e sorrisos
ana afonso :)

Su disse...

ehehehe gostei da historia. amei o titulo

jocas maradas

Maria disse...

Que saudades do Carocha do meu Pai onde eu e os meus quatro irmãos começamos a aprender a amolgar carros e também, claro, a conduzir. Eram carros alegres e cheios de memórias. Se alguém souber onde pára um DN-11-51...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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