Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, agosto 19, 2009

Caspa


O PS orçamentou 5 milhões 540 mil € para a próxima campanha eleitoral. Se tiver 1 milhão e meio de votos, perde as eleições mas a campanha sai-lhe de borla. Com 2 milhões de votos, talvez ganhe as eleições e acaba por ter lucro significativo. Isto, porque o Estado subvenciona os partidos políticos que obtiverem mais de 50 mil votos nas eleições. São, se não erro, 3 € e 50 cêntimos por cada voto. Façam as contas e vejam o negócio que isto não representa. Já não falo das sinecuras que ficam à disposição dos correligionários e amigos, belos tachos com direito a BMW e cartão de crédito para despesas de representação. Mas isso são outras contas do rosário…
Se compararmos o orçamento dos partidos políticos com assento parlamentar com os outros, verificamos que a luta é completamente desigual. Enquanto que os primeiros têm mundos e fundos para gastar em propaganda, os segundos contam tostões e lançam-se à luta se a colecta entre os correligionários chegar para alguma coisa…
Do PS já falámos, agora comparemos o PSD com 3 milhões 340 mil € com a Frente Ecologia e Humanismo que só tem 25 mil €… ou o PCP/PEV com 1 milhão 950 mil € e o MMS com, apenas, 40 mil €… ou mesmo o Bloco de Esquerda com 993 mil € ao pé do PCTP/MRPP com singelos 45 mil €… ou seja, enquanto uns podem comprar os serviços de agências de comunicação, prometer bons empregos e facilitar a carreira dos amigos, outros mal conseguem fazer-se ouvir perante a berraria das máquinas propagandistas dos que andam próximos do poder e dele se alimentam.
Ou seja, os resultados eleitorais têm muito pouco a ver com programas políticos ou ideologias. Apenas com propaganda. Andamos a votar como quem vai ao supermercado à procura do "melhor" shampoo para a caspa.

6 comentários:

Fada do bosque disse...

Realmente Carlos, que tiro em cheio!

E não fosse eu andar neste blogue, que nem sabia, quem é o Dr Garcia Pereira, nem qual o seu programa. Andava aí ás aranhas, sem saber em quem votar!
E querem que acredite numa Democracia?! Com um Sistema viciado desta maneira?!
Ó Carlos, é de mim ou o País deslocou-se para sul de Angola, como diz Orlando Castro?! Querem ver que se deslocou e ninguém, ou quase se apercebeu?!
No Tempo de Antena, acho escabroso, não ser igual para todos! Mas os Mídia não são isentos e excluem quem querem... até aqueles que têm bons programas eleitorais! Não vão eles ter assento parlamentar e pôr-lhes a "careca" à mostra.
Entretanto veja a palhaçada que vai nos mídia, copiado do Blogue de FREDERICO DUARTE DE CARVALHO:




"Presidência da República teme estar a ser vigiada"... Desculpem lá os senhores do "Público" - não, não é "perseguição" - mas acho que faltou neste texto lembrar que, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro e o Presidente era Mário Soares, também se falou que poderia haver escutas em Belém. Foi em 1994, na altura em que se encontrou um microfone no gabinete do Procurador-Geral da República, Cunha Rodrigues (26 de Abril). Era uma fase política muito sensível já que se aproximavam as eleições europeias (12 de Junho) e em Belém discutia-se uma possível dissolução da AR. Dias antes da descoberta do microfone na PGR, Soares acabara de fazer uma "Presidência Aberta" dedicada ao Ambiente e Qualidade de Vida, um bom pretexto para o Presidente levantar críticas ao primeiro-ministro e influenciar resultados eleitorais a favor de António Guterres - reeleito secretário-geral do PS a 13 de Março desse mesmo ano. Depois, a 24 de Junho, deu-se a carga policial sobre os manifestantes na ponte 25 de Abril, e começava a contagem decrescente do cavaquismo...

BONITO, NÃO?! o povo tem memória curta e chegámos onde chegámos!

Motim disse...

Totalmente verdade. O tipo de democracia que temos aqui é um negócio. Quem ganha as eleições é sempre o que mente melhor, o que fez a melhor produção teatral, o melhor marketing.

Eu tenho um ataque de caspa. Apesar da publicidade, já experimentei esses shampôs e posso dizer que nenhum funciona. É tal e qual os partidos políticos: gastam milhões em publicidade, mas nenhum é a solução para Portugal.

andrea disse...

CN a comparaçao é brilhante, como o cabelo depois do shampô.
Abraços.

Rui Herbon disse...

De facto o jogo parece estar viciado quando uns se sentam à mesa com dez cartas (a até alguns ases na manga) contra outros que jogam apenas com uma. Da mesma forma como as sondagens condicionam o voto útil e o tempo de antena nos meios de comunicação social define os "elegíveis". O justo seria todos se apresentarem a escrutínio pelo menos com a mesma subvenção pública, já que a equivalência de tempos de antena seria impossível. Mas estaríamos certamente mais perto de uma democracia.

Fernando Teixeira disse...

Este sistema não é novo. Em outras ditos cujas democrácias, não será assim também igual?
Não sei se existe desigualdade os valores em dinheiro mas claro, cada um tem aquilo que consegue merecer. Também em democrácia é assim. Consegues mais votos porque te esforças-te levas mais. Consegues menos, porque o teu esforço foi pouco, levas menos. Aqui não pode haver;trabalho igual, salário igual.
Quanto aos calhaus, sito: eu voto por uma convicção Republicana Socialista Democrática Moderna.
Este é o jogo.

Fada do bosque disse...

Ó amigo Teixeira, cá o cargo político já se tornou hereditário...
Não são os que merecem, canudo!
Esses não conseguem chegar lá acima, porque os outros calcam pra baixo!
É a chamada "panelinha", canudo! :))

AddThis

Bookmark and Share

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

Seguidores