Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sábado, maio 30, 2009

Luís Cabral


Um a um, os velhos dirigentes da Guiné-Bissau estão a morrer. Agora foi a vez de Luís Cabral, o primeiro presidente da Guiné-Bissau depois da independência, deposto em 1980 num golpe de estado liderado por Nino Vieira.
Luís Cabral também não era flor de cheiro… e leva na consciência a responsabilidade pela morte de centenas de compatriotas condenados pelo crime de se terem alistado no exército português durante o período colonial.
Mas, enfim… talvez tenha sido o que menos oportunidades teve para fazer mal à Guiné-Bissau.
Luís, irmão de Amílcar, morreu na cama e do mesmo não se pode gabar a maioria dos que com ele protagonizaram a luta pela independência e os primeiros 35 anos de vida do Estado guineense. Lá na Guiné há-de haver quem o chore à sombra de um grande poilão.
Bom seria que os guineenses tivessem aprendido com a sua própria experiência histórica. Mas não me parece.

9 comentários:

FooChan disse...

Pois fique sabendo que há muitos portugueses como eu que estão em luto hoje. Saiba também que acaba de fazer um comentário que revela uma intolerância vergonhosa.. nitidamente de alguém que nunca teve contacto directo com pessoas que lutam por uma causa em que acreditam. E se já viu alguma guerra sem feridos e mortos.. anda de certeza a viver uma fantasia de vida.
Cresça.

CN disse...

Caro Foo... não entendo onde quer chegar. Sei bem que não há guerras sem mortos, mas as mortes de que falo neste texto foram decretados depois da guerra, num acto de pura vingança e maldade contra os comandos africanos, quase todos povos do norte da Guiné que, por razões históricas e tribais, se opunham aos Balantas, a etnia que maioritariamente formava a guerrilha do PAIGC. Assim se justifica que tenham alinhado na guerra ao lado do exército português. Quando se deu a passagem de poder para o PAIGC, houve um compromisso assumido por Luís Cabral de integrar esses homens e mulheres na nova sociedade guineense. Luís Cabral não só não honrou esse compromisso, como mandou matar ou permitiu que alguém o fizesse, milhares de homens, mulheres e crianças, culpados desse "crime" de terem combatido ao lado dos portugueses.
Cresça você, seu idiota.

Fada do bosque disse...

Parece que o idiota não volta para contra argumentar! Que pena... :)
Boa Carlos, assim é que deviam ser todos os homens!
Nada ou quase sei sobre esse assunto, li um livro sobre os horrores na Guiné durante a guerra e chegou... Mas acredito em si, por isso, morreu na vez dele, e foi bom.
Adorei a foto da árvore que postou!
Pelos vistos o homem não merece essa honra...

Teresa disse...

Meus belissimos CN e fadinha do bosquezinho, a perda foi grande...mas só os que tiveram o privilégio e o prazer de degustar longas horas de conversa com Luis Cabral e que sabem bem do que estou a falar. Foi um marco e uma referência na vida de todos aqueles que o conheceram, e acreditem que morreu um homem com qualidades excepcionais e muito humanas...mas alguém há de sempre carregar as culpas de quem se esconde na sombra...rancor e ódio não faziam parte do vocabulário deste homem...eu é que não hei-de esquecer a expressão de tristeza que carregava no dia em que os seu maior inimigo, Nino vieira, foi morto violentamente. Erros cometemos todos, caro CN e fadinha do bosquezinho, vocês não???? Oxála que todos os dirigentes carregassem um bocadinho do Luis Cabral dentro deles...

CN disse...

Cara Teresa, se o defunto Luís Cabral alguma vez se arrependeu do que fez ou mandou fazer aos comandos africanos, não é do conhecimento público. E mesmo o arrependimento mais profundo não apaga os factos.

Fada do bosque disse...

Pois e a fadinha está com CN.

Teresa disse...

Somos livres de pensarmos o que quisermos...mas como é natural revolta-me ler comentários escrito por pessoas que não o conheceram e que apenas se baseiam em factos não fundamentados. Não se esqueçam que após o golpe de estado, Nino vieira fez questão de mostrar as valas com centenas de mortos aos embaixadores e outras autoridades na Guinée Bissau. Luis Cabral, não estava presente para se defender, mas todos sabiam como é que aqueles cadáveres foram lá parar...nem tudo é o que parece!
Citando Ramalho Eanes "o Luís era uma boa pessoa"...

CN disse...

Cara Teresa, estou sempre disponível para aprender. Faça o favor de me ensinar. Na verdade nunca conheci Luís Cabral, mas conheço bem a Guiné-Bissau (faça uma busca neste blogue em "Guiné-Bissau" e verá o que aparece)e, portanto, quando diz que nem tudo é o que parece, percebo o alcance da frase. Na Guiné-Bissau nada é como parece...

Fada do bosque disse...

Por haver "boas" pessoas assim, é que o Mundo é um "Paraíso"!!
Boa pessoa, é Sua Santidade O Dalai Lama e o resto é conversa!

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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