Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











quarta-feira, janeiro 18, 2006

Estou muito zangado

Sabia que isto ia acontecer, um dia. Mas preferia que tivesse sido mais tarde, quando ela fosse mais velha e já tivesse adquirido outra capacidade de encaixe e de entendimento. A minha filha tem 6 anos. É uma menina linda. Esta tarde, quando saía da escola, pela mão da mãe, disse adeus a uma colega. A outra miúda respondeu-lhe: “estás sempre a dizer-me olá. Ainda por cima não gosto de pretos!”

10 comentários:

blimunda disse...

Os putos às vezes são muito cruéis. Lembro-me de ser miúda e de numa visita de estudo logo nas primeiras semanas de aula vários miúdos não quererem dar a mão a uma miúda por ela ser negra. Foi logo ali aos 6, 7 anos que percebi que o racismo era uma coisa mesmo pestilenta.

aRMAS disse...

Bem, é caso mesmo para dizer, foda-se.

ELCAlmeida disse...

As crianças às vezes são cruéis. Mas às vezes a sua crueldade vem de quem convivem. Será que a acompanhante dessa criança fez-lhe ver do disparate e da disparatada afirmação? Se o racismo começa aos 6 (seis) anos como será quando for mais velha?
Sem comentários. Sinceramente apeteceu-me limpar tudo o que atrás escrevi e subscrever os "armas" escreveu.
Eugénio Costa Almeida

VN disse...

Diz à Sara, sei que é assim que a menina linda se chama, que NÓS gostamos muito dela. Ensina-a a ser forte.
Quanto à tua frase "Estou muito zangado", é o teu direito à indignação, o tal “11º mandamento”.
Cá estamos para a ensinar a Sara a Indignar-se.

feio disse...

É triste...

i. disse...

aos 6 anos, a racistazinha em potência ainda tem hipótese de descobrir que há muito mais mundo além do que ela conhece; a tua filha tem a sorte de já saber isso porque provavelmente tem uma educação muito mais abrangente.

seja como for, se nos recordarmos de como éramos aos 6 anos, lembramo-nos de inúmeros epítetos: os "caixa-de-óculos", os "badochas", os "dentuças", entre outros mimos; felizmente, quando crescemos, muitos de nós percebemos que a convivência não passa nem de perto nem de longe por aí :)

Armando S. Sousa disse...

Na realidade a menina que disse essa crueldade não têm culpa.
A culpa deve ser directamente imputada aos pais por permitirem, e talvez incentivar, esses disparates.
É obrigatório para os pais, mesmo tendo esses sentimentos racista, não os expressarem junto de filhos pequenos.
É deveras triste!
Um abraço.

Catarina disse...

Com certeza a menina apenas repetiu o que provavelmente ouviu da boca dos próprios pais em casa ou talvez tenha aprendido ao assistir programas como o Levanta-te e Ri carregados de piadas racistas e preconceituosas sobre pretos, ciganos e outras minorias.

Isabela disse...

Ando há dias a pensar nesta história. Desde que a publicou. Isto toca-me directamente, porque vivo todos os dias com situações destas e não tenho poder para as mudar. A minha influência, o meu discurso, argumentos, exemplos não são suficientes. Não posso lutar contra o que ouvem em casa todos os dias nem contra uma filosofia racista e xenófoba cada vez mais generalizada.
Posso, mas não consigo mudar, e claro que me sinto muito frustrada. Não percebo bem o que aconteceu ao longo dos últimos 20 anos! Temos de pensar bem nisto, porque é um fenómeno muito grave.

/me disse...

Lamentável, mesmo lamentável...

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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