Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, julho 07, 2009

Vermelho de Natal


Só damos por ele quando há eleições. Não que ele ou o partido não mantenham uma actividade política regular, mas porque só quando são obrigados a isso os órgãos de comunicação social dão cobertura às suas actividades. É por isso que ele só aparece em campanhas eleitorais, em reportagens de circunstância nos noticiários e… nos tempos de antena. É quando os pequenos partidos políticos têm algum ar para respirar. E é assim que se alimenta a ignorância sobre o perfil desses políticos e se mantêm estereótipos criados há dezenas de anos pela propaganda dos partidos maiores.
A propósito disto, hoje ao almoço ouvi uma história deliciosa que não posso deixar de partilhar.
Era Dezembro não sei de que ano e ele andava por Alfama, em campanha para as autárquicas. É um dos seus percursos de eleição, gosta de lá ir e parece que é sempre bem recebido pelos moradores. De ruela em ruela, cumprimentava pessoas e trocava palavras com quem tinha reclamações a fazer. Uma dessas pessoas levou-o a entrar em casa, certamente por causa de alguma obra de reparação que o senhorio ou a câmara deviam fazer e não faziam. O candidato ouvia e enquanto circulava pela casa reparou na árvore de Natal da velhota. “Olha, que bonita árvore de Natal!” disse, “até parece a minha!”, observação que surpreendeu a senhora: “Mas o senhor também faz árvores de Natal?”, perguntou ela ao líder do PCTP/MRPP – Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses/Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado.
Garcia Pereira explicou então à senhora que considerava o imaginário do Natal essencial para a educação das crianças e que, como tinha filhos, celebrava a festa todos os anos. Mesmo com esta explicação, julgo que a estranheza da senhora não se terá dissipado. Não é fácil de aceitar que um comunista empedernido se ajoelhe para colocar bolas coloridas e luzinhas cintilantes num pinheiro cortado. Será que eles são humanos?

7 comentários:

Isabela Figueiredo disse...

Sim, eles são humanos. Eu gosto muito do Garcia Pereira. Acho-o verdadeiramente um homem honesto. E cada vez que ele abra a boa só tenho vontade de assinar por baixo. Éu sou uma mulher de esquerda, porque ser de esquerda é pensar nos outros, no bem dos outros. E eu quero o bem dos outros.

Rui Herbon disse...

Admiro o Garcia Pereira. E até recordo quando foi o único à esquerda a assinalar a necessidade de um candidato único para derrotar Cavaco. Claro que os restantes ficaram pelas suas vaidades e foi o que se viu. Curioso foi ter afirmado que não teria pejo em apoiar, por exemplo, Freitas do Amaral. Para alguns será tão estranho quanto a história da árvore de Natal.

PQ disse...

O MRPP não é um partido e muito menos comunista. é o clube político de um homem como o POUS o é de uma mulher.

CN disse...

Caro Pensericando... talvez o MRPP não seja um capricho... talvez seja mais uma questão de fé ou...
perseverança
s. f.
1. Qualidade ou acção!ação de quem persevera.
2. Constância, firmeza, pertinácia.
3. Duração aturada de alguma coisa.

Fada do bosque disse...

Essa foi forte!! lol lol lol

Ferreira-Pinto disse...

Garcia Pereira é um eminente jurista; já quanto ao seu posicionamento político, é-me indiferente.
Admiro-lhe, contudo, a ousadia e a frontalidade.

Karocha disse...

Por acaso também o admiro, foi preciso coragem, para ter feito o que não fez!

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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