Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, junho 12, 2006

Guiné Bissau, a guerra civil. O último massacre

A Guiné-Bissau não é uma Nação, ao contrário do que diz o hino nacional do país. “Ramos do mesmo tronco / olhos na mesma luz / esta é a força da nossa união / cantem o mar e a terra / a madrugada e o sol / que a nossa luta fecundou”. É mentira.
Salvo raríssimas excepções, de que o presidente interino Henrique Rosa foi exemplo raro, os dirigentes guineenses pouco ou nada se têm preocupado com a união dos povos da Guiné-Bissau. De facto, não são “ramos do mesmo tronco”. Muito do que se passou na guerra civil, só foi possível porque, realmente, o povo lhes interessa muito pouco.
O último tiro dessa guerra fraticida foi disparado em 7 de Maio de 1999. Quando já nada havia a fazer para salvar o regime, Nino e Ansumane ainda mandavam disparar.
O último obus caiu no pátio de uma escola dos missionários do PIME. O local estava apinhado de populares, que ali se tinham refugiado do tiroteio nas ruas de Bissau.
Aquela multidão de homens, mulheres e crianças ouviu o assobio do voo do obus, um som cada vez mais agudo. No último segundo devem ter adivinhado o que se ia passar.
Mas já não havia tempo… Estas fotos foram-me mostradas pelo padre João, que as tirou com a raiva de denunciar esta barbárie. Na altura, fiz uma reportagem à volta destas imagens. Quarenta morreram logo no local. O depauperado Hospital Simão Mendes recebeu mais de 280 feridos. Muitos morreram aí nos dias seguintes, devido à gravidade dos ferimentos e à míngua de tratamento médico capaz de debelar infecções oportunistas. Foi o último tiro daquela guerra. Um tiro demasiado cruel e inútil.

7 comentários:

Ana Afonso disse...

Olá
Como nunca disse isto antes tenho a) desculpa! :), b) desconto, porque é a primeira vez que acontece!
Mas para quando um livro, mas livro livro mesmo destas memórias jornalisticas todas?
Eu quase que arriscava um desafio...eu acabo de escrever a minha tese de doutoramento e esse livro de memórias sai tambem!?
É lamentavel que apenas quem tenha acesso a net possa ler o que escreve, quando se publicam em papel cada coisa ... que até nem dá para acreditar!
Bem já disse esta dito fica o desafio.
Abraços e sorrisos
Ana Afonso :)

maldito cinema disse...

À Guiné Bissau. Há sempre mais qualquer coisa para se fazer. Nem que seja lembrar.

escrevi disse...

Como vês não sou eu que sou chata.
Todos os que te lêem pensam que deves escrever um livro.
Acho que já esgotei os meus argumentos mas repito que se precisares de ajuda é só dizeres.

Sofocleto disse...

Pallywood

Você esteve lá. O que é que isto lhe parece?

http://www.youtube.com/watch?v=t_B1H-1opys&search=Pallywood

ROADRUNNER disse...

Excelente blog! Faltavam muitas destas palavras para "abanar" consciências... Parabéns!

dinika disse...

A imagem fala e denuncia!!!
Os meus melhores agradecimentos ,Narciso.

dinika disse...

A imagem fala e denuncia!
Os meus melhores cumprimentos, Narciso

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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