Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quinta-feira, maio 11, 2006

Guiné Bissau, guerra civil. O sobrevivente

Meus amigos, quando a vida vos correr mal, quando parecer que tudo está perdido, quando a derrota vos parecer incomensurável, quando já só o desespero vos alumiar o olhar, venham aqui, a este texto, olhar para a foto e beber do exemplo deste homem amarrado, levado sob armas para uma cadeia escura e suja. Baciro Dabó era o home forte da segurança do estado guineense, em 1999. Foi um homem fiel até ao fim a Nino Vieira. No dia 7 de Maio de 1999 não conseguiu escapar aos inimigos e foi apanhado e encarcerado. Baciro era justamente acusado pela Junta Militar de ser um dos principais torturadores da ditadura de Nino Vieira que, então, acabava de ser deposto. Poucos dariam um chavo pela sua vida, naquela altura. De resto, era uma espécie de “mal de família”, já que o irmão de Baciro, Iaia Dabó também estava preso e em maus lençóis, acusado de roubo, assassínios e violações. Iaia tinha sido apanhado no mato, nos arredores de Bissau, quando comandava um pelotão de combate que se dedicava a pilhar as aldeias da vizinhança de Cumura, Cumeré e Nhacra . Fui, um dia, visitá-lo à cadeia da base aérea, onde ele ocupava uma pequena cela de cimento que nem latrina tinha… Mas, Baciro (o mais velho dos dois irmãos), passou alguns meses encarcerado embora, na verdade, nunca tenha sido julgado. Quando Kumba Yala venceu as eleições para a presidência da república, recuperou Baciro Dabó. Saiu da prisão para reocupar o lugar que tão bem conhece na segurança do estado. Hoje, o homem de mãos amarradas atrás das costas é secretário de estado da Ordem Pública, o boss das polícias guineenses. Realmente, a vida dá muitas voltas…

5 comentários:

Sundiata Keita disse...

Pois é, meu caro CN... eu como guineense e você como amigo e conhecedor da realidade da Guiné-Bissau, sabe que tudo é possível naquele país. Pode-se passar de oito a oitenta de um dia para outro, e acima de tudo com o cadastro imaculado. A caso de Baciro Dabó, é exactamente igual a de tantos outros incluindo a do próprio chefe do gang Nino Vieira. O certo é que na Guiné mandam-se pessoas para cadeia e não há processos. Nunca existem queixas nem dos directamente lesados (...afinal das contas somos todos)nem do ministério público, a quem cabe o direito e dever de defender o estado dito de "direito democrático".

escrevi disse...

Eu sei que é assim!
Mas dá muita raiva...

Mankakoso disse...

Já eskólhi à minha misse Angóla! É uma garina vérrrde bwé bala bala!
Já ganhou!
Kandandu!

Isabela disse...

Justamente acusado? Safou-se? Foi devolvido ao lugar que ocupava antes da prisão? Carlos, cá também temos disso. Os filhos-da-puta costumam ter sorte durante algum tempo.

Mais Notas Soltas disse...

Mas isso é normal num país africano. Qual é a surpresa?

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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