Testemunhei várias situações em que entidades não-estatais desempenhavam o papel do Estado. Quase sempre grupos rebeldes, mas nem sempre.
Na Bósnia, por exemplo, foi um soldado norueguês quem me carimbou a vermelho no passaporte
MAYBE AIRLINES.
Uma espécie de
recuerdo que eles impunham
a todos que chegavam a Sarajevo a bordo dos aviões militares.

Na
primeira vez que entrei no Sudão, tive de pedir um
passepartout ao SPLA, Exército de Libertação dos Povos do Sudão. A “embaixada” funcionava em Nairobi, no Quénia, na sede de uma ONG que alegadamente tratava de ajuda humanitária nas zonas controladas pelos rebeldes sudaneses. Duas fotografias e um impresso em duplicado, tal qual nas representações oficiais dos Estados.

O documento que vos mostro autorizava-me a
viajar nas Montanhas Nuba, no Kordofan sul, por um período de três semanas a partir de 19 de Março de 99. Um carimbo azul e outro vermelho certificam o documento e oficializam a autorização. Estes rituais têm dois propósitos: arrecadar receitas e, principalmente, exercitar poder. Depois de emitidos, normalmente nunca nos pedem para exibir tais documentos. Talvez porque sem eles não poderíamos estar ali e porque a maioria das pessoas que nos poderiam pedir para ver a autorização não sabe ler.
4 comentários:
Quanto material interessante!
Gosto da forma como escreves, e colocas as fotos, parece que também nós fizemos a vigem contigo.
Gostei do que vi. Parabéns.
Carlos, o fotógrafo espanhol Antonio Cores também tem na Internet um sítio dedicado aos Nuba, com fotografias espantosas. Não te falei nele antes, porque o sítio estava então em remodelação, não tendo nada para mostrar. Agora já tem e é de visita obrigatória. O endereço é http://www.antoniocores.com/
obrigado, Denudado. O site desse fotógrafo é, realmente, muito bom.
Enviar um comentário