Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, janeiro 20, 2007

Os amigos são para as ocasiões

O Frederico Duarte Carvalho é um tipo simpático e gosto de o considerar um amigo. Conhecemo-nos na famigerada Impala, quando aceitei ir para lá trabalhar para dirigir um novo projecto. No final, não havia nenhum novo projecto (os gajos ali são doidos) e, em menos de três meses, estava desempregado. A história da minha passagem pela Impala ainda está por contar, mas fá-lo-ei quando estiver sarado do nojo que nutro por aqueles bandalhos. Adiante.
O Frederico fez parte da redacção que formei para esse “novo projecto”. Quando aquilo abortou, também ele acabou por ficar desempregado. Assim ficou durante quase dois anos. Por ironia, agora está de novo na Impala. Os tipos já não conseguem convencer ninguém a ir para lá. Quando precisam de algum bom jornalista, têm de andar à procura entre os desempregados. Foi assim que o Fred aceitou o regresso. Por absoluta falta de alternativa.
Bom, mas esta conversa destina-se a chamar-vos a atenção para o blog do Fred… onde, num post recente, ele escreve que espera que seja o Salazar a vencer aquele concurso da RTP-1 sobre as grandes figuras de Portugal. Não só o desanquei na caixa de comentários, como o vou fazer, de novo, aqui. Como não acho que esteja a ser irónico, é preciso envergonhá-lo!
“Oliveirinha” Salazar a grande figura da História de Portugal? Nem pó, meus amigos! Logo ele, a quem devemos todos os males de que padecemos, todas a fraquezas do país. Ele que impediu a modernização do país, que protegia os industriais nacionais impedindo a concorrência das industrias estrangeiras. Depois, quando Portugal teve de enfrentar a globalização, foi o que se viu no Vale do Ave, na Marinha Grande, em Setúbal, por todo o lado.

Para Salazar, desenvolvimento económico era aferrolhar dinheiro e barras de ouro, era guardar notas em baús bafientos. Nunca foi investir, nunca. E, caro Frederico, o que dizer dos milhares de mortos e feridos, estropiados, das guerras coloniais? O que dizer do Tarrafal, de Peniche, do Aljube? Reprimiu a liberdade, suprimiu os direitos cívicos e políticos do povo, recusou-se a descolonizar no tempo certo, teimou na estupidez do “orgulhosamente sós”, erros que custaram a vida de milhares de pessoas, tanto aqui como nas chamadas províncias ultramarinas.
Frederico, o Salazar não prestou. Felizmente, não deixou descendência.

6 comentários:

Ralf Wokan disse...

Prezado Carlos,

imagina, tem um país:
- sem carvão, sem energia
- sem protestantes, sem judeus
- sem grossistas
- sem ruas
- sem agricultura eficiente
- sem industrias
- com dividas
- com inimigos (nobreza, vaticano, banqueiros )
- com crises economicos em tudo o mundo
- com guerra em tudo o mundo
- com 78 (??) países vizinhos
- com 40 (??) povos dentro de Portugal para proteger

Salazar foi um grande idiota...
O.K., Carlos.
Mas por favor diga-me o que o Carlos teria feito diferente ?

Eu ?
Eu não sei.
Em tudo, como eu estou a ver, o Salazar finalmente teve razão...tinha obviamente sempre razão !
Foi como o Hercules.
Foi um "bom dentista"

Abraço
Ralf

isabel victor disse...

Pois ... concordo, CN ! Sempre se percebeu que concursos idiotas levam a resultados idiotas ... mas que era uma grande chicotada psicológia ver/ouvir a Maria Eliza a anunciar O.Salazar, isso era ! Não voto em tal figura porque nem tenho coragem ! Mas que abalava, abalava ! Fazia pensar sobre a forma como temos tratado a nossa memória e o seu legado.

Já agora, que mal fez o grande monarca D. joão II a Deus,nas alturas, para ser defendido por Paulo Portas ?

Enfim ... viva Camões !

Basílio disse...

Não estou a defender o Frederico, ou os homens da fotografia, absolutamente ninguém. Só gosto de fazer perguntas.

Prezado CN, não ponho em dúvida o que disse sobre Salazar, mas acha mesmo que os governantes que tivémos desde o 25 de Abril foram melhores que ele? Hoje estaremos mesmo melhor? Somos melhor representados?

Também não defendo nenhum colonialismo, mas será que os nossos irmãos africanos (que deixaram de ser portugueses por decreto) vivem hoje melhor? A "descolonização", feita daquela forma, foi mesmo a melhor solução? Neste excelente blogue tem relatado várias monstruosidades passadas em África, nos dias de hoje.

Já agora, eu tenho muitos amigos com opiniões diferentes da minha. Não os envergonho por isso!

CN disse...

Basílio, eu sou amigo do Frederico. Ninguém envergonha ninguém. Até porque já percebi que me equivoquei. A foto não é de Salazar. Deve ser o Marcelo Rebelo de Sousa, muito jovenzito. O pai do Marcelo foi ministro do Salazar, apenas. Mas, seja como for, o que está dito, está dito, e não retiro uma vírgula ao que disse sobre o Salazar.
Isabel Victor, se o Salazar ganhasse esse concurso, eu ficaria destroçado, mesmo se aquilo não passa de um concurso televisivo, que vale o que vale, que pode ser manipulado sem grande esforço. Mas, como tu dizes, viva Camões!

para mim disse...

Ó Carlos, desculpa ter-te induzido em engano, mas lá que teve piada, teve... E esta hein?!...

Ida disse...

As pessoas que (como quase todos) andam insatisfeitas pelo presente e passado recente e fazem a fatídica pergunta (que se resume a "Acha que melhorou depois?") assumem uma postura maniqueísta que não leva rigorosamente a lugar nenhum.

No que tange aos grupos humanos, não há a varinha mágica que transforme tudo que era escuridão em luz, e assim por diante. Grupos humanos e seus governos precisam de tempo e de muitas outras condições, além do fator tempo, para construírem (ou destruírem) o que quer que seja, bom ou ruim.

E grupos humanos funcionam melhor quando em liberdade. E grupos humanos, se trabalham em liberdade, podem originar feitos que não são aprovados ou avaliados positivamente por todos, mas para isso há eleições.

Fico com um provérbio oriental e uma frase atribuída a Churchill. A primeira diz que quem trocou a liberdade por segurança, perdeu as duas. E o premier britânico disse algum dia: "Ninguém pretende que a democracia seja perfeita ou sem defeito. Tem-se dito que a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais formas que têm sido experimentadas de tempos em tempos".

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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