Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, agosto 22, 2009

O caminho faz-se caminhando


Há cerca de 2500 anos, um dos mais proeminentes políticos de Atenas, Péricles, largava pérolas como "as mulheres, os escravos e os estrangeiros não são cidadãos". Péricles era considerado um democrata e, portanto, é um dos pais da nossa Democracia.
É claro que em 2500 anos o pensamento político avançou muito, os preceitos sociais não são os mesmos, a Democracia democratizou-se, digamos assim. Mas é um caminho que ainda não está feito. Estamos nele, mas não vislumbramos o fim da caminhada. Não podemos considerar esta Democracia que temos como uma obra acabada… ainda é demasiado imperfeita.
As assimetrias sociais, a injustiça na distribuição da riqueza, a iniquidade nas oportunidades dependendo do sexo, da raça, do nome de família, do local onde nascemos. São muitas as variantes que provocam desigualdades. Uma delas é o preconceito… que, aliado à ignorância, facilita o engano e a manipulação. Refiro-me, por exemplo, ao preconceito implantado em muitas pessoas relativamente aos pretensos malefícios da esquerda política. Medos alimentados pelo marketing dos partidos sustentados pelo Capitalismo. Aliás, o medo do Comunismo foi (enquanto se justificou) parte integrante do armamento ideológico do Capitalismo. Comiam criancinhas ao pequeno-almoço, os comunistas – e muitos acreditaram piamente nestas tretas. O medo que eles viessem e lhes confiscassem a carroça e o burro, a leira de terra, o naco de pão. Mas se tudo isso fosse levado pela hipoteca ao banco, já não fazia mal…
Não pretendo fazer aqui a defesa do Comunismo. Na verdade, os regimes comunistas não me parecem melhores que os inspirados pelo Capitalismo. Ambos fizeram e fazem muitas vítimas inocentes, qualquer deles não hesita em sacrificar seres humanos em nome dos dogmas que os enformam. Pretendo, apenas, relativizar as coisas e argumentar em prol da liberdade de pensamento. Considero que para se escolher verdadeiramente é preciso conhecer. Sem preconceitos. Até porque, hoje, tudo mudou e as práticas políticas dos partidos já pouco têm a ver com as velhas práticas dogmáticas dos anos 60. É por isso que acho que ninguém devia dizer que já sabe em quem vai votar, num reflexo pavloviano ditado por coisas velhas. É a minha opinião.

9 comentários:

Maria Josefa Paias disse...

Há dias publiquei no meu blogue Restolhando uma frase de Condorcet (1743-1794) que diz: "Sob a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo". E fi-lo por que continuo a verificar que a ignorância continua a ser o que impede muita gente de conseguir elaborar a sua própria opinião sobre o que se passa no mundo, que se deixa manipular facilmente e que acaba por formar aquele "rebanho" à espera de quem o conduza.
Cumprimentos.

andrea disse...

e é uma muito boa opiniao.Fiz o teste que envias-te num post anterior e as conclusoes nao foram nenhuma surpresa, o problema é que do discurso a pratica vai uma eternidade e se ali diz que eu estou mais para o lado do ps, certamente que nao tenho a menor intençao de votar ps.E por uma questao de experiencia do que tem sido feito que me leva a esta vontade, nao por textos programaticos ou intençoes de obra.
Agora vou passar a ser um chato, quero obra e factos antes do voto.
Abraços.

Fada do bosque disse...

Pois... tem toda a razão. Pouco mais há a dizer. Continua pràticamente tudo na mesma. Mas sem minorias os gigantes tornam-se tiranos. É o que está a acontecer com o Neo Liberalismo a quem erradamente chamam Democracia! Está tão longe, mas tão longe, que hoje o povo sente-se verdadeiramente injustiçado.
A Justiça, neste pequeno País emigrou,juntamente com o bom senso.
Porque será que continuam a pensar, que se deve votar numa maioria estável, quando foi o que
fizeram e levaram o País à ruína?!
Como já disse antes, as palas que o povo conserva nos olhos, criou a bem dizer um SISTEMA sem precedentes na Europa. O socialismo ideológico deu lugar a um Bloco Central apenas de Direita, onde os mesmos sujeitos vão trocando de cenário, conforme o público para quem actuam. Nos bastidores vale tudo, pois ao contrário de uma DITADURA, a quem podemos culpar o tirano, neste Modelo, a culpa morre solteira porque a corrupção manuseia o público, tendo todos os meios ao seu dispor.É uma máquina avassaladora, destruidora, usando para isso, os Mídia que levam à ignorância do público em geral.
Entretanto o povo continua a queixar-se e ainda mais incrível, a votar nos que o manuseiam, sem saber porquê! É o tal dogma, utilizado de igual forma nas Religiões Cristã e Muçulmana, mormente, para conseguirem com que os seus desígnios sejam realizados.
Lavagem cerebral, alienação, medo e preconceito redireccionam as massas no intuito de uma Nova Ordem ou Ditadura Mundial. Portugal vai à frente! MANIPULAÇÃO de MASSAS.
A continuar assim, hão-de confiscar-nos tudo, até a liberdade individual!

mfc disse...

Assino por completo.

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar

Fernando Teixeira disse...

Tendo em consideração as últimas eleições em 2005 Lesgislativas o vontade do povo foi desta maneira:
PS 46% VOTOS CONSQUISTADOS
PSD 29% IDEM
PCP 8% "
CDS 7% "
BE 6% "
MRPP 0% percentagem votos
PND 0% idem
PH 0% "
PNR 0% "
POUS 0% "
PDA 0% "
OBS: ONDE SE ENCONTRA OS QUE USAM AS (ALAS)? DAQUI SÓ VESJO DO MRPP ATÉ AO PDA. SERÁ QUE OS OUTROS PELO MENOS OS TAIS IGNORANTES ENCONTRAM-SE ONDE? Digo; os das extremas, já agora (dois lados) tem sempre o mau hábito de chamarem sempre aos outros que são ignorantes ou burros. Não se trata de uma questão de esperteza ou inteligencia, é mais convicções que, os tais da esquerda sempre fazem o cavalo de batalha nas eleições. Vão a votos, é o que se vê. Eu se fosse a eles reforçava talvez o PCP e aí talvez tivesse-mos uma esquerda mais activa e sem telhados de vidro. Não tenham receio senhores do Bloco, no fim vão fazer algum favor ou ao PS ou ao PSD. O poder é apetecível.

CN disse...

Sr.Teixeira, quem viver verá. Até pode ser que no dia 27 de Setembro o senhor continue contente mas... para o que aqui interessa, deixe-me dizer-lhe, sem ofensa, até porque também se aplica a mim próprio, o senhor é o protótipo daquele "burro velho" que já não aprende línguas.

CN disse...

Sr.Teixeira, esqueci-me de lhe corrigir algumas imprecisões... o PCTP/MRPP, nas últimas eleições, não teve 0% de votos, teve 48186 votos, equivalente a 0,84% dos votos expressos.
O PND teve 40358 votos, ou seja 0,70%...
O PH teve 17056 votos, 0,30%...
Nenhum deles elegeu deputados, embora o PCTP/MRPP tenha ficado a poucos votos de eleger um.Pode ser que seja desta, veremos.

Fernando Teixeira disse...

ola CN. Correcto. aceito o erro. Peço desculpa.
É já não aprendo. O que me vale é o meu lado da minha balança, tende sempre para onde haja oportunidades do futuro. Já sabe, os anos pesam e já sabemos para onde vai a onda. Quem não souber Surfar, morre afogado.
Existe bem piores jornalistas que caro amigo na praça a trabalhar.Vou fazer uma força ao Grande Chefe por si. Força.

artista disse...

Correndo o risco de ser simplista. O mal de Portugal e dos Portugueses reside, no peso mórbido que o estado exerce sobre a sociedade. A sociedade que se tem vindo a construir (e a refinar) desde D. João II (final do Séc XVI) foi construída sobre influencia de um estado todo poderoso e pesado. Foi assim que se desbaratou as riquezas das índias até ao século XVIII ao ponto dos Ingleses dos Ingleses darem a machadada final na monarquia com o celebre mapa cor-de-rosa. Já na republica, até o botas quando se agarrou ao poder a primeira coisa que fez foi criar o estado/nação uno e indivisível. Sempre que um novo poder chega ao estado, este cresce na sociedade. O resultado é um emaranhado de leis que nunca mais acabam e que ninguém consegue fazer aplicar. É uma constituição toda retorcida em que uma vez mais o estado domina a sociedade.
A nossa classe politica ainda não percebeu que se o estado deixar de se imiscuir tanto na sociedade, será bastante mais fácil e escorreito governar esta terra.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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