O avião caiu e logo jornais, rádios e televisões se preocuparam em saber se havia passageiros portugueses a bordo. Morreram 228 pessoas, mas isso não basta. É preciso subir os índices de emoção e ver se temos mais proximidade com a catástrofe. Quanto maior for essa proximidade melhor, porque se torna mais fácil titular com parangonas, encher páginas e tempo de antena mesmo sem haver nada de verdadeiramente noticioso.
Chegámos a ter um português na lista de passageiros, notícia que foi desmentida rapidamente. Nisso, os angolanos têm mais matéria noticiosa. Tivemos de nos remediar com um primo de D.Duarte…
Chegámos a ter um português na lista de passageiros, notícia que foi desmentida rapidamente. Nisso, os angolanos têm mais matéria noticiosa. Tivemos de nos remediar com um primo de D.Duarte…
6 comentários:
Caramba Carlos, foi exactamente o que pensei quando ouvi a notícia!
Porque diabo andam imediatamente à cata de portugueses, quando acontecem tragédias, ditas internacionais? Será que somos diferentes? pensava. Parece que me ouviu a pergunta, pois de imediato me respondeu.
Obrigada
Nem mais, é o chamado jornalismo escatológico. Parece que afugentamos a dor própria na dor do outro, parece que nos alimentamos constantemente das emoções vividas por outros à falta das nossas. Olhamos para o real como se se tratasse de uma novela e tomamos a novela pelo real. E vende.
Esse é um fenómeno que nunca consegui perceber. Pensei que o Carlos, como jornalista, soubesse explicá-lo, mas parece que também não. :)
Se fosse sobre jornalismo... o Carlos saberia explicar. Como jornalismo e isso que por aí se vê são coisas diametralmente opostas...
Este é um acidente muito estranho. Que me intriga.
eu sei que sou para o insensível e tudo, mas caramba, a queda lamentável de um avião é notícia para durar uma semana, sobretudo quando ainda há tão pouco a dizer?
(ou será que ando a ler a imprensa errada? da televisão não me posso pronunciar)
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