No alto de outra colina, nos arredores de Gbadolite,
mais uma obra ao absurdo. É uma área toda murada. Um quadrado, com uma porta larga em cada lado. Cada porta está guarnecida por dois grandes leões de pedra.

Lá dentro, é fresco. Caminhamos sobre estrados de teca, por entre um emaranhado vegetal que começou a tomar conta do local.

Mas os pavilhões em madeira de cerejeira ainda lá estão, ligados uns aos outros por pontes pedonais feitas de bambu e pau-rosa. Madeira bordada, rendilhada, em relevo, ainda com as cores fortes ao gosto chinês, amarelo torrado, rosa escuro, vermelho vivo, verde claro, azul céu, as cores da loucura de quem tudo queria e tudo podia.

A cidadela chinesa de Mobutu, cheia de lagos e cisnes e pavões. Os cisnes e pavões, o povo comeu-os. Os lagos e a piscina pertencem, agora, aos sapos.

Mas ainda é possível adivinhar as farras que ali se desenrolaram. Ou se enrolaram… depende da imaginação de cada um.
O custo destes caprichos é difícil de adivinhar. Para erguer o
Palácio Gbadolite foram operários portugueses, para a
casa de campo foram operários italianos, para esta cidadela chinesa os escolhidos foram... artífices chineses. Mobutu não poupava.
4 comentários:
Surrealista... China em África, Fantástico! Só é pena a maneira como isso foi feito, às custas do povo... E já agora, que tal uma visitinha à casa do senhor Mobutu ali em Porches?!
Fred, faz tu essa, pá.
É verdade: o inferno são os outros. E é já aqui ao lado!
Que Mobuto era um ditador... Não era bem um ditador. Era o nosso ditador. De um certo ponto de vista ocidental. Muito mais confiável, afinal, que um Lumumba;)
Está muito interessante o blog.
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