Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, março 21, 2007

Prateleiras

Em todas as redacções por onde já passei, existiam as chamadas “prateleiras”, um local onde o trabalhador era colocado, às vezes isolado dos demais, sem trabalho atribuído, às vezes sem telefone ou sequer cadeira para se sentar. Era para lá que mandavam os tipos caídos em desgraça, por algum motivo. Também passei por algumas “prateleiras”, como é bom de ver. Muitos dos meus amigos também.
Aqui há tempos, o Mário Crespo foi contactado pelo Diário de Notícias, para uma reportagem sobre as ditas “prateleiras”. O Mário viveu alguns anos, na RTP, nessa situação de ostracismo. Foi ainda no tempo em que o José Eduardo Moniz mandava e desmandava na RTP. A situação do Mário acabou por ser resolvida com a sua transferência para a SIC e com uma tardia decisão em tribunal que lhe deu razão. Por ser um caso paradigmático de um trabalhador com experiência em “emprateleiramentos”, o repórter do Diário de Notícias tinha, então, escolhido o Mário para entrevistar. O trabalho foi feito a preceito, com uma boa produção fotográfica e tudo. Mas a reportagem nunca mais sai. Será que foi “emprateleirada”? Será que a influência de Moniz (um velho amigo de Oliveira, o novo patrão do Diário de Notícias) tem alguma coisa a ver com isto? O que será que se passou?

13 comentários:

Ricardo disse...

Viva,

Tenho uma especial admiração por Mário Crespo. A forma como tem conduzido o noticiário principal da SIC-Notícias ao longo destes anos é exemplar, de uma humanidade irrepreensível e com uma acutilância pertinente. Aí está um bom exemplo de como muitas "prateleiras" estão cheias de "peças" de enorme qualidade.

Abraço,

miruii disse...

O mesmo de sempre. É que os bons, incomodam em qualquer parte.
O que nos deu de bom ABRIL, foi podermos pôr a boca no trombone.
Só e apenas e unicamente isso mesmo. Porque o resto não muda.

Isabela disse...

Acho que fazes muito bem em denunciar a política de influências que medra nas instituições, generalizada e impunemente. Bota a boca no trombone, usa amplificador, mas não te cales.

isabel victor disse...

Adoro o Mário Crespo !

Se pressentir que ele venha a estar " emprateleirado ", mudo-me para esse canal.

Concordo com " ricardo ", aqui ao lado. O Mário crespo é tudo o que ele diz e ainda muito mais ... qd lhe perguntaram o que destacava em 2006, ele disse ( não o ouvi dizer, mas ...imagino o sorriso ), : - as mulheres e justificou-o magnificamente ! Só mesmo o Mário Crespo ...

se prateleira for, algum dia, que seja perto de nós ... dispensa o dourado, que só ofusca. O jornalista Mário Crespo não precisa desse artifício luminoso ... tem brilho próprio !

Luis Eme disse...

Se calhar arrependeram-se...

É que no "DN" também há prateleiras, reforçadas pelas certa, com a chegada da nova direcção.

É sempre assim. Às vezes temos o azar de apanhar com o tipo que mandámos à merda, noutro jornal e noutro contexto,chegar a director. E se ele for daqueles que não esquece (são quase sempre...), estamos fodidos!

Nota: peço desculpa do vocabulário, mas as palavras exactas são essas...

O Micróbio II disse...

4 anitos... lá pelo Micróbio! :-)

LFM disse...

Acho que esse episódio em nada abona a actual imagem do Mário Crespo.
Maquiavelicamente opinando, ele será neste momento um dos principais interessados em que tal reportagem não seja divulgada.
Claro que posso estar errado (até deve ser certo)

CN disse...

Não entendi, LFM... explique lá isso melhor.

LFM disse...

Vou tentar...
A questão que está no ar é: "porque motivo a reportagem não sai?"
Logo, alguém não quer que saia!
O Mário Crespo tem neste momento um elevado estatuto perante a opinião pública.
O facto de já ter estado na prateleira, em nada abona a seu favor.
É a tua opinião e a de muitos (e até a minha) de que ele sempre foi um bom profissional, mas também há quem vá para a prateleira porque não o é!
Se essa reportagem aparecer, muitos dos que o consideram bom, poderão ficar a pensar se de facto o é (ou foi).

Nada do que digo é fundamentado senão no tradicional espírito mesquinho do português.

Não coloco em causa o que afirmas e eu subscrevo, mas todos sabemos que uma coisa é a verdade e outra é a interpretação feita pela opinião pública.

E para finalizar, até nem aprecio muito a forma 'afectada' e convencida como ele fala. Julgo que nem sempre foi assim.

Helder de Sousa disse...

Estimado Carlos,
do que me lembro do desaguisado do Mário Crespo com a RTP nasceu na sequência de ele ter sido retirado de correspondente em Nova Iorque, se não estou em erro. Desconheço se houve outros motivos. Nunca me ralei muito com o assunto porque, também eu, de uma ou outra forma, fui "emprateleirado" algumas vezes ao longo dos meus 30 anos de RTP.
Só que, se bem me lembro, o "emprateleiramento" do Mário foi bastante badalado, ao contrário, por exemplo, do do Raúl Durão, do Saúl Freire e de outros.
hs

CN disse...

Amigo Hélder, o confronto do Mário com o Moniz começou ainda em Washington, quando o Mário "tropeçou" nuns alegados negócios do Moniz... isto, se a minha memória não me falha. Depois, foi uma bola de neve montanha abaixo...
Claro que o emprateleiramento do Mário foi muito mais ruidoso que muitos outros. O Mário foi para tribunal, combateu a injustiça, denunciou a coisa, bateu-se como podia. Outros não, mantiveram-se calados à espera que o tempo passasse, naquela que o tempo tudo cura...

LFM disse...

Depois de ter andado a ler mais um pouco e de continuar a visitar este blogue, começo a estar mais bem informado.
Obrigado.

pr_republica disse...

Caríssimo,

Sabia que este seu artigo é transcrito (com a respectiva indicação de fonte, o que é correctíssimo) pelo www(ponto)forumnacional(ponto)net?


Como sei que não partilha nenhuma das opiniões destes, não sei se se sente confortável com esta associção.

Apenas um alerta...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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