Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, janeiro 12, 2007

Guantanamo


Os Estados Unidos ocupam a base de Guantanamo desde 1898, quando venceram uma guerra contra a Espanha. Cuba era, na época, uma colónia espanhola. O resultado dessa vitória militar foi a nomeação de um cidadão americano como primeiro presidente de Cuba, um tipo chamado Tomás Estrada Palma que se apressou a celebrar o acordo que deu a posse de Guantanamo aos EUA para que ali edificassem uma base naval permanente.
Ao longo dos anos, a existência da base foi questionada diversas vezes por vários governos cubanos, mas os EUA nunca a quiseram abandonar e os acordos foram sendo renovados, com maior ou menor dificuldade. Até que Fidel Castro chegou ao poder, em 1959.
O regime comunista nunca quis a base ali. Considera Guantanamo território ocupado ilegalmente. Os cubanos dizem que a permanência dos americanos viola o direito internacional, nomeadamente a Convenção de Genebra de 1969. Mas os americanos não saem dali. É verdade que, agora, a base serve de prisão para os suspeitos de terrorismo. Nos últimos anos, centenas de pessoas foram para ali enviadas e ali permanecem sem culpa formada nem julgamento. Mas, de facto, a base não tem qualquer importância militar aparente. A permanência dos EUA no local é, julgo, apenas uma demonstração de força e uma questão de teimosia política.
O que diríamos nós, em Portugal, se quiséssemos de volta a Base das Lajes e os americanos se recusassem a devolvê-la?

4 comentários:

inominável disse...

É claro que eles querem a base... são tarados por baseball... se não quiserem devolver, não ligamos cavaco no início, mas depois ressuscitamos a grande arma secreta: a retórica socrática... "A base está nos Açores; os Açores são portugueses; logo..."

Matvey disse...

Ou o que diriamos nós se em vez de Guantanamo os americanos usassem as Lages para detenção de suspeitos de terrorismo?

Matvey disse...

Onde se lê Lages, leia-se Lajes, bem entendido.

Paulo J. Ribeiro disse...

Pois eu escrevo-vos das Lajes. Não do interior da Base, onde vivi durante 20 anos, mas do lado de cá da rede e da pista.
Garanto-vos, eles não se vão embora. E, embora pese tudo o que se passa em Guantanamo, no Iraque e com a Ana Gomes, nós também não queremos que saem daqui...
Se isso algum dia se vier a equacionar, lá terá o governo português que nos arranjar alternativas...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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