Essa sequência fechou a reportagem. Era um soco no estômago e a resposta a uma pergunta que já tinha feito inúmeras vezes e a que nunca me tinham respondido. Era por “aquilo” que não havia campos de prisioneiros de guerra… os únicos prisioneiros poupados eram os oficiais superiores, os que poderiam ter informações úteis quanto às tácticas do inimigo e saber dos pensamentos íntimos dos chefes. É verdade que nem todos os soldados rasos eram mortos. Alguns safavam-se, por algum prurido do inimigo, desde que passassem a combater contra o outro lado. Os angolanos sofreram coisas indizíveis, nessa guerra longa…
Enfim, tudo isto para vos dizer que soube, no dia seguinte à exibição da reportagem, que o Presidente da República tinha ficado muito incomodado com “aquilo” (eventualmente, verteu alguma lágrima) e que iria promover uma discussão pública para denunciar aqueles horrores.

3 comentários:
Infelizmente na guerra e na pobreza o bicho Homem tem uma elasticidade estontiante. Talvez este seja o caracter que nos torna mais proximos de todos os outros bichos, e nos pinta exactamente com as mesmas cores que o resto da natureza.
Mundo de rupturas, ambições, cultura do ódio e da morte ao outro - se impõe. Tudo tão impermeável à humanidade imaginada por nosotros.
“Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias”.
“Não percebes […]
Que há uma luz que nasce da blasfêmia
E amortece na pena?”
Um fragmento poético de Hilda Hilst.
Para quem tem o olhar dos Homens que Acreditam.
Os olhares e as lágrimas do poder e os crocodilos que só matam para comer. Abraço
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