
A heroína desta história chama-se Parveen Khan. Sim, é uma mulher. Coisa rara no mundo islâmico, ver uma mulher à frente seja do que for, não é? Andei meses à procura de uma fotografia dela, para vos mostrar, mas não encontrei. Mas o que interessa é saber que ela existe e que tem uma obra para mostrar. E interessa, também, saber que precisa de ajuda, como não podia deixar de ser. Quem puder, quem quiser, pode procurar contactá-la através do link que coloquei logo no início deste texto.

A tarefa de Parveen Khan não tem fim. O ópio e a heroína, no Paquistão, são baratíssimos. Uma dose custa menos que uma garrafa de água mineral. Os paquistaneses fumam, injectam e snifam heroína e ópio. Em Peshawar, os drogados são uma multidão dispersa em pequenos grupos pelas ruas da cidade. Reúnem-se à volta de pequenas fogueiras, onde preparam os cachimbos ou o “caldo”.
A polícia raramente actua. Parveen Khan disse-me que há fortes suspeitas da existência de relações próximas entre a polícia, os políticos e os traficantes da droga que, quase toda, vem do Afeganistão.
Naquela altura, em que conheci Parveen Khan, havia problemas de abastecimento nas ruas de Peshawar. Por causa da invasão americana, dos bombardeamentos, as aldeias tinham ficado desertas e os campos de papoilas abandonados. Mas, hoje, tudo voltou ao normal. O trabalho agrícola, a indústria transformadora e a comercialização do produto. Os americanos não mudaram nada.
5 comentários:
Os Americanos mudaram, mudaram muito, daqui a 100, anos, quem estiver cá e se debruçar sobre o assunto perceberá a real mudança que Bush, imprimiu ao Mundo. Pena que seja só uma Heroína, contra os milhões da heroína.
O objectivo dos americanos, como bem sabemos, não é o de mudar nada para ninguém, excepto para eles próprios.
Boa semana.
O Paquistão parece um bom laboratório para os defensores da liberalização total de todas as drogas... Gostava de saber a percentagem de heroinómanos por alí, se existirem números!
Muito bom blog, este! Blogda-se!
luis
O trabalho dela é quase impossível: tiras-lhes a pedra e o "conforto" da heroína e o que tens para oferecer em troca? Nem trabalho, nem família, nem príncipios sociais ou rede de reinserção...
Estes dois posts, são impressionantes, pela crueza da situação.
Toda a ajuda, mesmo que uma gota no oceano, são de louvar.
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