Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Congo, 2001 - A Expedição, o missionário voador

Um pouco acima da linha do Equador, a norte do Rio Uéle, a sul do Rio Ubangui, fica a pista de aviação onde poisamos. A época das chuvas tinha parado havia pouco mais de um mês e o chão pantanoso da floresta tropical estava já suficientemente duro para permitir o poiso do avião. Na época das chuvas a lama é tanta que tentar aterrar ali significa desfazer o avião.
Nesta região norte da República Democrática do Congo vive a tribo Azande, um dos muitos povos que constituem o mosaico da Nação congolesa. Os Azande têm o seu próprio dialecto, o kizande, mas falam também lingala, uma das línguas nacionais do Congo, além de francês, o idioma dos últimos colonos brancos que dominaram o país até à independência, em 1960.Quando aquele pequeno avião aterrou, terminaram 8 longas horas de voo sobre mato e florestas de cinco países africanos, Quénia, Uganda, República Centro-Africana, Sudão e Congo. Uma grande volta aérea para contornar as linhas de combate de uma guerra civil que dividia em três partes o grande Congo. O norte pertencia a Bemba, o principal dirigente rebelde que se opunha ao reinado da família Kabila.
Quem nos levou até lá foi um homem branco, nascido no antigo Zaire, filho de missionários protestantes de nacionalidade norte-americana. Ron cresceu no Zaire e na República Centro-Africana, estudou nas várias missões em que os pais trabalharam, aprendeu os usos e costumes dos povos com quem conviveu, fala vários dialectos tribais. Quando chegou a altura de ir para a Universidade, viajou até aos Estados Unidos onde continuou a estudar. Tirou o brevet de piloto comercial, trabalhou no Alaska como piloto e regressou a Àfrica para prosseguir a missão missionária dos pais. Ron e o seu pequeno avião são, para muitos missionários espalhados nas zonas mais inóspitas do Continente Africano, o único elo que têm com a civilização.
Quando pisei aquele chão, estava a começar a mais fantástica viagem da minha vida, até hoje.

4 comentários:

planaltobie disse...

...Muita coisa em comum com o padre Alfedro Neres!

PCosta

planaltobie disse...

Alfredo (dislexia).
PCosta

CN disse...

estes tipos, assim, são parecidos uns com os outros. têm uma característica comum, pelo menos: são teimosos.

VN disse...

Estamos à espera do resto da História, já sabemos que vai ser em capitulos, mas vá, começa lá a contar a mais fantástica viagem.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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