Um plano mantido em segredo, até agora. Nem uma palavra transpirou para a imprensa. O que se sabe é que as potências envolvidas na discussão – Rússia, EUA e vários países da Europa ocidental – estão divididas. A Rússia sempre foi aliada da Sérvia e, portanto, defende o ponto de vista sérvio que é o de manter a província do Kosovo integrada no país. Os EUA deverão apostar na independência do Kosovo. Os americanos já lá têm Camp Bondsteel, uma enorme base militar e, se a construíram, é porque querem manter o território sob seu domínio, até porque o Kosovo pode tornar-se num santuário fundamentalista muçulmano e isso eles não quererão deixar que aconteça. A base militar americana é, por outro lado, mais uma razão para a Rússia tomar posição contra os EUA. Os europeus (Inglaterra, França, Itália, Alemanha), como de costume, andarão divididos e cada qual a jogar pelo seu lado.
A decisão final caberá ao Conselho de Segurança da ONU. Será lá, em Nova Iorque, que a verdadeira negociação irá ter lugar. Mas a Rússia ou a China poderão sempre vetar.

Estou curioso para ver como irão as potências lidar com conceitos simples como, por exemplo, o direito dos kosovars à autodeterminação, o direito a decidirem o seu próprio futuro.
Também quero ver como irão ser acautelados os direitos das minorias que subsistem no Kosovo, nomeadamente a minoria sérvia que, ainda hoje, continua a viver enjaulada nos chamados “enclaves”, protegidos por tropas estrangeiras, sob pena de serem massacrados pelos mais fanáticos dos kosovars.
Sempre que penso neste assunto, lembro-me de Mitrovica, uma cidade dividida por um rio onde, de um lado vivem os albaneses e do outro os sérvios. Também lá estavam os ciganos, mas desses não restou vivalma nem pedra sobre pedra.
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