Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











sexta-feira, maio 29, 2009

ERC/TVI: um pouco mais do mesmo


Nada de surpreendente, nas reacções de alguns dos que trabalham na TVI, relativamente à apreciação da ERC sobre o Jornal nacional de 6ªfeira. Quando estamos integrados numa equipa, é normal um sentimento corporativo de defesa do grupo, mesmo se em consciência não estamos muito certos das razões que invocamos. Sempre foi assim, aconteceu também comigo noutras circunstâncias, e aprendi que acabamos quase sempre por concluir que a empresa ou os chefes não mereciam esse esforço nem o sacrifício de vestir uma camisola incomodativa.
Acredito que, hoje, a redacção da TVI vive sentimentos opostos. Alguns quererão cerrar fileiras à volta de Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz, outros, os mais espertos, estarão a fingir que os apoiam e a dissimular a dissidência, os restantes assumirão a atitude de encolher os ombros e limitar o esforço à realização das tarefas atribuídas, distantes do duelo de interesses de que se consideram estranhos. Comum a todos, apenas a necessidade de preservar o emprego e, por isso, poucos estarão verdadeiramente preocupados com o debate em torno da ética e da deontologia.
Pelas razões contrárias, os da TVI dirão que é muito fácil criticar para quem está de fora. E é a mais pura das verdades. E por isso (porque estou de fora) digo que a liberdade de expressão deve ser um dos pilares do Estado de Direito Democrático em que vivemos. É um direito constitucional, mas não é o único… e por maior que seja o interesse público das notícias relacionadas com eventuais manchas no percurso profissional ou político do actual primeiro-ministro, a Constituição também proclama o direito ao bom nome e reputação, à imagem, à reserva da intimidade da vida privada e familiar…
E se é verdade que um órgão de Comunicação Social não deve ser condenado por reportar a verdade, nem a divulgação dessa verdade deve ser considerada atentatória do direito ao bom nome de quem quer que seja, neste caso falta saber, primeiro, onde está a verdade e, segundo, que a Manuela Moura Guedes deixe de se mascarar de justiceira do povo.
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post scriptum: leio às 00h45, no Público online, que o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considerou que "os jornalistas não podem substituir a acutilância pela agressividade, e devem permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas".

3 comentários:

Fada do bosque disse...

Concordo com tudo o que disse, quem sou eu para discordar...
Mas tenho um comentário, bastante fútil a fazer:
Essa é a pseudo justiceira, ou uma boneca insuflável?! Credo, que foto!
Másinha que sou... mas realmente costumo dizer tudo o que penso... Desta vez foi para a galhofa. :))

(c) maioria silenciosa: P.A.S. disse...

... que bem precisa!

Mas, CN, não é bem verdade que MMG está a prestar um verdadeiro serviço público ao libertar um pouco do vapor desta enorme panela de pressão de quem está esquecido por este poder do ... quem não é por nós, ou não é de nós, é irrelevante ou contra nós!

É que as centenas de milhar de Portugueses sem emprego e sem apoio social, vão-se avolumando e folgam de querer ter um pouco de chapéu de chuva e apoio/atenção social!

Isabela Figueiredo disse...

A Manuela Moura Guedes é uma figura singular, que gera paixões e ódios. Não a conheço. Tu sim. Ouvi dizer que era uma mulher poderosa, autoritária, por vezes injusta. É possível. Não sei. Que ela tem tomates para ser uma boa jornalista, igualmente. E é preciso tomates para se ser uma boa jornalista e para se enfrentar este mundo de lobbies.
Também não gosto de a ouvir opiniar muito. Acho que lhe cabe colocar questões, e tem o direito de as colocar sem paninhos quentes.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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