Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, julho 05, 2006

Guiné-Bissau. Mentira, arma de guerra

Durante a guerra, os estúdios da RTP África em Bissau eram utilizados pelos membros do governo guineense como se fossem propriedade do Estado. Entravam, usavam e abusavam, do telefone, do tempo de antena e das instalações sanitárias. Aquilo era território conquistado. Naqueles tempos, o delegado da RTP fazia malabarismos para manter a delegação em funcionamento. Sem aquelas instalações operacionais, não teria sido possível cobrir a guerra do modo como foi feito, pelo menos nos primeiros meses do conflito. Mais tarde, já foi possível transportar equipamento para Bissau que permitiu, pelo menos à SIC, prescindir da colaboração da RTP.
Nino também acreditava que beneficiava com a operacionalidade da RTP. Isto é, era pela RTP que ele e outros dignitários do regime tentavam passar a sua mensagem, tanto para os guineenses fora do país como para outros governos e a opinião pública internacional.
O momento que esta foto documenta é de uma conferência de imprensa dada em finais de Julho de 98 pelo tenente-coronel Afonso Té, naquele tempo Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (umas FA`s que não existiam, na realidade).
O que a foto mais me lembra são as mentiras que Afonso Té disse naquele dia. Convocou a conferência de imprensa para os estúdios da RTP África, para anunciar que as tropas do regime tinham quebrado o cerco de Bissau e que estavam à beira de tomar Brá e o aeroporto. Naquele dia, essa mentira passou. Mas no dia seguinte, quando foi possível verificar a situação real, foi desmentida pelo menos na SIC e no Público.

6 comentários:

Fernando Casimiro (Didinho) disse...

Caro Carlos Narciso,

Um dos primeiros passos, senão mesmo o primeiro passo para a mudança de mentalidade dos guineenses está no assumir do compromisso com a VERDADE!

A mentira tem sido o discurso dos nossos políticos e governantes ao longo dos tempos e é com ela, a mentira, que se tem conseguido manipular, dividir, ofender e, na pior das situações, matar irmãos guineenses!

Vamos continuar a trabalhar para inverter a tendência!

Fernando Casimiro (Didinho)

CN disse...

Lamento dizer, mas não acredito que isso seja possível, seja na Guiné Bissau ou noutro lado qualquer. Não que os políticos tenham de ser, necessariamente, dissimulados ou mentirosos, mas porque acho que as razões de estado, muitas vezes, obrigam a tomar caminhos menos claros. Não conheço nenhum discurso político que seja completamente claro. Ou não seria político...
Abraços, Didinho. Viva a humanidade!

Barão da Tróia II disse...

A manipulação, a desinformação e a pura mentira, são armas de Estado tão velhas quanto os sistemas políticos. Concordo inteiramente consigo amigo Carlos. Acrescento mais, com o advento, das tecnologias de informação, adensou-se a intoxicação, a manipulação e a mentira, os discursos e até aquilo que é revelado como notícia de fonte fidedigna é muitas vezes truncada. É como o ângulo das câmaras, a realidade pode não ser aquilo que estamos a ver.

Fernando Casimiro (Didinho) disse...

Caro Carlos Narciso,

Um vencedor tem que ser alguém que acredite! Mesmo que isto pareça utópico, quero dar-lhe como exemplo a tese do bem e do mal, versus a verdade e a mentira: Todos os que não querem o mal, evidentemente que devem querer o bem e, isso por si só implica acreditarem, terem convicções em relação ao bem. Para que o bem vença é preciso que haja mais pessoas a pensarem e a fazerem bem e isso tem sido preocupação de muita gente que não dos governos. É com base nisso que as mudanças de mentalidade vão sendo uma realidade aqui e ali pois a cidadania contempla princípios e valores que os cidadãos quando esclarecidos optam por seguir, chegando a criar comunidades, associações para exigir verdades aos governos.

Questões de Estado requerem ponderação, mas julgo que há formas de proteger informações, ou gerir situações sem se optar pela mentira.

Se queremos mudar algo, o primeiro passo é pensarmos positivamente que o podemos mudar, ainda que condicionados pelas adversidades alheias.

Um abraço

"A vida só tem sentido se, para além de nós, outros também puderem viver..." Didinho

dinika disse...

Até entao, podemos dizer que os nossos dirigentes (a maioria tem por diplôma a luta armada e teoria das façanhas de guerra, como bagagem...)sao os malfeitores do pais. Continuam com a mentalidade "takanha"(digo isso, sem a inteçao de ofender, pois que é a verdade),de querer fazer da Guiné Bissau, o eterno "maquis"(mato),e por inimigo tem-nos ...o povo desgraçado.
Cabe-nos a nos de remediar esta situaçao, pois que jà fazem longos anos que praticamos os da tendência dos "runhos" PAIGC (de
apenas um "punhado" deles), que destruiram e continuam a destruir os pais.Sao eles é que sao os"kibinistas, oportunistas barrigas de meia",como dizia jà um deles, na época do "kuru".Chagaram e fizeram-se reis e querem continuar a mamar como reis. Pas question, chers amis !
O Amilcar CABRAL disse" o homem e a sua época". A vossa jà està ultrapassada, hà muito tempo. Vôçês camaradas, so fizeram mal desde que recuperaram a Guiné-Bissau. Trouxeram miséria e desgraça .
Tudo tem um fim, como dizia o nosso saudoso poeta e musico Zé Carlos Schwartz"kada kussa ki su kunssada i ten ku ten si fin, so si deos kamisti ki ka'ta kaba".

dinika disse...

"kada kussa ku si kunssada, i ten ku ten si fin, so si Does kamisti ki kata kaba"Zé Carlos Schwartz.
E é assim! Tudo tem um fim. As màs raizes duram mas morrem e definitivamente.
A mentira também tem o seu fim.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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