A cidade foi transformada num gigantesco cemitério. Havia campas por todo o lado. Em todos os jardins, grandes ou pequenos, havia corpos enterrados. Os campos de futebol foram transformados em cemitérios. O complexo olímpico também…

Podia-se contar a história daquela guerra através das lápides mortuárias. Nomes e datas. Datas de nascimento e de morte. Morreram quase todos demasiado cedo. Tantas crianças. Tantas Majas e Suadas…
Os snipers vigiavam atentamente todos os locais de provável concentração popular. Os cemitérios eram um desses locais. Havia sempre grupos, mais ou menos numerosos, nos funerais. Disparar contra cortejos fúnebres eram comum… muitos morreram nessas circunstâncias. Era bizarro ver os serviços fúnebres serem feitos tendo em conta o provável ângulo de visão dos snipers escondidos nos telhados de alguns edifícios…
Uma manhã, no exterior do Estádio Olímpico, estávamos a filmar aquele mar de campas quando sentimos três balas “assobiar”… não se ouviram os disparos, provavelmente abafados pela distância. Não sei se o sniper falhou por inépcia se apenas nos quis assustar. Mas assustou bastante. Eu e o Vítor Caldas ficámos sentados, protegidos pelas lápides das campas, durante bastante tempo, até termos nervo para voltarmos a caminhar em campo aberto. Mais tarde, na montagem, o “assobio” das balas era bem audível…
1 comentário:
Sabe Carlos, um bom sniper tem sempre em conta as componentes atmosféricas. Se não ouviu os tiros foi porque foram disparados a grande distância ou com silenciador...estava vento nesse dia, a temperatura era acima dos 22 graus ou abaixo dos 8? E a humidade do ar?
Abraço
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