Os senhores da estrada são os «jeepneys», uns autocarros feitos à imagem e semelhança dos jipes americanos do tempo da segunda guerra mundial. Têm dois bancos laterias a todo o comprido. O pagamento passa de mão em mão até chegar ao condutor, que depois devolve o troco da mesma maneira (se o passageiro for estrangeiro, tentará esquecer-se!). São o principal transporte público e a eles se deve o congestionamento das vias: param onde lhe dá na real gana e guinam em todas as direcções sempre que podem e for necessário. Os condutores devem ser gente patriótica: num tempo em que a Presidente tem apelado à poupança de energia é comum encontrá-los de noite com as luzes desligadas!
Depois há alguns autocarros vindos da sucata do Japão e da China – os chamados «caixões ambulantes», pela ameaça que representam. Apesar de andarem meios «delapidados», voam a baixa altitude. E os passageiros saltam nos bancos de madeira. Menos agressivos há os táxis e os «trycicles», as motos-táxi com a caixa lateral para os passageiros. Os peões antes de se atreverem a cruzar a rua devem ganhar coragem e fazer uma acto de fé.
Todos estes veículos queimam galões de óleo e exalam nuvens espessas de dióxido de carbono, que dá cabo da saúde dos cidadãos e chega a impedir a visibilidade dos condutores dos outros veículos. Pelos vistos, todos passam na inspecção, à excepção do nosso novo Ford! Com uns pós de várias cores nos canos de escape podiam conseguir um efeito visual extraordinário, mas ainda não se lembraram disso!

(continua)
1 comentário:
Estas cartas são fantásticas. Basta não ser comprometido com o jornalismo pesudo-intelectual que se faz hoje em dia para vermos relatos sinceros e visualmente relevantes. Obrigado por partilhares estas cartas
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