Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, julho 26, 2006

Líbano. Um filme em reprise

Espero que tenham visto a reportagem atribulada do José Rodrigues dos Santos, no bairro xiita de Beirute. Pareceu-me admirado, o repórter, por perceber que o Hezbollah controla o bairro como se fosse um estado dentro do estado libanês. Mal o carro parava, apareciam “guardas” do Hezzbollah, como dizia o “orelhas”.
Mas Beirute sempre foi vítima da conjuntura política. Estes bombardeamentos não são, de resto, os primeiros com que Israel castiga a capital libanesa. Em Junho de 1982, no lugar do Hezbollah estava a OLP de Arafat. Era dali que o dirigente palestiniano dirigia a luta armada contra a ocupação israelita da Palestina. O bairro onde a OLP se tinha fortificado era conhecido por “Fatahland” (a terra da Fatah), tal qual o Hezbollah fez agora no bairro Haret Hreik, nos subúrbios de Beirute.
Quando a situação se tornou insustentável, o governo israelita ordenou a invasão do sul do Líbano e o ataque a Beirute. A cidade esteve cercada e foi ferozmente bombardeada. Israel exigia que Arafat e outros dirigentes palestinianos se rendessem incondicionalmente. A zona da “Fatahland” ficou reduzida a cinzas… Foi um acordo político cozinhado entre americanos, europeus e árabes sauditas que permitiu a retirada da OLP de Beirute para o exílio num país africano, a Tunísia.Arafat instalou-se em Tunis. Anos mais tarde, em 1991, durante a I Guerra do Golfo, fui a Tunis e ao bairro suburbano Borj Cedria (onde a OLP estava instalada) para tentar entrevistá-lo. Não consegui. Parece que Arafat não estava lá… Mas deu para ver como a OLP tinha reconstruído ali o reduto fortificado que teve em Beirute. O bairro da OLP tinha uma fronteira física, só possível de atravessar depois de obtida a devida autorização. Em Borj Cedria não entrava ninguém sem que a OLP concordasse, nem mesmo a polícia tunisina. Lembro-me de ter sido revistado minuciosamente, do equipamento de filmagem ter sido testado (porque podia ter uma arma no interior…), de ter sido interrogado mais do que uma vez sobre o assunto que queria ver tratado. No final, em vez de Yasser Arafat, entrevistei um lugar-tenente da OLP, um árabe de olhos azuis que dava pelo estranho nome de Abed Rabbo. Digamos que foi uma missão mal sucedida…

1 comentário:

Barão da Tróia II disse...

O "deja vu" desta vez sem milícias, sem Jumblat, sem Aoun, sem Fatah,sem Arafat, mas com a mesma destruição brutal. A ver vamos.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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