Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











domingo, abril 29, 2007

Real Politik

É uma folha A3, com timbre da Agência Lusa, escrita à mão por mim. Não tem data, mas é de Outubro de 1998 e refere-se ao atentado contra a vida de Abel Chivukuvuku, à época o líder parlamentar da UNITA.

Chivukuvuku (foto pequena) morava no bairro de Alvalade, numa rua muito movimentada e tinha segurança policial no portão, como habitualmente têm todos os tipos importantes em Luanda. No entanto, os polícias que lhe guardavam o portão de casa, nesse dia de manhã, não estavam lá, inexplicavelmente.

Às 9 horas, quando o carro de Abel Chivukuvuku passou o portão, conduzido pelo motorista que ia levar os dois filhos do patrão à escola, de um outro veículo que circulava pela rua saíram três tiros disparados de uma pistola com silenciador. Ninguém viu a cara do atirador, ninguém reparou na matrícula do carro utilizado no atentado, nem sequer ouviram os disparos por causa do silenciador. Mas duas balas ficaram cravadas na porta do carro e a terceira ficou no capôt. Chivukuvuku não ia no carro e as crianças não foram atingidas.

Não sei se quiseram mesmo matar Chivukuvuku, mas sei que o assustaram bastante. O passo seguinte foi a sua substituição forçada na direcção da bancada parlamentar da UNITA.

Foi por esses dias que surgiu a chamada UNITA-Renovada, um grupo dissidente de Jonas Savimbi e liderado por Eugénio Manuvakola e Jorge Valentim.

Manuvakola foi imposto como novo dirigente parlamentar da UNITA, num golpe palaciano levado à cena pelo próprio presidente do Parlamento angolano. Com os votos do MPLA, o Parlamento declarou ilegal a direcção de Chivukuvuku, que se mantinha leal a Savimbi e passou a reconhecer a dita UNITA-Renovada.

No dia em que isso sucedeu, eu estava lá, no Parlamento e assisti a tudo.
Enquanto a guerra regressava ao país, os primeiros tiros em Luanda contra a UNITA foram disparados neste episódio que aqui vos conto.

Em 98, Luanda voltava a transformar-se numa ratoeira para os tipos da UNITA, como já tinha sido em 92.

Já me tinha referido a este episódio aqui no blogue, em circunstâncias diferentes, mas o reencontro com este papel obrigou-me a regressar a este episódio paradigmático da real politik à angolana.

sábado, abril 28, 2007

Adoro miminhos

Penso logo existo, ora blogda-se.
Um grande abraço aos que se lembraram disto.
Mas não sei se mereço tamanha distinção.
Não sei mesmo.

sexta-feira, abril 27, 2007

Arte e manhas da política. No caso, angolana.

Já há muito tempo que não mergulhava o braço no baú da papelada. Desta vez saiu um papel A4 dobrado em oito, um comunicado da Missão de Observação das Nações Unidas em Angola – MONUA.
O papel está datado de 31 de Julho de 1998. Eu estava em Angola há cerca de 15 dias, na companhia do Carlos Santos, o camera-man da SIC que me acompanhou. O comunicado fala de um terrível massacre ocorrido numa aldeia da Lunda Norte, onde terão morrido 600 pessoas, segundo se dizia em Luanda. Na verdade, ninguém sabe quantos morreram.
O governo acusou a UNITA da autoria do massacre. A UNITA nunca o reconheceu. O ataque foi, de facto, um assalto para rapinar os diamantes que estavam naquela aldeia que, como tantas outras do Norte de Angola, mais não era que um acampamento de garimpeiros. Atacaram e mataram todos de modo a não deixar testemunhas.
O comunicado da MONUA acusa o Jornal de Angola, a Televisão Pública de Angola e a Rádio Nacional de Angola de difundirem falsas notícias sobre o sucedido, nomeadamente a afirmação de que a MONUA teria identificado os atacantes como sendo militares da UNITA.
Na verdade, o que se dizia à boca pequena, em Luanda, é que o ataque teria sido feito por soldados governamentais, homens tresmalhados, cansados de esperarem por um soldo que nunca chegava, fartos de passar fome e medo.
Alguns dias depois, eu e o Carlos Santos estávamos em Bula, levados pela tropa angolana. Vimos os corpos enterrados nas valas cavadas para o garimpo, vimos as palhotas destruídas e vimos muitas cápsulas de munição espalhadas pelo chão de areia. Não sei quem disparou aquelas balas todas. Sei apenas que eram cápsulas de munição de fabrico espanhol. E sei que Espanha vendia munições e outro equipamento militar ao exército governamental.

quinta-feira, abril 26, 2007

A resignação e o inconformismo

Cavaco não põe cravos na lapela e não gosta das comemorações do 25 de Abril. Disse-o ontem, quando presidia às ditas celebrações por mera obrigação do ofício, como se depreende. Não gosta e não se resigna e, então, quer mudar tudo, quer alterar o ritual, quer modernizar a coisa, pelo que percebi. E falou da necessidade dos jovens não se resignarem perante a mediocridade vigente.
Cavaco também não gosta de manifestações e, por isso, não alinhou na descida da Avenida da Liberdade, um outro modo de celebrar o 25 de Abril muito do agrado de milhares de cidadãos, como se viu. Lá estiveram alguns dos que já tinham estado nas comemorações oficiais realizadas no Parlamento. Foi o caso dos capitães de Abril, os tais que não se conformaram com a situação em 1974 e fizeram cair o regime. De manhã estiveram em São Bento a escutar o Presidente da República, de tarde juntaram-se ao povo que festejava.
Alguns dos participantes desta passeata acabaram por passar a noite nos calabouços da polícia. Parece que se excederam nos protestos contra o racismo e a xenofobia emergentes na sociedade portuguesa. Segundo a polícia, cerca de 150 pessoas, "extremistas com simbologia anarcolibertária", pertencentes a movimentos antiglobalização, iniciaram uma marcha rumo à Praça Luís de Camões, no Chiado. Uma marcha não autorizada, faz notar a polícia. A coisa tinha de acabar mal, porque tanto inconformismo também não.

quarta-feira, abril 25, 2007

25/A





De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.

terça-feira, abril 24, 2007

Termo de identidade e residência

Agora, os desempregados têm de se apresentar quinzenalmente na Junta de Freguesia onde vivem. Quando se inscrevem no centro do IEFP recebem a primeira intimação para se apresentarem na Junta e, depois, a Junta renova-lhes a data para a próxima apresentação e assim sucessivamente, de quinze em quinze dias.
Porquê isto tudo? Porque parece que há pessoas que não se contentam com o subsídio de desemprego que o Estado português lhes dá e vão trabalhar para Espanha. Assim, se forem, têm de vir a casa todos os 15 dias e, porventura, a trabalheira deixa de compensar. Se falharem duas apresentações, o subsídio é cortado. Os outros todos pagam por tabela. O legislador terá pensado, porventura, que se o cidadão está desempregado bem pode passar umas horas numa fila inútil à porta da Junta de Freguesia. O cidadão pode, é claro. Os funcionários da Junta também podem, claro está, até porque se tinham pouco que fazer, antes, agora o seu posto de trabalho está completamente justificado. O Estado ganhará alguma coisa com isto? Não sei, mas julgo que não. A coisa é um bocadinho ridícula e não evita a economia clandestina. Quem pariu este esquema não devia estar imbuído daquele espírito simplex propalado pelo Primeiro-Ministro. Em pouco tempo, o cidadão desempregado vê-se obrigado a carregar um dossier cada vez mais cheio de folhas A4 onde se comprova “o dever de apresentação quinzenal previsto no artigo 17º do decreto-Lei nº220/2006 de 3 de Novembro”, além da colecção de provas quanto à obrigação de procurar activamente emprego, ou seja, o cidadão desempregado tem de provar que responde a anúncios de emprego, que vai a entrevistas, que envia currículos para empresas, etc. O dossier engorda, o cidadão talvez não.

segunda-feira, abril 23, 2007

Dans le divan

Em 2002 falou-se “no fim da democracia” quando o desinteresse do eleitorado francês deu espaço à extrema direita de Le Pen que chegou a meter medo ao sistema democrático.
Agora, parece que os franceses se reconciliaram com a política, ou com os seus políticos, foram votar em massa e deram uma tareia eleitoral a Le Pen, como ele nunca deve ter imaginado.
Outro pormenor interessante foi o surgimento do terceiro elemento. Durante a campanha eleitoral, a candidata Ségolène Royal terá dito que François Bayrou era um homem “sem cadeira”, querendo dizer que ele não tinha lugar naquela luta pelo poder, que ela pretenderia disputar apenas com Nicolas Sarkozy. Como se vê, a senhora enganou-se bastante. Ironicamente, Bayrou sentou-se num confortável sofá e, agora, espera que Ségolène se chegue ao pé dele para negociar os tais 7 milhões de votos que amealhou nestas eleições. Como cavalheiro que deve ser, Bayrou certamente cederá algum espaço do seu sofá para que Ségolène se sente a seu lado e conversem sossegadamente. E se ela traçar a perna, tudo poderá acontecer… na segunda volta a 6 de Maio.

sexta-feira, abril 20, 2007

Na curva do rio



Encalhei a canoa na margem e deixo que passe a hora da fome dos crocodilos. Deixo-os saciarem-se antes de voltar a empurrar a canoa contra a corrente. Enquanto estiverem na água, o rio é deles. Quando eles regressarem para a margem, eu voltarei para o rio.

quarta-feira, abril 18, 2007

A conferência de imprensa


Bombástico, adj. estrondoso; extravagante

Pífia, adj. desprezível; vil

terça-feira, abril 17, 2007

Assassinos



Creio que Marques Mendes, que foi professor na UnI, sabia do conteúdo do dossier académico de José Sócrates. Daí ter formulado aquela cândida proposta da investigação a ser feita por uma entidade independente.
De facto, estão a assassinar lentamente o carácter do homem. A cada dia uma nova facada. Sendo que o que sobra é vingança, apenas. Vingam-se pelo encerramento da universidade, como se a culpa fosse de Sócrates e não deles próprios, magníficos actores de cowboyadas.
Sócrates foi favorecido na obtenção da licenciatura? Em plena consciência, é difícil responder. Mas é possível que tenha sido, sim. O que não me admira, se pensarmos no sentido prático que os capitalistas dão à vida: o dinheiro não tem cor nem cheiro, mas dá prestígio. O que, no caso vertente, quereria dizer que valia tudo para atrair estudantes à UnI e, melhor ainda, se esses estudantes fossem deputados.

domingo, abril 15, 2007

A mudança da maré

O tom do que se escreve nos jornais já não é o mesmo. Por exemplo, hoje, o Diário de Notícias tem duas prosas favoráveis ao Primeiro-Ministro e o Público limita-se a descrever, pela enésima vez, as incongruências entre os vários certificados de habilitações de José Sócrates, nada que lhe possa ser imputado directamente.
No PSD, Marques Mendes está praticamente a falar sozinho quando exige um inquérito independente ao dossier académico do Primeiro-Ministro.
Quando isto tudo acabar, vão sobrar os escombros da Universidade Independente e pouco mais. Dirão que a universidade não merece viver, que tem de pagar caro pela desorganização evidente em que viveu durante estes anos todos. Talvez. Mas é irónico que a encerrem quando, finalmente, parecem existir condições para a reorganizar. E quanto aos direitos dos actuais alunos, o silêncio dos governantes permanece.
Ainda quanto à desorganização da Independente, gostaria de ver a mesma justiça ser aplicada a outras instituições de peso bem maior na organização do Estado português. É que também a Assembleia da República não sabe explicar como foi que o registo biográfico de José Sócrates aparece emendado, limitando-se a afirmar que é impossível indagar porque já se passaram muitos anos. Se uma universidade privada tem a obrigação de preservar a integridade dos seus arquivos, a mesma obrigação se exige, por maioria de razão, à Assembleia da República. Ou não?

sábado, abril 14, 2007

Autofagia política

Como se vê, o caso da licenciatura de Sócrates não é um fait divers político. O líder da oposição já exige uma investigação independente. Suspeito que, tarde ou cedo, essa investigação venha a ser feita. Basta que alguém se lembre de apresentar uma queixa formal na Procuradoria Geral da República, por exemplo. Julgo que muitos políticos, adversários de Sócrates, apostam muito nessa investigação e na suspeita de que ainda existem segredos escondidos no dossier académico de Sócrates na Universidade Independente.
A prestação do Primeiro-Ministro na RTP foi boa, mas não chegou (nunca chegaria) para calar a boca aos que o querem derrubar seja lá como for. Por isso, esta história ainda terá mais episódios, aposto eu.
Depois da desistência de Guterres, do abandono de Barroso, das trapalhadas de Santana, o país não aguenta mais desilusões do género. Se Sócrates cair, as consequências poderão ser devastadoras para a classe política.
No meio de tudo isto, a Universidade Independente continua a caminhar para o encerramento e ainda não vi ninguém preocupar-se verdadeiramente com o problema das centenas de finalistas que, se não conseguirem terminar os seus cursos este semestre, terão de se transferir para outras universidades e, com isso, gastar mais um ano das suas vidas a estudar, além dos custos financeiros que isso obriga.
Todos falam que os antigos alunos, os que ali se licenciaram, não podem ser prejudicados pelo que se está a passar nem apanhar por tabela com os estilhaços do "caso Sócrates", mas todos se parecem esquecer, ou dar de barato, que os actuais alunos são os que estão a ser mais prejudicados com tudo isto. O senhor Ministro do Ensino Superior, professor doutor Mariano Gago, bem poderia decidir o que tem a decidir salvaguardando os tais legítimos interesses dos alunos.

sexta-feira, abril 13, 2007

As fontes da manipulação

Para os mais distraídos ou distantes destas coisas, vou aqui demonstrar como o poder político manipula jornalistas. E não é preciso fazer grande esforço.
No passado dia 6, o Diário de Notícias, entre outros jornais, publicava a notícia (sustentada por uma fonte da presidência) de que o Presidente da República, preocupado com as consequências da polémica em torno da licenciatura do Primeiro-Ministro, tinha reunido “discretamente com os seus colaboradores mais próximos para preparar eventuais ondas de choque do caso Universidade Independente”. Leiam aqui.
Horas depois, vários órgãos de comunicação social citavam uma notícia da Lusa, onde se negava que tal reunião se tivesse realizado, segundo “fonte da Presidência da República”, que desmentiu «categoricamente o teor da notícia de hoje publicada pelo Diário de Noticias». Leiam aqui.
Ou seja, duas fontes do mesmo fontanário deram informações díspares. Isto é, a mensagem de Cavaco passou, sem que ele tivesse tido necessidade de abrir a boca. O destinatário recebeu e entendeu o alcance da coisa. E daí a entrevista do Primeiro-Ministro à RTP.
Isto é política pura, meus amigos. E não vi nenhum jornalista a denunciar a “fonte” que os levou a fazer este papelão.

quinta-feira, abril 12, 2007

Coelhos da cartola

Hoje, todos dizem que Sócrates “passou no exame”, mas há indícios de que a coisa não ficará por aqui. Primeiro: se Marques Mendes vem, agora, reclamar uma inspecção ao dossier académico de Sócrates por uma entidade independente do Governo, isso poderá querer dizer que o PSD sabe de mais pormenores que ainda não foram revelados. Segundo: Francisco Louçã usou a expressão “satisfeito por agora”, quando se referiu às explicações dadas pelo Primeiro-Ministro na entrevista à RTP.
A minha suspeita é que se o Ministro Mariano Gago confirmar a sua decisão “provisória” de fecho da Universidade Independente, alguns coelhos vão começar a sair da cartola.
Quem viver verá.

quarta-feira, abril 11, 2007

Imaginem lá

Não é difícil de imaginar que a RTP vai vencer nas audiências desta noite. Sócrates vai tentar convencer o povo que não aldrabou nem beneficiou de qualquer favorecimento relativamente à sua licenciatura em Engenharia Civil, obtida na Universidade Independente, em 1996.
Eventualmente, o primeiro-ministro irá safar-se desta trapalhada, mas o preço a pagar será altíssimo. Vou tentar explicar porquê.
Imaginem o Conselho de Ministros. Sócrates na cabeceira de uma longa mesa oval e os seus 16 ministros olham para ele e sorriem. Mas de que sorriem eles? De comiseração, de complacência pedante? Eles, entre os quais estão 8 Doutorados, dois Professores Catedráticos e um Mestre, que respeito terão pelo “quase-engenheiro”?
Imaginem Sócrates a ensaiar um discurso sobre qualificação, rigor ou equidade… quem não irá sorrir, a partir de agora?
Imaginem como deve ter mudado a relação entre Sócrates e Cavaco Silva. O primeiro-ministro fragilizado por esta questão que mancha a sua honorabilidade, face a um PR reconhecidamente austero e suspeito de alguma perfídia política.
Diz-se que o tempo tudo cura, mas a ferida é profunda e vai levar tempo a cicatrizar.

terça-feira, abril 10, 2007

Os legítimos interesses de quem?

O Ministro falou ontem e mostrou-se zangado com os gestores da Universidade Independente, e com razão. Por isso, decretou o fecho compulsivo da universidade. E disse que iria salvaguardar os legítimos interesses dos alunos. Mas não disse como… e é aí que a porca torce o rabo. Ainda hoje fui à Universidade Lusíada para me informar sobre a possibilidade de me transferir para lá. A Lusíada abriu uma época especial de transferência apenas para alunos provenientes da UnI. Ouvi dizer que até há professores da UnI que recebem por cabeça de aluno que consigam levar para a Lusíada… mas é claro que não devemos acreditar em tudo o que se ouve. Mas lá que encontrei professores da UnI por ali, lá isso encontrei.
Mas, quanto aos legítimos interesses dos alunos… os finalistas, por exemplo, quase todos com 23 ou 24 cadeiras feitas, faltando apenas defender a dissertação ou pouco mais, se forem para a Lusíada terão de fazer, pelo menos, 10 cadeiras… ou seja, fazer um 5ºano de licenciatura. E não tem pós-laboral. Se for assim nas outras universidades, gostava de saber o que o Ministro quis dizer com “salvaguardar os legítimos interesses dos alunos”.

Lapsos a mais



Acabo de ouvir, na SIC, que José Sócrates, em 1993 (três anos antes de ter concluído a famigerada licenciatura na Independente), quando foi eleito deputado pela primeira vez, já se fazia apresentar como “engenheiro” e “licenciado em engenharia civil”. É o que consta, segundo a notícia, no who’s who dos eleitos dessa época. Mais uma vez, o engano até pode não ter sido da lavra do actual primeiro-ministro, mas diga ele o que disser, amanhã, à Judite de Sousa na RTP, já poucos irão acreditar nele. Eu, que desde o início lhe dei o benefício da dúvida, já começo a torcer o nariz…

domingo, abril 08, 2007

Engenharias políticas

Sempre duvidei das coincidências. É uma mania minha, se calhar, mas acho que atrás de uma coincidência há, quase sempre, uma mãozinha invisível providencial. Daí que estranho a coincidência do chumbo da OPA do Belmiro sobre a PT e o início da cruzada do Público sobre Sócrates.
Desde 2005 que o blogue Do Portugal Profundo anda a publicar textos sobre as alegadas irregularidades da licenciatura de Sócrates e só agora, depois do chumbo da OPA, a coisa chegou aos jornais de referência.
A política tem destas coisas e é por isso que eles (os políticos) andam sempre sobre brasas. Nunca sabem com o que podem contar. Este governo, por exemplo, que parecia sólido que nem rocha há um mês atrás, agora abana que nem varas verdes por causa desta história da licenciatura do primeiro-ministro.
Dir-me-ão que não, que já estou a imaginar mais uma teoria da conspiração. Direi que quando o patrão manda, o director obedece e acciona a cadeia de transmissão onde, no final, há sempre um redactor que faz o trabalho. Depois, há o fenómeno da imitação, tão comum no jornalismo português. Se o "vizinho" aborda um assunto, os outros imitam-no, principalmente se for um dos ditos jornais de referência. Até as televisões copiam os jornais. Sei do que estou a falar, como podem imaginar.
É por isso que considero a crónica de Pacheco Pereira, ontem, no Público, um disparate de fio a pavio. Mas muito bem escrita.

sábado, abril 07, 2007

O bom aluno

Se alguém julga que mudei de opinião sobre a licenciatura de Sócrates, desenganem-se. Não é pelo que se lê no Público ou no Expresso que devemos tirar ilações. As ditas investigações jornalísticas ainda não deram em nada, excepto na revelação evidente da desorganização interna da Universidade Independente. Quem conhece a UnI sabe que, até agora, aquilo era mais ou menos governado como se fosse uma empresa familiar. O que, de facto, até era. Espero que deixe de ser, se lhe for dada a hipótese de sobreviver a estes tumultos. Por isso não fico espantado com certificados assinados a um domingo pelo Reitor e pela filha, ou por haver falta de assinaturas em documentos e outras imperfeições do género.
Quem conhece a realidade do ensino superior privado, sabe que notas altas (do tipo que Sócrates obteve) não são, de todo, estranhas ao sistema. Muitos alunos que chegam às privadas são pessoas mal preparadas, provenientes de um sistema escolar deficiente e permissivo. E há os que vêm dos Palops, com certificados escolares mais do que duvidosos, manifestamente impreparados para um nível de ensino superior. De modo que, quanto mais não seja por comparação, os alunos razoáveis acabam por se verem transformados em alunos muito bons. Foi o que aconteceu, provavelmente, com José Sócrates. Mas ele não tem culpa disso.
As universidades privadas são fábricas de canudos? Pois são, e então? O que queriam que fossem? Elas existem como negócio. Servem para dar dinheiro aos accionistas. Não têm outra função maior.

sexta-feira, abril 06, 2007

Enquadramento sociológico


“Quem não tem experiência deste trabalho nos gabinetes do Governo, não sabe que vivemos rodeados de inimigos…”, disse-me ele.
Mas a verdade é outra. Com os inimigos já nós contamos. Não contamos é com os que julgamos amigos.

quarta-feira, abril 04, 2007

As razões de Estado


Não sei quem é Pedro Araújo, jornalista do Jornal de Notícias, mas foi dos poucos que fez bom jornalismo neste caso. Pelo menos ouviu as partes envolvidas nesta questão.
Muitos amigos e conhecidos já me telefonaram para perguntar porque “não ponho a boca no trombone” sobre o que sucedeu na passada 3ªfeira. Não ponho, realmente, porque não tenho motivos para isso, apesar de sentir que sofri uma penalização exagerada para a falta cometida.
Percebo muito bem as motivações do ministro que me exonerou (ora aqui está um belo termo para despedimento!) mas lamento a frieza, a desumanidade e a incompreensão reveladas por ele e por muitos dos jornalistas que trataram este caso.
Cometi o erro de ter sido sensível ao pedido de ajuda de um professor. De uma pessoa por quem tinha estima e que, afinal, se revelou um homenzinho fraco. Cometi o erro de ter tentado ajudar a amenizar as convulsões que se abateram sobre a Universidade Independente, com a agravante de não ter conseguido manter a frieza perante um problema que me afectava pessoalmente. Passei os últimos 4 anos a caminhar para a UNI, raramente faltei a uma aula, tenho notas razoáveis e sempre trabalhei em simultâneo, claro. Quando estava na TSF (e no 1ºano da Faculdade), levantava-me às três e meia da manhã, entrava na TSF uma hora depois, deitava-me ao meio-dia, dormia até às cinco, tinha aulas das seis às 11 da noite, voltava para casa para dormir mais um bocadinho até às 3 e meia. Por isso, ao fim de 4 anos, em que só me falta defender a dissertação, vejo a UNI a ir para o fundo e não consigo ficar frio perante isso. As razões de Estado que me desculpem.

domingo, abril 01, 2007

O meu filho olha para mim e vê-me assim...


Será que estou a criar um Picasso?

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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