Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











segunda-feira, junho 15, 2009

Moussavi não é nome de flor


É verdade que o que se passa no Irão cheira a falcatrua eleitoral, mas não basta à oposição dizer que houve batota. Será preciso comprová-lo e julgo que isso está longe de ter acontecido. Durante a campanha eleitoral, se os comícios do principal adversário de Ahmadinejad tinham muita gente, os do presidente candidato também… e, mesmo agora, apesar das manifestações de protesto atraírem muita gente, não julgo que o número seja revelador de que a maioria da população está a favor do protesto. O que mais indicia a falcatrua é a reacção musculada das autoridades. Quem não hesita em bater é porque não tem outros argumentos. As cacetadas policiais revelam a verdadeira natureza dos dirigentes políticos iranianos. Mas nada disso basta para reconhecermos o senhor Moussavi como merecedor de crédito.
Um tipo que foi primeiro-ministro do Irão nos anos 80 devia levantar algumas suspeitas, mas como para o Ocidente vale tudo para deitar abaixo Ahmadinejad, o senhor Moussavi passa a ser apresentado como democrata de longa data. Mas não é bem assim… lembro que quando esse senhor foi pau mandado dos Aiatolas, a repressão sobre o povo não teve limites. Não lembro apenas as perseguições políticas, os assassinatos. Lembro que foi ele quem reintroduziu a pena de morte e os castigos corporais na via pública para quem não respeitasse a sharia (lei religiosa). Coisas simples, como sexo fora do casamento, consumo de alcóol ou homossexualidade, passaram a ser crime. O Islamismo passou a ser religião do Estado e todas as outras foram proibidas. Marxistas, católicos, judeus e laicos foram fuzilados. As mulheres foram proibidas de usar maquilhagem ou mini-saias, e ouvir música rock ou rap passou a ser razão mais do que suficiente para levar gente para a cadeia.
Talvez Moussavi tenha mudado, entretanto. Talvez Mousavi tenha ganho as eleições, mas eu não punha as mãos no fogo por ele.

4 comentários:

Fada do bosque disse...

E assim anda o mundo... pela rua da amargura! Não há por onde escolher...

Motim disse...

O Ahmadinejad é um moderado. O seu único "pecado" é não se curvar perante os sionistas, é essa a verdadeira razão pela qual os politicamente correctos o atacam.

Ferreira-Pinto disse...

Moussavi pode, de facto, não ter um percurso imaculado, mas o camarada Ahmadinejad também não é grande espingarda e nem é necessário trazer à colação os sionistas ou o que seja. Basta estar atento!
Entre um e outro, penso que Moussavi podia ser um mal menor se de facto a sua propalada visão reformista fosse mesmo para executar.

inominável disse...

Com um CV assim, até acho que o Ahmadinejad merece os anjos do céu e 1002 virgens...

(quanto a nomes de flores, olha, de facto, desconhecia)

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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