Desta vez, nem há a desculpa da falta de preparação… já toda a gente falou que o genocídio das tribos africanas está em curso no Darfur, mas ninguém mexe uma palha.
Tony Blair disse, há dias, que "a comunidade internacional está a falhar perante o povo de Darfur". Mas não passou das palavras, não ensaiou nenhum tipo de acção efectiva. E podia.
António Gueterres, o senhor ACNUR, disse quase o mesmo. As potências mundiais encolheram os ombros.
Kofi Annan manifestou-se "pessimista" sobre a situação em Darfur, e apelou à comunidade internacional a agir porque "não há mais tempo para a indiferença". Mas continuaram, todos, indiferentes…
A União Africana tem no Darfur uma missão de paz composta por quase 7.000 efectivos, mas alertou já que a missão está em risco por falta de financiamento. A acção desta força tem sido, de resto, perfeitamente ineficaz.

A acção do governo sudanês no Darfur, está a ser investigada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por suspeita de crimes de guerra e contra a humanidade.
Mas, como tenho dito nestas páginas, o Darfur não é caso único da política genocída do governo sudanês. As 51 tribos do povo Nuba sofrem as mesmas acções criminosas e, igualmente, o Mundo não se move para parar a matança.

Se em 6 de Abril de 1994, depois do “acidente” aéreo onde morreram os presidentes do Rwanda e do Burundi (facto que deu início à matança), os acontecimentos surpreenderam, com o que se está a passar no Sudão não se aceita este imobilismo criminoso.
5 comentários:
No que diz respeito à comunidade internacional, não há indiferenças; há cumplicidades nos genocídios, há crime!!!
Como também não há desculpas que justifiquem estes crimes...
Neste momento, a situação no Darfur ameaça transformar-se num conflito aberto entre o Sudão e o Chade. A guerra entre os dois países pode estalar de um momento para o outro.
Ao mesmo tempo que há fortes sinais de esperança na Libéria, com a eleição da nova presidente da República, e a paz se vai consolidando cada vez mais na Serra Leoa, um outro conflito se agrava em África...
No que diz respeito ao povo Nuba, li há tempos, não me lembro já onde, que aquele povo se sente traído pelo acordo de paz assinado entre o governo de Cartum e os rebeldes do Sul (SPLA/M). Tendo os Nuba apoiado estes últimos, com os terríveis custos humanos que o meu amigo testemunhou pessoalmente, eles acabaram por ficar integrados na província de Kordofan (que pertence ao Norte), em vez de ficarem ligados ao Sul, com o qual se identificam.
Se, em conformidade com os termos do acordo de paz, o Sul acabar por se separar completamente do Norte, tornando-se independente, os Nuba continuarão submetidos àqueles que sempre os exploraram e escravizaram, os árabes do Norte. Os sacrifícios por que passaram durante os anos da guerra terá então sido em vão.
A questão é, perante esta criminosa indiferença, o que pode fazer um "simples mortal" ?
Há sugestões por aí ?
Mana, somos formigas... temos a força das imensas multidões. Lembra-te de Timor e da visita de Ximenes Belo a Lisboa...
Acabo de receber a última newsletter da organização "Physicians for Human Rights" (PHR) que traz a questão de Darfur em destaque.
A organização publicou recentemente o relatório "Assault on Survival – A Call for Security, Justice and Restitution" sobre a situção no Sudão, resultado de 3 visitas à região de Darfur entre Maio de 2004 e Julho de 2005.
Este e outros documentos dos PHR sobre o Sudão estão disponiveis em http://www.phrusa.org/research/sudan/
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