Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, janeiro 29, 2007

Como se sabe, amor com amor se paga

Nino anda a pagar as dívidas que contraiu durante a crise de 1998/99. Depois de ter auxiliado o Senegal na guerra contra os rebeldes de Casamança, agora está a auxiliar a Guiné-Conakri na repressão das manifestações populares. Está confirmada a presença de tropas da Guiné-Bissau em Conakri, concretamente em Buruntuma, uma cidade do norte do país.
Recordo que tanto Abdoulaye Wade, o presidente senegalês, como Lansana Conte, o presidente da Guiné-Conakri, prestaram auxílio com tropas durante os meses em que Nino Vieira defrontou a rebelião de Ansumane Mané. Embora tenham sido derrotados e Nino tenha sido obrigado a fugir para o exílio em Portugal, a dívida ficou e, agora que Nino voltou ao poder (legitimado por eleições), chegou a hora de pagá-la.
A Nino não interessa saber quais as circunstâncias em que surgiu a instabilidade na Guiné-Conakri, nem sequer se o velho ditador Conte tem alguma legitimidade para se agarrar ao poder desde 1984. Interessa-lhe sim que os regimes vizinhos sobrevivam porque isso lhe garante, em princípio, apoio institucional para si próprio.

Bissau, 2004

As tropas que Nino enviou (e que se têm evidenciado pela crueldade com que actuam) são a nova elite do exército guineense, os conhecidos “aguentas”, um corpo criado precisamente em 1998 para a guerra contra Ansumane Mané. Na altura, lembro-me bem, os “aguentas” não passavam de um bando de miúdos arrebanhados nas ilhas dos Bijagós, sujeitos a uma apressada recruta militar e que constituíam uma espécie de guarda pretoriana de Nino. Morreram que nem tordos, principalmente na ofensiva final de Ansumane contra Bissau. Os sobreviventes foram presos e, pouco depois, devolvidos às famílias. Ansumane chamou-lhes, na cerimónia de libertação, “os nossos meninos”, referindo-se ao seu desejo de que todos os jovens do país pudessem ter uma vida sã e longa. Coisa que ele não teve, como se sabe.

2 comentários:

-pirata-vermelho- disse...

Belo artigo, cn!

inominável disse...

"meus meninos"? mandaria ele os seus meninos para morrer assim? quanto valem e para que servem os seus meninos???

a não ser que o "meus" perca aqui todo o seu sentido afectivo e se revista do possessivo que gramaticalmente é: os meus meninos, os meus soldados, a minha defesa, a minha carne para canhão, as minhas muralhas, eu castelo a defender...

hipócrita este indivíduo...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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