É uma mulher de cara destapada. O Mundo descobriu-a em 1988, quando participou num debate televisivo sobre o
processo de paz do Médio Oriente. De um lado estavam quatro palestinianos, entre eles Hanan Ashrawi, do outro lado quatro israelitas. A capacidade argumentativa que revelou, o raciocínio ágil, o brilhozinho nos olhos, transformaram uma professora numa tremenda
activista política.

Encontrei-a em Ramallah, em 89 e em 1991 em Lisboa. Foi aqui que a entrevistei longamente para o Jornal das 9 do Canal 2 da RTP. Longamente, porque me deixei enfeitiçar pelas palavras e pelo olhar escuro desta mulher. De facto, utilizei três ou quatro minutos úteis para o trabalho exibido nesse jornal televisivo. Mas não fui capaz de prescindir do privilégio de estar ali com ela e poder aprender com ela.
Hanan Ashrawi tinha um discurso muito humano, democrático, inatacável. Falava em direitos humanos e políticos para todos os povos do Médio Oriente e rejeitava, absolutamente, o poder da força que sustentava a repressão israelita. Era até um discurso algo deslocado da
praxis da
OLP. Por alguma razão, Hanan Ashrawi acabou por ser afastada dos cargos que desempenhava (em 91, ela era porta-voz da delegação da OLP nas negociações de paz). Tal como a convidou, Arafat também a despediu…
Guardei dela a consciência de estar perante uma
mulher muito corajosa, que arriscava muito naquele jogo de homens armados.
2 comentários:
uma Mulher com "M" grande...
Beijos e bom fim de semana
"Hanan Ashrawi tinha um discurso muito humano, democrático, inatacável." Foi por este motivo que a afastaram. E era uma mulher.
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