Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, maio 05, 2006

Guiné Bissau, a guerra civil. A humilhação

Quando em 7 de Maio de 99, Ansumane Mane ordenou a ofensiva final sobre Bissau, Nino Vieira procurou refúgio no Centro Cultural francês que estava guarnecido por um pelotão de soldados franceses. Era ali, no Centro Cultural, que o embaixador da França dormia, quando estava em Bissau. A embaixada tinha sido evacuada logo no início da guerra, havia mais de um ano. Nino confiava que a França o protegeria, mas acabou escorraçado pelos soldados que perceberam não terem a mínima possibilidade de defenderem o Centro Cultural se os rebeldes descobrissem que era ali que Nino se escondia. Foi depois disso que Nino se refugiou na embaixada de Portugal, onde ficaria durante dois ou três meses, até que o novo poder do país aceitou deixá-lo partir para o exílio. No final desse dia 7, tinham morrido 80 pessoas e havia quase 300 feridos no Hospital Simão Mendes, em Bissau. A foto que vos mostro é do momento da rendição da guarnição francesa em Bissau. Um momento humilhante para a França que apoiou, desde a primeira hora, o presidente Nino Vieira e a intervenção militar do Senegal que sustentou o presidente guineense. A França alimentou o conflito, com armas e munições e, juravam muitos rebeldes, até com soldados intervenientes nos combates. Bubo Na Tchuto garantiu-me ter morto dois brancos, mas nunca foi capaz de me mostrar os corpos ou qualquer comprovativo de haver soldados franceses em combate.
O que se passa hoje na Guiné-Bissau é, ainda, consequência desses dias tumultuosos. Depois da reeleição, Nino teve de fazer a aliança com o Senegal para o combate contra os independentistas de Casamança, como parte da factura que está a pagar aos que o apoiaram na guerra civil.
Para a França, a vingança serve-se fria.

5 comentários:

escrevi disse...

Histórias de um país que Amilcar Cabral não sonhou.

Filipe Resende disse...

E assim anda o mundo cheio de interesses políticos... A África continua ainda hoje a ser o continente a explorar... por neocolonialistas! Obrigado Narciso! Denúncia é o que necessitamos!

João Ferreira Dias disse...

amigo, daqui o rapaz que fez o seu a imagem de topo do blog, como está? nunca mais veio ao msn! nunca mais cá vim porque não gosto de escrever tendo de usar o profile, isto é, não sendo permitido comentários anónimos.

abraços.

125_azul disse...

parece que não há quem a sirva quente. Depois, pagamos todo um bocadinho da factura

ELCAlmeida disse...

Uma humilhação que a França parece ainda não ter aprendido nem apreendido tal sõ as participações em certos "estádios" africanos como o Chade, a Costa do Marfim e os Camarões.
C' est la vie...
E depois ainda há quem se admire e estranhe com entrevistas como a dada pelo embaixador angolano, na Costa do Marfim, Carlos Belli Bello.
Um abraço
Eugénio Costa Almeida

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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