Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











domingo, janeiro 01, 2006

Votar à Esquerda

O DN trouxe o exemplo da demissão de Armando Vara do governo de Guterres, para ilustrar os poderes formais e informais do Presidente da República.

Lê-se no DN que “Os pormenores concretos desta demissão ficaram no segredo dos gabinetes, mas foi inegável a intervenção do Presidente da República (PR) na saída de Vara. Este episódio ilustra bem a importância do Chefe do Estado, para além do que a Constituição da República determina. De acordo com a lei fundamental, o PR limita-se a nomear e a exonerar os ministros sob proposta do chefe do Governo. Mas a capacidade de o inquilino do Palácio de Belém influenciar as decisões políticas de carácter global pode ser mais vasta do que a letra da lei prevê”. O que o DN não diz, e talvez devesse dizer, é que o PR “emprenhou pelos ouvidos” e levou o Primeiro-Ministro da época a cometer uma injustiça. Essa injustiça terá sido aplacada, agora, quando o governo de Sócrates nomeou Vara para a administração da CGD onde, de resto, o ex-Ministro já trabalhava há muito como director de departamento. Faltou dizer que Armando Vara foi absolvido pelo tribunal de qualquer suspeita de corrupção, activa ou passiva, no caso da tal Fundação para a Prevenção e Segurança. Os assassinatos de carácter têm sido arma da direita. Depois de Vara, tivemos o caso de Ferro e Pedroso, tivemos os boatos sobre a masculinidade de Sócrates. É também por isso que vou votar num candidato presidencial da esquerda.

2 comentários:

MigDeF disse...

E os assassinatos de carácter de Miguel Cadilhe, Leonor Beleza, Deus Pinheiro (a famosa manta...) e, até, do próprio Cavaco Silva? Também foram arma da Direita?
Em política não acredito em virgens ofendidas. Até porque muitas vezes essas armas são arremessadas internamente. Li uma vez que um recém-eleito deputado conservador, olhando para a bancada trabalhista, disse: "Com que então, ali estão os nossos inimigos". Ao que um tal de Winston Churchill ripostou: "Não, ali estão os nossos adversários. Os nossos inimigos estão deste lado."

CN disse...

Maquiavel no seu melhor, o sr.Churchill. A política é, de facto, assim mesmo: pérfida. Mas, para além dela, temos as pessoas. No caso de Vara, tenho de acreditar que o homem foi vitima. Por várias razões, entre as quais ter sido testemunha de acções completamente desinteressadas dele em beneficio de outros. E quero acreditar que não se pode ser anjo e demónio em simultâneo. Até melhor prova, Vara é inocente. Para mim.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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