Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, setembro 29, 2009

Suicídios de trabalhadores


Em 18 meses, 24 suicídios. Dá cerca de 1,33 mortes por mês. Uma boa média, para a France Télécom… a PT francesa.
Os funcionários da France Télécom andam a matar-se, o que é algo que dificilmente alguém poderá aceitar calmamente. Nas cartas de despedida, todos falam que não aguentam mais as condições de trabalho, não aguentam mais o clima laboral, não aguentam mais a pressão da empresa, os objectivos inalcançáveis, a prepotência das chefias. Não aguentam a tal ponto que se matam. O último foi um tipo de 51 anos (a minha idade), pai de duas crianças, transferido para um call center da empresa depois do seu posto de trabalho ter sido extinto.
Em Portugal julgo que ainda não aconteceu nada de semelhante. É verdade que, por exemplo, na PSP e na GNR há, com frequência, vagas suicidas… também provocadas pela pressão exercida sobre as pessoas, pela desilusão, pela vida miserável e pela falta de perspectiva de sair dela.
Estas situações são o lado mais negro da exploração a que os trabalhadores estão tantas vezes sujeitos. Levar um trabalhador à morte é algo de indesculpável.

2 comentários:

Benjamina disse...

Por cá, infelizmente há uma vulgar e generalizada falta de respeito pelos trabalhadores, aliada a uma forte incompetência das chefias e patronato. Embora haja excepções.
Os empresários, administradores e chefias ainda não perceberam que o bom funcionamento das empresas ou organismos públicos depende fortemente da motivação e envolvimento dos trabalhadores.
Se os suicídios não são tantos por cá como em países mais a norte, isso deve ser fruto de um clima melhor. Mais nada.

Fada do bosque disse...

Isto está a ficar, um tudo nada parecido com o Salazarismo, com a agravante de que nesse tempo sabíamos quem era o inimigo... mas agora são tantos, que é difícil saber, de quem nos devemos defender.
Trabalho escravo, precário, enfim...
Só exploração dos mais desprotegidos.
É bom ser patrão, cá pelo neoliberalismo europeu.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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