Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, agosto 10, 2009

(o meu) Programa eleitoral - 2


Já repararam que, em muitas situações, andamos a pagar duas vezes (pelo menos) o mesmo serviço? Ainda por cima, nem sempre somos bem servidos…
Inscrevi-me num mestrado na Universidade Nova de Lisboa. Um dos luxos dos desempregados é terem tempo, muito tempo, sem ocupação fértil. Assim, decidi ir para a escola. O pior é que a coisa fica em 2 mil €, pelos três semestres… e dei comigo a pensar em que diabo são empregues os nossos impostos se, quando solicitamos um serviço qualquer ao Estado, temos de o pagar? Pagamos na escola pública, pagamos no hospital público, pagamos no transporte público, pagamos se pedirmos um certificado de registo criminal, pagamos se formos trocar o velho BI amarelo pelo novo cartão azul. Pagamos. Acho que estamos a pagar a dobrar porque pagamos a primeira vez através do sistema fiscal e voltamos a pagar, depois, através das taxas moderadoras, propinas, emolumentos, tributos e portagens. Não gostavam de ver alguém da política debruçar-se sobre este assunto (a política fiscal), ou acham que é um tema menor? Até porque muitos destes serviços a que me refiro são direitos supostamente garantidos constitucionalmente e, acho eu, deveriam ser assegurados independentemente da riqueza do utente.

12 comentários:

josé carlos soares .˙. disse...

Companheiro também eu me inscrevi na faculdade para fazer uma licenciatura em história e apesar das aulas só começarem em Outubro já estamos a pagar propinas desde Agosto... voto no teu programa eleitoral...

claroazul disse...

Mais conveniente ainda: pagamos senão não nos pagam. E se a qualidade fosse referência, ainda nos obrigariam a pagar mais. Portanto, pagar por pagar mais valeria não pagar... Certos políticos e/ou governantes:
- têm o condão de convencer as massas de que os aliviarão;
- são virtuosos ao ponto de enganarem quem lhes confere poder;
- içam bandeira de comuns e repetidos direitos capitais, para logo depois, à mínima ameaça, se colocarem em fuga.
Apesar do optimismo, tudo indica que o veredicto final permanecerá irrevogável. Pagamos porque sim! Isto é: porque não?

Fada do bosque disse...

Isto é o Terceiro Mundo. Ainda vamos com sorte, em ter uns tustos para desembolsar...Tive cá em casa um amigo Dinamarquês durante um mês, que não queria acreditar, no que os seus olhos viam. Lá no seu País, descontam quase metade dos seus ordenados, este rapaz trabalha por dia 4h, ganha 1800 euros mês, (horas extra a triplicar) como empregado de limpeza e ainda estuda. Tem casa e carro para pagar ao banco, por isso o Estado cobra menos 18% de impostos.
Tudo o que é serviço do Estado, é grátis, saúde, educação, tudo! E têm orgulho em descontar, para ajudar o colectivo! e que orgulho!
Alto nível de qualidade de vida!
Pois devia ser na Educação, que esta forma de pensar devia ser implantada. Mas se tem de pagar 2000 euros por semestre do mestrado, logo aí se vê...
A política fiscal é um tema maior, pois dela depende o desenvolvimento do País. Não é à toa, que Portugal se tornou num território completamente estéril!
Mas em campanha eleitoral as sanguessugas ficam quedas e mudas...moita, carrasco! Até porque existem, muita injustiças inconstitucionais e não convém levantar a poeira.
Qualquer dia nem para a taxa moderadora, o povo tem dinheiro, o que já acontece aos mais desfavorecidos. APRE!!! que vergonha!

CN disse...

Fadinha, não exagere... são 2 mil € mas pelos 3 semestres.

Fada do bosque disse...

Foi lapso... não exagero.

Quanto a outro exemplo, ficou muito espantado, esse dinamarquês, isto porque temos um blogue de sustentabilidade, de nos ver fazer a separação do lixo, ao que perguntei admirada:- vocês lá não fazem?!
- Não, como é algo que dá muito dinheiro, a reciclagem e o Estado paga bem a operários, que fazem isso por nós.

Fada do bosque disse...

E no meio de tanto lapso, lá vou dizendo umas verdades... ahahahahahaha
É no que dá comentar de trincha na mão e coração na boca! ahahahahahaha
Pelo menos há quem se divirta... na mínimo, eu e a mana... ahahahahah

Rui Herbon disse...

O problema da fiscalidade em Portugal é que o contribuinte português, ao contrário, por exemplo, do dinamarquês, está preocupado com quanto paga, e não com o que recebe em troca.

Fada do bosque disse...

Pois é Rui, mas existe o veículo para a consciencialização, de que primeiro temos de cumprir com os nossos Deveres, para depois, termos acesso aos nossos Direitos?!
Por acaso, o português não tem falta de civismo e cidadania, pela falta de educação, por parte das famílias e ensino?!
Era o primeiro passo a dar, essa tal consciencialização...
Não vi, depois do 25 de Abril de 74, ninguém nos Governos, preocupado em fomentar e alicerçar a Educação! Tu viste Rui?

Rui Herbon disse...

Fada, isso é bem verdade. Mas também é verdade que o português está sempre à espera que o Estado lhe resolva tudo. O civismo emana da sociedade e da exigência que temos uns para com os outros. Quanto transigimos com certo tipo de situações (faço desde já o mea culpa) também estamos a contribuir para o estado das coisas.

Fada do bosque disse...

Está sempre à espera, porque está mal educado e mal habituado! O Vício é-nos dado como exemplo, pelo Poder em vigor.

Monica disse...

O pbl é que o "Tuga" vangloria-se quando foge ao Fisco ... e depois queixa-se do que tem de pagar pelos serviços do Estado ... Enquanto essa mentalidade não mudar, e os políticos começarem a cortar despesa pública onde ela não é essencial para os cidadãos (ex. carros novos para administração da TAP, qd a empresa tem prejuízos astronómicos)... vamos continuar a pagar a dobrar e a triplicar, nós a classe média que "ainda" não está desempregada e paga impostos!

apre disse...

Não sei se pagamos duas vezes pelo mesmo serviço. Parece-me mais o princípio do utilizador-pagador. Todos contribuímos com os nossos impostos para a construção das auto-estradas (ou se um hospital ou de uma escola), mas quem a utliza de facto ainda paga portagem pela sua utilização. Digamos que com os impostos pagamos a criação do serviço e com a taxa moderadora (ou lá o que se chame, dependendo do serviço) pagamos pela efectiva utilização do mesmo. Não me parece completamente injusto que quem usa o serviço pague alguma coisa por ele.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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