Hakuna mkate kwa freaks.
sexta-feira, outubro 21, 2011
A REVOLTA DOS MAIS VELHOS
terça-feira, setembro 21, 2010
sexta-feira, junho 05, 2009
Acerto de contas, em Bissau
Lamento que o processo político guineense continue a evoluir desta forma. Poder-se-á pensar que os “maus” se estão a eliminar uns aos outros e que acabarão por morrer todos. Talvez morram quase todos, mas haverá sempre um último a sobreviver. Normalmente é o pior de todos.
sábado, maio 30, 2009
Luís Cabral

Luís Cabral também não era flor de cheiro… e leva na consciência a responsabilidade pela morte de centenas de compatriotas condenados pelo crime de se terem alistado no exército português durante o período colonial.
Mas, enfim… talvez tenha sido o que menos oportunidades teve para fazer mal à Guiné-Bissau.
Bom seria que os guineenses tivessem aprendido com a sua própria experiência histórica. Mas não me parece.
segunda-feira, março 02, 2009
Na morte de Nino e de Tagma

sábado, maio 26, 2007
O futuro
Convidaram-me para moderar o debate. Aceitei porque gosto do tema, porque quero aprender mais sobre a matéria e porque aos amigos não se diz que não.Foi um debate bastante participado. Das várias orações de sapiência, renovei a convicção que já tinha de que a salvação da Humanidade está na mestiçagem dos povos. Na mestiçagem cultural, racial, o que quiserem. Acredito que os mestiços têm mais condições para se distanciarem de dogmas e preconceitos e, portanto, tornarem-se melhores seres humanos. Acredito muito nisso.
terça-feira, março 27, 2007
Cidadania
Corre na NET um abaixo-assinado pela Paz e Democracia na Guiné-Bissau. Claro que não serão as assinaturas, mesmo que sejam muitas, a resolver a situação do país, mas sempre é uma posição que se toma, perante a arrogância dos poderosos. Para quem quiser saber dos termos do abaixo-assinado, é só clicar AQUI.
sábado, março 10, 2007
Na Afriki, os deuses devem estar loucos

Aqui há tempos, tive conhecimento de um relatório policial que confirma quase tudo o que Didinho vem agora dizer no seu blog, no texto "O Cartel de Bissau": a Guiné-Bissau transformou-se num narco-Estado.
Dizia esse relatório que a Guiné-Bissau e Cabo Verde funcionam como “armazéns” dos traficantes de droga sul-americanos. A polícia já definiu “dois corredores lusófonos” para o tráfico de droga internacional. Os dois “corredores” partem do Brasil e passam pela Guiné-Bissau e Cabo Verde, sendo que um, depois, vira para Sul, levando a droga para a África do Sul, via Angola e o segundo “corredor” vira a Norte, de modo a que a droga chegue à Europa via Portugal. Chamam-lhes “corredores lusófonos” porque os traficantes criaram estruturas nos países lusófonos, aproveitando uma certa solidariedade existente entre os elementos que recrutam nos diversos países e a facilidade de entendimento existente pela partilha da mesma língua.
Nesse mesmo relatório dizia-se que a polícia portuguesa já tinha agentes em Bissau, para investigar a traficância. Para já, não parecem estar a ter muito sucesso essas investigações, mas a acreditar no que diz agora Didinho no seu blog, será difícil alguém de fora ter sucesso nesse combate, se é verdade que o Estado guineense está tomado pelos traficantes.
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Como se sabe, amor com amor se paga
Recordo que tanto Abdoulaye Wade, o presidente senegalês, como Lansana Conte, o presidente da Guiné-Conakri, prestaram auxílio com tropas durante os meses em que Nino Vieira defrontou a rebelião de Ansumane Mané. Embora tenham sido derrotados e Nino tenha sido obrigado a fugir para o exílio em Portugal, a dívida ficou e, agora que Nino voltou ao poder (legitimado por eleições), chegou a hora de pagá-la.
A Nino não interessa saber quais as circunstâncias em que surgiu a instabilidade na Guiné-Conakri, nem sequer se o velho ditador Conte tem alguma legitimidade para se agarrar ao poder desde 1984. Interessa-lhe sim que os regimes vizinhos sobrevivam porque isso lhe garante, em princípio, apoio institucional para si próprio.
Bissau, 2004
As tropas que Nino enviou (e que se têm evidenciado pela crueldade com que actuam) são a nova elite do exército guineense, os conhecidos “aguentas”, um corpo criado precisamente em 1998 para a guerra contra Ansumane Mané. Na altura, lembro-me bem, os “aguentas” não passavam de um bando de miúdos arrebanhados nas ilhas dos Bijagós, sujeitos a uma apressada recruta militar e que constituíam uma espécie de guarda pretoriana de Nino. Morreram que nem tordos, principalmente na ofensiva final de Ansumane contra Bissau. Os sobreviventes foram presos e, pouco depois, devolvidos às famílias. Ansumane chamou-lhes, na cerimónia de libertação, “os nossos meninos”, referindo-se ao seu desejo de que todos os jovens do país pudessem ter uma vida sã e longa. Coisa que ele não teve, como se sabe.domingo, janeiro 07, 2007
Bissau, acerto de contas
Para onde vai Nino Vieira? Para que quis ele voltar à Guiné-Bissau e à presidência do país? Será só para se vingar dos que o depuseram em 1999? Os últimos acontecimentos indiciam isso. Lamine Sanhá, ex-Chefe do Estado Maior da Armada foi assassinado a tiro. Morreu ontem, depois de agonizar vários dias no depauperado Hospital Simão Mendes, em Bissau. Lamine Sanhá foi um dos apoiantes da rebelião de Ansumane Mané. Outro próximo do falecido chefe da saudosa Junta Militar foi espancado no passado dia 21. Silvestre Alves, dirigente de um pequeno partido sem representação parlamentar, foi atacado de noite, numa rua de Bissau, por quatro homens que se faziam transportar num carro igualzinho ao do Conselheiro presidencial para a Informação, Baciro Dabó, um fiel homem-de-mão de Nino Vieira. Baciro nega ter tido qualquer envolvimento no assunto e como o carro tinha a matrícula tapada, não se pode provar que está a mentir. Baciro e Nino parecem ter sete vidas e quererem gastá-las a matar adversários políticos. Mas quantas ainda lhes restarão?
Em 1999, quando Nino se refugiou na Embaixada de Portugal, para evitar ser apanhado pelos revoltosos, Baciro teve menos sorte. Relembrem a foto e este post…

Bissau, Maio de 1999
Tenho vários episódios passados com o bom do Baciro. Um dos mais interessantes passou-se na tomada de posse do governo de transição chefiado por Francisco Fadul, ainda em 1999. A cerimónia serviu de pretexto para se abrir a cidade, pela primeira vez desde que a guerra tinha começado. Sob protecção das tropas da Ecomog, Ansumane dirigiu-se numa coluna automóvel para a antiga Praça do Império, onde está o Palácio Presidencial. Havia uma multidão nas ruas a aplaudir o herói do povo. Para Ansumane, deve ter sido um momento único na sua vida. Para entrar no palácio estavam dezenas de jornalistas, portugueses, franceses, senegaleses e de muitos outros países africanos. À porta, Baciro Dabó. Era ele quem escolhia os que entravam. Parecia um porteiro de discoteca fatela. Quando percebi que não ia entrar, desatei aos gritos. O som dos protestos chegou dentro do palácio aos ouvidos de José Lello, o Secretário de Estado da Cooperação do Governo português, que integrava a comitiva de Portugal. Foi ele quem desbloqueou a situação. Não ficou ninguém à porta. Baciro e eu nunca nos demos bem.
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Também se pode ser feliz, em Bissau
O padre Daniel, missionário italiano do PIME, radicado há muitos anos na Guiné-Bissau, é um homem que jamais esquecerei. Se lerem estes posts antigos perceberão porquê.
Sempre que voltei a Bissau procurei por ele. É um tipo bom conversador e muito simpático. Alto, bonacheirão, gordinho, sorridente. Tinha sempre coisas novas para dizer. Às vezes meras curiosidades, outras vezes verdadeiras preciosidades da política local, informações muito úteis para quem procura enquadrar-se no ambiente local.
A última vez que lá estive, em 2004, para a cobertura das eleições legislativas para a TSF, logo nos primeiros dias fui a Antula procurar o padre Daniel. Não estava, disse-me um outro padre. Que tinha sido levado de urgência para Roma, muito doente do coração e nem se sabia se iria salvar-se. Fiquei destroçado com esta notícia, dita de tal forma que me convenci de que jamais voltaria a vê-lo…
No jantar do Zé, a Marta Jorge, delegada da RTP, contou-me o novo fascículo desta história. De facto, o padre Daniel tinha ido para Roma, por causa do coração. Mas a doença dele chamava-se paixão e, apesar de às vezes o mal ser mortal, o Daniel queria mesmo era viver e não corria risco de vida. Aconteceu, simplesmente, que o padre Daniel se tinha apaixonado por uma mulher, uma médica cubana, também ela a viver em Bissau há anos. Em Roma, foi mantido num retiro, isolado, durante ano e meio, numa tentativa de cura pela força. Não resultou. Voltou a Bissau, onde a mulher continuava à espera dele. Abandonou o sacerdócio, casaram e lá vivem felizes, em Bissau, o italiano e a cubana. Adorei saber isto. Fiquei tão contente que nem vou levar a mal ao padre que me enganou de modo tão cruel. Perdoo-lhe de boa vontade.
segunda-feira, janeiro 01, 2007
Bissau, cidade perigosa
quinta-feira, novembro 02, 2006
Ensinar a ler
Pareceu-me que a voz do Fernando Alves acusava a emoção ou a esperança que uma coisa destas provoca. Na África mais pobre, a maravilha da tecnologia a ensinar pessoas a ler. E em português. O projecto chama-se TV Escola, se ouvi bem. E veio-me à memória um outro projecto, também ensaiado na Guiné-Bissau, de uma outra Tv escola, também em português.
Mas esta era em directo, aproveitando a facilidade do país ser plano como uma tábua. A cooperação portuguesa levou centenas, milhares de televisores e antenas de recepção, uma pantalha para cada tabanca da Guiné. A ideia era, precisamente, passar a mesma tv escola que existia aqui em Portugal. Se servia para ensinar meninos portugueses das aldeias recônditas do país, serviria também para ensinar meninos guineenses. O projecto faliu. Os painéis de energia solar não funcionavam bem, as baterias que alimentavam os televisores esgotavam-se, a humidade deu cabo de tudo, não havia técnicos para fazer tanta manutenção. As lixeiras da Guiné ficaram cheias daquela tecnologia impreparada para ambientes agrestes.Parece que o governo guineense está cheio de esperança. Mas haverá ali algum ministro que se lembre das experiências passadas, nos idos de 80, e das razões pelas quais não funcionaram? Terão acautelado sobressalentes e técnicos para as reparações que surgirão, fatalmente, quer pela agressividade ambiental quer pela falta de jeito de quem nunca manuseou coisas daquelas?
Ou será por isso que se espera que em quatro meses os alunos aprendam a ler e a escrever? Para não dar tempo às avarias…
domingo, outubro 08, 2006
Bombolón
Na Guiné-Bissau chamam-lhes bombolón. Havia, em Bissau, uma rádio privada que se chamava Rádio Bombolón que desempenhou um papel essencial de apoio às populações durante a guerra civil. A rádio é, de facto, em muitos países africanos, o bombolón dos tempos modernos.
na Guiné-BissauNo Congo, na aldeia de Bambilo, onde vivia o missionário Claudino Gomes, era através do tambor que se chamavam os fiéis para a celebração da missa. Às seis da manhã, na penumbra húmida da floresta, o som propagava-se quase sem interferências e ouvia-se em todos os recantos da aldeia.
O curioso é que o som destes tambores imita bem o som da voz humana. Chamar-lhes tambores também não deve ser o termo mais correcto. De facto, não são bem tambores, mas antes cilindros ocos de madeira, como as caixas de ressonância dos instrumentos de corda. Pelo que pude perceber, os troncos são escavados de modo a que a parede tenha diferentes espessuras e, portanto, a percussão exercida resulte em diferentes sons e tons, mais ou menos cavos, mas espantosamente semelhantes ao falar humano.
Lembro-me do Claudino me traduzir o que dizia o tambor… em dialecto kizande…
… zaamm – bé – bem – gá – ná – dá –kôo… Nzambe benga na ndako… Deus chama-te a casa… se a memória não me falha.
no CongoNaquelas aldeias do nordeste do Congo, os tambores falantes são diariamente utilizados para as comunidades comunicarem entre si as novidades. Quando algum caçador mata um animal grande e há carne fresca para vender, quando algum pescador apanha um peixe-tigre, quando alguém encontra um diamante no rio, quando há visitas nalguma aldeia da região, coisas assim.
quarta-feira, setembro 27, 2006
Flagrante delito
De que riam estes tipos? Hoje, passados 7 anos, já nem sei…Ele tinha razões para rir. Sabia que ia vencer as eleições, as primeiras verdadeiramente livres na Guiné-Bissau. Ele ia concretizar um sonho impossível de realizar, mesmo numa república das bananas… e estava prestes a transformar-se num logro político. Koumba Iala revelou-se politicamente incompetente e fez da guerra civil, que derrubou Nino Vieira, uma oportunidade perdida…
E eu, de que ria? Lembro-me que acreditava naquele tipo. Tinha que acreditar, quando via as multidões convencidas, porque pensava que não era possível tanta gente estar enganada. Eu queria mesmo que Koumba tivesse dado certo. Pelos guineenses… porque não é justo um povo ter de viver assim, como eles vivem.
Foi uma merda de um engano...
quarta-feira, julho 05, 2006
Guiné-Bissau. Mentira, arma de guerra
Nino também acreditava que beneficiava com a operacionalidade da RTP. Isto é, era pela RTP que ele e outros dignitários do regime tentavam passar a sua mensagem, tanto para os guineenses fora do país como para outros governos e a opinião pública internacional.

O momento que esta foto documenta é de uma conferência de imprensa dada em finais de Julho de 98 pelo tenente-coronel Afonso Té, naquele tempo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (umas FA`s que não existiam, na realidade).
O que a foto mais me lembra são as mentiras que Afonso Té disse naquele dia. Convocou a conferência de imprensa para os estúdios da RTP África, para anunciar que as tropas do regime tinham quebrado o cerco de Bissau e que estavam à beira de tomar Brá e o aeroporto. Naquele dia, essa mentira passou. Mas no dia seguinte, quando foi possível verificar a situação real, foi desmentida pelo menos na SIC e no Público.
sábado, julho 01, 2006
Guiné-Bissau. O bicho feio
Na curva do rio, a seguir à ponte, existe um clube de caçadores, com quartos e restaurante. Aquelas instalações começaram por ser dos militares portugueses, durante a guerra colonial. Estava ali uma companhia de caçadores, precisamente. Guardavam a única ponte jamais construída em todo o território guineense, o que fazia da estrutura um provável alvo militar. A ponte, de facto, facilita bastante as ligações rodoviárias do sul com o resto do país. No entanto, acho que o PAIGC nunca atacou a ponte do Saltinho. Ainda hoje lá está.
As instalações militares, depois da independência, passaram a clube civil. Chamaram-lhe clube de caçadores, talvez para manter a designação. Sempre que fui à Guiné, procurei ter tempo para passar no Saltinho. Do lado de cima da queda de água dizem que há crocodilos e hipopótamos. Não sei, nunca vi.
O “bicho” mais horrível que vi, no Saltinho, foi o rabo do Odacir Júnior, numa tarde de paródia.
terça-feira, junho 20, 2006
Nino. Alguma coisa correu mal...
Ou o relato do senhor Augusto Veiga da Cunha, no Correio da Manhã de ontem, não é fiel aos factos?
“…No final dos anos 40, quando estudava em Bissau, na Guiné natal, o seu companheiro de carteira era nada mais nada menos do que João Bernardo Vieira, o mesmo que durante a luta pela autodeterminação da Guiné-Bissau veio a ganhar a alcunha de guerra de ‘Nino’ – e que mais tarde chegaria a chefe de Estado, primeiro pela força das armas e, mais recentemente, em eleições legitimadas pela comunidade internacional. Um miúdo, na altura – mas um miúdo em quem era já possível encontrar o esboço do líder em que mais tarde viria a tornar-se”.

em Bissau, 1998
O relato passa a discurso directo: “Eu era de Nova Lamego, actualmente chamada Gabú, na região de Bafatá. O meu pai, que nascera em Amarante, trabalhava lá como farmacêutico desde os anos 30. E eu gostava de África. Passava parte do meu tempo em Portugal, mas quando estava na Guiné acompanhava sempre os negros. Dava-me muito bem com eles, não havia diferença entre nós. Foram os melhores anos das nossas vidas, como a minha mãe sempre dizia, e quando fui para a escola, ‘Nino’ Vieira ficava ao meu lado. Era um bom aluno, muito respeitador dos professores e dos colegas. Ficávamos nas filas da frente e os professores davam-nos mais atenção a nós do que aos outros rapazes. E ‘Nino’ já revelava uma certa personalidade. Um carácter forte, determinado, sem racismo nenhum. Quando me vim embora, ele, como outros, pediu-me várias vezes que não viesse, que ficasse ali a viver com eles.”
sábado, junho 17, 2006
Homens Grandes (continuação do post anterior)
Os “homem grandi” na Guiné-Bissau são aqueles que, pela idade e conhecimentos adquiridos, têm o respeito da comunidade. Foram esses que, desde o primeiro minuto, fizeram a guerra contra Nino Vieira.
Era quase comovente ver aquela tropa de cinquentões e sexagenários… e ouvi-los falar com a certeza da vitória. Eles, que tinham derrotado o exército português (na guerra colonial), iriam vencer os senegaleses.
sexta-feira, junho 16, 2006
Stringers
No Iraque, por exemplo, a maioria dos jornalistas mortos ou feridos em reportagem têm sido stringers. Quase todos iraquianos, camera-men mais ou menos improvisados, que trabalham para a CNN, a BBC, a NBC, a CBS e todas as grandes networks que tenham dinheiro para lhes pagar.
O problema dos stringers é que são tipos sem deontologia profissional. São capazes de qualquer coisa para trazerem a tal história. Ética? Encolhem os ombros… São estes tipos quem, porventura, mais facilmente se conluiam com agências de informação e organizadores de espectáculos para encenações como esta, para a qual Sofocleto me chamou a atenção há uns dias.
Por outro lado, os stringers locais tem muito mais facilidade em estar em determinados locais e em perceber o que se passa. Em países de línguas mais estranhas, eles falam a língua, conseguem ler jornais e perceber o que se diz na rádio, coisas que os estrangeiros dificilmente conseguem.

Utilizei stringers duas vezes na vida, até hoje. A primeira vez foi na Guiné-Bissau. Rendo, aqui, homenagem a um homem chamado Néné Marcos Lopes, o tipo que filmou muitas das imagens gravadas durante combates ferozes do cerco de Bissau e que eu utilizei nas minhas reportagens. Néné era amigo do capitão Bubo Na Tchuto, um dos comandantes do cerco, que liderava um pelotão entrincheirado na zona do poilão de Brá e que susteve alguns dos ataques mais violentos da tropa senegalesa que tentava quebrar o cerco à cidade. Essa amizade era a condição que lhe permitia estar lá. Por outro lado, Bubo não se preocupava muito se Néné podia levar um tiro e morrer. O mesmo não se passava quanto a nós. Se algum de nós levasse um tiro, ele poderia ter problemas com outros chefes militares e isso ele evitava. Por outro lado, Néné ajudava nos combates, enquanto filmava. Levava recados, transportava munições, era quase um combatente, coisa que nós jamais seríamos.
Compilei quatro cassetes de 30 minutos cada, cheias de imagens de Néné Marcos Lopes. Paguei-lhe 1500 dólares, mais do que ele ganharia a trabalhar durante um ano, mas menos do que ele merecia, concerteza.
Acerca de mim
- CN
- Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

