Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, fevereiro 01, 2006

TSF, Sinais - fome de cão

"As 42 toneladas de comida para cães prontas a enviar aos meninos famintos do lago Vitória fariam parte de um kit que ensinasse os meninos a comer relva para vomitar quando tivessem dores de estômago? Os meninos poderiam comer o suplemento no chão? Os saquinhos incluiriam campaínha para ajudar os meninos a salivar?" Quem ouviu, hoje, a crónica do Fernando Alves, na TSF, só pode ter ficado indignado.

A crónica denunciava a dádiva de uma senhora neo-zelandesa, proprietária de uma fábrica de comida para cão, de 42 toneladas de ração animal para as crianças pobres do Quénia. É verdade que são pobres, é verdade que são pretos, mas não são bichos... Esta gente sem sentimentos só podem ser loucos. Deviam ser internados num manicómio. E tratados... com choques eléctricos.

5 comentários:

ELCAlmeida disse...

Também já tinha comentado isto ontem no meu blogue. Que ela goste, ninguém tem nada com isso; que sejam bons ou não, não está em discussão; agora serem suplementos nutricionais?...
Como também respondi a um comentários não insultemos os cães que não foram dados nem achados.
Um abraço
Eugénio Almeida

Teresa disse...

"É verdade que são pobres, é verdade que são pretos, mas não são bichos..."
Lamento dizer, mas a mim esta frase também não soou lá muito bem... Eu sei que a intenção foi boa, mas é por estas e por outras que se deve ter cuidado com o que se escreve.

CN disse...

cara Teresa, obrigado pelo reparo. De facto, a intenção foi mesmo ofender. Não os pretos, nem os pobres, mas os preconceituosos.
Por vezes, o engenho não tem arte...

José Moreno disse...

Percebo a indignação e concordo com ela. Mas, ainda assim, a notícia não deixa de ser desafiante. Porventura será melhor que as crianças morram à fome? Porventura será melhor que se alimentem do que quer que consigam encontrar nas imediações, por mais prejudicial que seja? Para lá da fome não há nada senão a morte. E para a evitar todos os meios são legítimos.
O que nos deve preocupar é que esta questão se chegue sequer a colocar. Podemos dormir descansados, sem nos lembrarmos que há crianças com fome? Podemos admitir que a resposta seja sim?

L.G. disse...

O Ashburton Guardian, um jornal neozelandês, cita a senhora e desmente a versão que resto da imprensa internacional continua a dar. O link é este: http://www.ashburtonguardian.co.nz/index.asp?articleid=6717

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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