Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Já não se pode dar milho aos pombos

Muito sinceramente, acho que a gripe das aves está muito mais espalhada do que se diz. Não sei se nos andam a esconder alguma coisa, mas tenho o pressentimento de que a situação é bastante grave e não vejo que se esteja a fazer alguma coisa de concreto para a combater, a não ser que a missão esteja atribuída aos serviços secretos.
Reparem bem. De repente, surge um surto da gripe das aves no centro de Inglaterra, em plena Europa. Entretanto, houve notícias de casos em vários países africanos, Egipto e Nigéria se não me engano. Há, também, notícia de problemas na Indonésia. Ora, se em Inglaterra todos vimos alguma acção eficiente para conter a epidemia, com a eliminação de centenas de milhar de perus, nos outros locais tenho sérias dúvidas de que se esteja a fazer alguma coisa de útil, tendo em conta a tradicional desorganização dos países em causa e a crónica falta de meios com que se debatem. E se o vírus chegou à Nigéria, porque não a muitos outros países africanos? Quem me garante que existe algum tipo de vigilância eficaz em países como, por exemplo, o Mali, a Guiné-Bissau, a República Centro-Africana, o Congo, o Malawi, onde nem sequer existem laboratórios capazes de efectuar análises para detectar o H5N1.
Estamos todos à espera que o diabo do vírus adquira capacidade para se transmitir entre humanos, porque já há muito que adquiriu a capacidade de se transmitir dos pássaros para humanos e outros mamíferos, como cães e gatos.
mercado em Nairobi
E só quando essa tragédia se abater sobe a Humanidade é que alguma coisa será feita, mas depois de alguns milhões terem morrido, por certo. Mais uma vez, o continente africano será o centro de todas as desgraças, quase de certeza. Já assim é no que diz respeito à SIDA e à malária. Agora, a gripe das aves é mais uma sentença de morte para os milhões de debilitados e famintos que vivem nos bairros da lata de Dakar, Nairobi, Kinshasa ou Luanda.
Acredito que a praga devastará, primeiro, as desprotegidas populações de muitos países africanos e asiáticos, mas se os países ricos do Ocidente falharem na descoberta de uma vacina eficaz, também não terão melhor sorte.

3 comentários:

Shades of Blue disse...

Flu vaccines are made differently every year to reflect the current virus strands. There was a recent recommendation to Congress, I believe (US)on Pandemic preparedness, and something that stood out for me was the fact that in a flu pandemic, there will not be vaccines for a few weeks because they first have to determine what they have to fight. Practice everyday virus transmission prevention and stay away from sick people.

CN disse...

Thanks for the advise Shades.

dorean paxorales disse...

A previsão de uma pandemia de gripe é baseada num modelo teórico que foi elaborado muito antes da ocorrência destes surtos actuais. Pessoalmente, conheço-o desde os anos noventa.
A gripe das aves acabou por ser o melhor candidato à validação desse modelo.

O paradoxo reside aqui: a confirmação do modelo implica transmissão humana à escala continental; acontece que, tirando as correntes migratórias dos próprios animais, não há conhecimento de caso algum com essas características. Como o próprio CN admite.

O cenário, felizmente, não é aquele que pintam os média.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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