Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, janeiro 25, 2006

Carta de Manila, 1ªparte

Pelo Natal, recebi carta de um amigo, o José Rebelo. Escreveu de Manila, nas Filipinas e fala do país que está, agora,a conhecer. Era uma espécie de “carta aberta”, dirigida não só a mim como a muitos outros amigos dele. Chegou por e-mail e vou, agora, divulgá-la por partes.

I parte.

“Desde o início de Agosto que me encontro nas Filipinas, um arquipélago de sete mil e tal ilhas (o número varia consoantes as marés) e muitas mais maravilhas. Certamente, para muitos, o nome deste longínquo país, geográfica e culturalmente, não desperta particulares memórias, para além das histórias sobre as extravagâncias da Imelda Marcos. A ex-primeira dama perdeu a ‘modesta’ colecção de pares de sapatos, que faziam parte do seu guarda-roupa, mas ainda não deixou de reclamar a propriedade das jóias com que se adornava.
Desde 1986, o povo já desceu à rua para destituir dois Presidentes – em duas notáveis revoluções sociais, que deram ao mundo uma lição de poder popular – e ainda está a decidir se deve ou não destituir a actual, na base de alegadas fraudes eleitorais. Que parecem ser cada vez mais uma evidência, a julgar pela sua obstinada recusa em esclarecer o que se passou! Aos protestos, a administração responde com jactos de água. Até alguns bispos já foram «benzidos». Depois de ter ameaçado com a imposição da Lei Marcial, o Governo ficou-se pelo uso da «resposta calibrada preventiva».
O combate político tem as suas peculiaridades. É feito com orações, procissões e terços à mistura. Pouco a pouco a oposição tem vindo a desgastar a imagem da Presidente, cuja popularidade atingiu nestes dias os seus mínimos históricos. Para deitar abaixo os adversários vale tudo. Só um exemplo ilustrativo: nestes dias, um General na reserva e ex-ministro proclamou-se «Presidente de um Governo revolucionário de transição». Foi, naturalmente, preso por decisão política (!), na base de «Incitamento à sedição»; e os familiares em postos de chefia demitidos, como se fossem responsáveis pela decisão do velhote!”

(continua)

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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