Naquele dia, havia pedras a voar e tiros de gás lacrimogéneo, nas ruelas estreitas que desembocavam na praça principal da cidade, onde está a Igreja da Natividade.
Ainda assim, havia turistas por ali. Chegavam de camioneta, vindos de algum hotel de Jerusalém ou Telavive, paravam à porta da igreja e entravam. Não se passeava pela cidade, por causa dos distúrbios e isso afectava bastante o negócio dos comerciantes palestinianos.
Elias Freij era o presidente da câmara de Belém. Era um tipo importante, com uma história política longa. Recebeu-me em casa, porque naquele dia, como já disse, o ar da cidade estava cheio de fumo lacrimante…

Quando estive com ele, já me pareceu um homem de movimentos lentos… não sei que idade tinha, nem sei se seria por causa da idade se apenas um hábito cauteloso adquirido pela experiência de quem sempre viveu a contar que o céu lhe iria cair na cabeça…
Mas tinha um espírito ágil. E falava do futuro com uma certeza inabalável. E para ele, o futuro era a independência da Palestina e a autodeterminação do seu povo. Era a isso que ele rezava, todos os domingos, na Igreja da Natividade.
3 comentários:
Um pequeno testemunho de que a questão da legitimidade da luta dos palestinianos pela independência não é religiosa.
Não são muçulmanos contra judeus.
É um povo que luta pelo direito a voltar a ser independente.
Um ctólico a rezar pela independência da Palestina. Isso não vem na SIC Notícias!
Cá está a tal questão... não é uma luta religiosa e a memória é curta, a informação a que se acede nos meios "normais" está normalizada, digamos assim... É por um olhar destes, relatado por estas palavras apartidarizadas que revemos a realidade e podemos aferir a verdade. Bem haja.
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