Memórias de muitos anos de reportagens. Reflexões sobre o presente. Saudades das redacções. Histórias.
Hakuna mkate kwa freaks.











terça-feira, junho 30, 2009

O que vale uma borla


Não leio jornais gratuitos. Acho que o conceito de gratuito é um logro destinado a vender gato por lebre. Os ditos jornais mais não são que veículos publicitários travestidos de informação noticiosa. Não os leio e acabou-se.
Normalmente, leio os jornais na internet. A homepage do meu computador é o site EusouJornalista e é por lá que faço a primeira ronda pelos títulos. Depois, se acho que alguma coisa o justifica, vou ao quiosque e compro um jornal.
Mas, hoje, e pela 2ªvez nos últimos tempos, fui surpreendido com a oferta de um jornal. Parei num posto da BP para abastecer o carro, tomei um café e pedi o jornal i. Com o talão da despesa, o funcionário do posto deu-me o Jornal de Notícias. Há dias aconteceu-me o mesmo com o Público, oferecido num supermercado.
Acho que se trata de um estratagema inaceitável, de uma deslealdade a toda a prova. Basta que se saiba que estão a dar um determinado jornal para que todos os outros títulos deixem de ter procura. A maioria das pessoas não tem grandes convicções quanto à escolha de um jornal e se estão a dar um, sempre se poupa 1 €…
Tenho algumas dúvidas quanto aos benefícios comerciais de uma acção deste género. Será que oferecer um jornal durante algum tempo cria alguma habituação no leitor? Ou será que o valor que damos às borlas é directamente proporcional ao que esse produto nos custou?
Na verdade… eu trouxe o JN, mas ainda nem o folheei. O que eu queria mesmo era ler o i pelas razões que já expus no post anterior.

Nos tempos do XV Governo Constitucional


A manchete do Jornal i de hoje é imbatível, não pelo título em si mas pela prosa que promete na página 16. O presidente da PT acusa a “senhora presidente do PSD” de prejudicar os accionistas da PT ao ter utilizado a compra dos 30% da Média Capital como arma de arremesso no duelo político que trava com o PS, quando pôs em causa o negócio “cujos termos não conhecia”.
Henrique Granadeiro diz que se lembra bem “das tentativas de intervenção do governo PSD na Lusomundo” (em 2004) e diz que ainda não esqueceu como o Estado se desfez da rede fixa de comunicações (em 2002), numa época em que valia tudo para combater o deficit público, uma obsessão da ministra Manuela Ferreira Leite que fez com que Jorge Sampaio, o PR na época, tivesse de lhe lembrar que havia “mais vida para além do deficit”. Neste negócio, a PT foi obrigada a pagar muito mais do que o valor real da rede fixa de comunicações, uma artimanha financeira da ministra para conseguir conter o deficit que originou até uma acção da Comissão Europeia contra o Estado português.
Granadeiro veio lembrar aquilo que muitos fazem por esquecer…
Curiosamente, MFL já reagiu às declarações de Granadeiro, mas apenas para negar que tenha feito alguma vez pressões sobre qualquer órgão de comunicação social, coisa de que ninguém a acusava. Granadeiro referiu-se a pressões do governo do PSD. Alguém as terá feito, mas ele não disse que tinha sido a senhora ministra. Quanto às acusações de má gestão da coisa pública, essas sim dirigidas a ela directamente, MFL nada disse.

segunda-feira, junho 29, 2009

Speaky TV


A Speaky.tv é uma das muitas webtv que já existem em Portugal. Mas esta tem uma particularidade, em vez de servir para a divulgação de uma região ou de uma cidade (como a maioria), serve a causa do seu mentor, Fernando Alvim.
A webtv foi inaugurada há dias, entre várias curiosidades, com uma entrevista ao Emídio Rangel, o que por si só é uma boa ideia para uma emissão de estreia, já que Rangel é pai de vários sucessos mediáticos, casos da TSF, SIC e SIC-Notícias. Sucessos que quando “largados” pelo progenitor entraram em declínio ou quanto muito estagnaram.
Essa entrevista, apesar de ter sido gravada há mais de 1 mês, é um documento curioso face à actualidade dos últimos dias. Sobre a TVI, por exemplo, posto perante a probabilidade de Moniz abandonar a direcção do canal e dele ser convidado a assumir, Rangel revelou-se um crítico feroz do estilo “carnívoro” de Manuela Moura Guedes, diz que o que ela faz ofende qualquer jornalista e que o Jornal das 6ªfeiras é “um capricho” de uma pessoa preguiçosa que não prepara as entrevistas. Em conclusão, Rangel diz que se alguma vez for ele a decidir que a demite, até “por razões estéticas”.
A entrevista tem outros tópicos interessantes, Rangel lembra que Balsemão é um “unhas de fome”, e um difamador, alguém com apetência para se rodear por yes men incompetentes. E revela que o homem que já vendeu Presidentes como quem vende sabonetes, já um dia teve de andar a vender enciclopédias para viver.

domingo, junho 28, 2009

MFL errou


Quando Manuela Ferreira Leite disse ter a certeza que Sócrates sabia que a PT estava em negociações com a Media Capital, ou mentiu ou não sabia o que dizia.
Mesmo sabendo que a mentira em política é corriqueira, prefiro pensar que a senhora disse o que disse por mera ignorância. Porque MFL revelou ignorância tanto em relação aos estatutos da PT como ao campo de acção do Estado por possuir 500 acções golden share. É que, como já se viu, nem a PT tinha qualquer obrigação de informar o governo sobre as suas intenções, nem o Estado podia vetar o negócio em causa. Ora, Manuela Ferreira Leite não pode errar tanto, não só por ser candidata a primeiro-ministro mas, também, porque ainda há pouco tempo foi ministra de Estado e das Finanças (XV governo constitucional) e tinha obrigação de saber, ao menos, a capacidade de intervenção do Estado na PT. Esta gaffe só veio lembrar que a senhora, de facto, foi uma má ministra… Agora, só não sei se foi ela quem levou ao engano o Presidente da República, se foi Cavaco que fez com que ela errasse...

sábado, junho 27, 2009

TVI, um estorvo


José Eduardo Moniz tem dado milhões a ganhar à TVI. Ele foi um dos responsáveis pela ultrapassagem da TVI à SIC (o outro foi o próprio Balsemão…) quando percebeu que o Big Brother era o veículo perfeito para subir as audiências do canal. A partir de 2001, a SIC entrou em queda livre e a TVI cimentou-se no 1ºlugar do prime time televisivo, até hoje.
Mas, hoje, Moniz transformou-se num incómodo. Fizeram dele cavalo de batalha entre a oposição e o governo, o que não só estigmatiza politicamente o canal como, pelo que vemos, estorva a concretização de um negócio essencial para os donos da TVI, os espanhóis da Prisa, a contas com uma dívida bancária complicada de gerir e, por isso, obrigados a alienar activos.
Quando um negócio como o da venda de 30% da Media Capital (que engloba a TVI) à PT não se faz porque a eventual substituição de um director-geral se confunde com a luta político-partidária, a permanência desse director-geral transforma-se num pesadelo impossível de gerir. Hoje, Moniz é mais prejudicial que benéfico para a TVI, a Média Capital ou a Prisa.

sexta-feira, junho 26, 2009

Coisas do circo (como diz o outro...)


Será que Manuela Ferreira Leite ou Cavaco Silva vão perguntar à Cofina se pretende manter a actual linha editorial da TVI, caso a consigam comprar? E se a resposta for sim, obviamente demito-o, será que Manuela Ferreira Leite e Cavaco Silva irão sentir a liberdade de expressão em perigo? E caso sentirem, será que irão clamar por transparência, não se dê o caso de Sócrates ter convencido o senhor Paulo Fernandes a gastar 150 milhões para o livrar de um incómodo? Será que a palhaçada não tem fim?

Trampa na ventoínha


Por questões meramente políticas e de circunstância, a PT (que é uma empresa privada) viu-se impedida de realizar um negócio que considerava estratégico, a compra de uma percentagem da Media Capital.
Primeiro foram todos os partidos políticos da oposição, do BE ao CDS, que exigiam “transparência”, preocupados com a liberdade de expressão, não fosse José Eduardo Moniz afastado da direcção-geral da TVI quando, na realidade, o problema deles era garantir que a guerrilha mediática contra o PS e Sócrates se mantinha, pelo menos até às eleições. Depois, foi o governo que, para tentar não alimentar mais intriga política, decidiu não autorizar o negócio. «Compreendemos o interesse empresarial da PT mas esperamos que possa prosseguir esse interesse de outra forma porque o Governo não quer que haja a mínima suspeita de que esta compra de parte da TVI se destina a qualquer alteração na sua linha editorial», disse o primeiro-ministro.
Como se sabe, o Estado detém uma golden share na PT e pode vetar negócios que considere prejudiciais aos interesses nacionais. Não sei se isto se aplica ao caso vigente, porque de facto nunca esteve em causa a liberdade de expressão. A liberdade foi, mais uma vez, utilizada como arma de arremesso em nome de interesses privados dos grupos políticos. Ferreira Leite e Cavaco foram os primeiros a lançar trampa na ventoinha… devem estar muito contentes.

Saldos eleitorais


Não sei sequer se vou votar e, portanto, estou mais ou menos nas tintas para a questão da simultaneidade das eleições legislativas e das autárquicas. Mas, já agora… deixem-me dizer (claro que deixam, é apenas uma figura de estilo) o que penso sobre o assunto: o problema nem é que o povo confunda os diferentes actos eleitorais, o problema é que os políticos continuem sem saber em que campanha andam metidos. Nas últimas eleições foi o que se viu, em vez de se discutirem questões europeias discutiu-se tudo o resto e ficámos sem perceber quais eram os compromissos que os eleitos assumiam com o eleitorado. E se julgam que lá por não ter votado que me inibo de os criticar, estão bem enganados.
Quem decide a data das eleições autárquicas é o governo e o PR decide a data das legislativas, diz a Lei. E vi numa das pantalhas o PR esclarecer que quem tem de anunciar primeiro a sua data é o governo e que, só depois, ele decidirá a data das legislativas.
Agora, aposto singelo contra dobrado como o Presidente da República vai decidir pela simultaneidade. Contra quase tudo e todos, excepto o PSD, Cavaco vai fazer o jeito à malta do seu partido e vai utilizar o pretexto de poupar umas massas ao erário público e poupar o povo a duas campanhas eleitorais. Para quem é bacalhau basta e mais uma campanha bagunçada servirá muito bem.

quinta-feira, junho 25, 2009

Manuela, Cavaco e a vaca sagrada

A Portugal Telecom nasceu em 1994, pela fusão da Telecom Portugal S.A., da companhia de Telefones de Lisboa e Porto S.A. e da Teledifusora de Portugal S.A.. À época era operador monopolista das telecomunicações e, por isso, o Estado reservou para si 500 acções tipo A, as chamadas golden shares. Mas é uma sociedade de capitais privados, sendo que o Estado reserva para si a prerrogativa de vetar negócios que considere lesivos do interesse nacional.
Lendo os estatutos da PT, chega-se à conclusão que é bem possível que a administração da PT tivesse iniciado contactos para a aquisição de 30% da Media Capital sem pedir licença ao accionista Estado. Como é possível que não tenha participado ainda a nenhum outro accionista.
O artigo terceiro nº1 dos estatutos diz que “a sociedade tem por objecto a gestão de participações sociais noutras sociedades” e o nº2 do mesmo artigo acrescenta que “a sociedade pode, sem restrições, adquirir ou deter quotas ou acções de quaisquer sociedades”… Sendo certo que, conforme reza o artigo 14º nº2 deliberações desse tipo “não serão aprovadas contra maioria dos votos correspondentes às acções de categoria A”(as tais golden shares detidas pelo Estado), mas isso (julgo eu) não implica que o Estado tenha de acompanhar a par e passo todas as iniciativas da administração da PT, apenas tem de as aprovar no final, votando com todos os outros accionistas em Assembleia Geral.
Portanto, quando Manuela Ferreira Leite vem dizer que “não acredita” que a PT não tivesse consultado o primeiro-ministro sobre a intenção de estabelecer contactos com a PRISA para uma eventual compra de uma percentagem da Media Capital, parece-me obvio que se trata de pura especulação política própria da pré-campanha. Uma pré-campanha em que o Presidente da República decidiu participar activamente, caucionando, dirigindo quiçá a estratégia do PSD, ao abrir “uma excepção” para se referir às fortes suspeitas que esta negociação comercial lhe suscita.
Cada qual vê o Mundo com os próprios olhos, e a mim só me apetece dizer asneiras… já ninguém se lembra do sucedido em Abril de 2002, quando o governo de Durão Barroso tomou posse e a principal preocupação do ministro Morais Sarmento foi sanear o director-geral da RTP, Emídio Rangel. Nesse saneamento foram todos eles cúmplices, de Cavaco a Ferreira Leite e hoje arvoram-se cinicamente em defensores da liberdade de imprensa quando suspeitam que o director-geral da TVI pode vir a ser substituído com a entrada de novos accionistas na Media Capital. Como se Moniz fosse uma vaca sagrada do PSD. Como se a TVI não fosse propriedade privada e os seus accionistas soberanos nas decisões que entenderem por bem tomar. Assim como, de resto, a PT.

quarta-feira, junho 24, 2009

Nunca se engana e raramente tem dúvidas


Se Cavaco decidir que as próximas eleições legislativas e autárquicas se realizarão em simultâneo, estará a decidir contra a grande maioria dos partidos políticos. Só o PSD concorda com Cavaco. Aliás, PSD e Cavaco estão em sintonia perfeita, fazendo lembrar os tempos em que o actual Presidente da República era líder do partido. Aposto, seja o que for, que até às eleições esta sintonia não será desfeita. Depois, tudo depende dos resultados obtidos. Se o PSD vencer, Cavaco governará de facto o país, se o PSD perder, o status quo institucional recuperará a normalidade, com um governo a governar e um presidente a zelar pelo respeito da Constituição.
Se Cavaco votar contra a vontade de 5 dos 6 partidos com representação parlamentar, estará a dar uma lição ao primeiro-ministro. Cavaco, que só foi “humilde” na hora da derrota (nomeadamente nas presidenciais de 96 que perdeu contra Jorge Sampaio), não tem pejo em se manter convicto das suas opiniões nem em desconsiderar com arrogância as opiniões que lhe são contrárias. Algo que Sócrates fazia e parece que, agora, deixou de fazer.
Se Cavaco votar pela simultaneidade das eleições, o PSD será o único partido a concordar com o PR e, assim, surgirá como garante da estabilidade institucional… e isso pode ter consequências eleitorais.

Prémio Lemniscata




O Prémio Lemniscata honra-me muito. Significa que o que escrevo não é indiferente para muitos dos que por aqui passam. Ainda bem.
Assim, agradeço aos que escolheram o Escrita em Dia, nomeadamente ao O Valor das Ideias, ao Sustentabilidade é Acção e ao A Escada de Penrose.
Sem quebrar o elo, atribuo o Lemniscata aos seguintes blogues:


Jornal do Pau

Lóbi do Chá

O Novo Mundo


Portulano Caprino

A Boiada

Blog 19

Bandeira ao Vento


O Jumento

terça-feira, junho 23, 2009

Cara a Cara


Acabei de assistir ao “Cara a Cara”, programa de debate na TVI. No plateau estão sempre os mesmos, no canto direito, pelo PSD, Morais Sarmento… no canto esquerdo, pelo PS, Santos Silva, o ministro dos Assuntos Parlamentares.
O debate trouxe pouca ou nenhuma novidade. Os senhores limitaram-se a defender os respectivos partidos, utilizaram os respectivos arsenais de setas envenenadas, falaram sem surpresa de assuntos já batidos: TGV, auto-estradas, novo aeroporto, quem vai vencer as próximas eleições, blá blá blá… acredito que nenhum convenceu ninguém…
Este tipo de programas, comum a todos os canais televisivos, é pouco ou nada eficaz no que respeita ao esclarecimento do público sobre os problemas que nos afectam. Acredito que a principal razão de existirem nas grelhas de todos os canais é por serem televisão barata. Para fazer aquilo bastam dois tipos que se queiram insultar politicamente, um mediador, três cadeiras e um cenário minimalista. Não há nada mais barato, isto se os cachets dos “artistas” não forem exagerados.
O único atractivo deste “Cara a Cara” é um pouco mórbido… reside em verificar quem chega em pior estado ao final do duelo, se o atirador de esgrima se o boxeur…

Leilão?


A ser verdade o que vem hoje noticiado no jornal i e no Público, a Prisa está prestes a vender 30% da Media Capital, ou seja, da TVI. Haverá três candidatos, a saber, a PT, o senhor Joaquim Oliveira e o senhor Nuno Vasconcellos (com dois elles). Parece que o governo “acompanha” as negociações… não sei bem o que isto quererá dizer, mas se acompanha é bom que repare no seguinte:

1- Nuno Vasconcellos é o dono da Ongoing e já detém 20% da SIC, sendo de prever que com a retirada por velhice ou morte de Balsemão fique ele a controlar o canal de Carnaxide, já que (dizem as más línguas) Balsemão parece que não gerou descendência capaz de assegurar a continuidade do negócio. Logo, se Nuno Vasconcellos ficar com 30% da TVI mais os 20% que para já tem na SIC, arriscamo-nos a ter o senhor Nuno com uma posição de dominância no sector, o que julgo ser contrário à Lei.
2- O senhor Joaquim Oliveira, dono da Controlinveste e da Sport TV, andou a comprar meio Mundo, endividou-se na banca, diz-se que está com dificuldades em cumprir com os juros da dívida, anda a despedir funcionários (na TSF, no Diário de Notícias), fechou o Tal&Qual… e quer, agora, comprar a TVI? Será que a banca lhe empresta mais ainda? Na TVI, Oliveira tem um amigo fiel, o próprio director-geral. Para Moniz seria a oportunidade de passar a controlar um verdadeiro império comunicacional, somando à Média Capital a Controlinveste. Maior concentração de meios seria difícil de imaginar.


A PT… não tem canais de televisão em sinal aberto, mas tem plataformas de distribuição no cabo. A PT é, em si mesma, um bom negócio para os accionistas, não sei se a aquisição de um canal de televisão em sinal aberto será uma mais-valia para o grupo. A TVI hoje é um canal rentável, mas tem um passivo grande que vem dos anos em que as audiências que tinha pareciam um número de telefone… 9 – 2 – 3 – 5 – 4 – 4 – 7 – 8 – 7 …. nos idos de 90. Mas não sou eu que vou dar lições de gestão à PT, até porque não sei.

segunda-feira, junho 22, 2009

Dúvida



Notícia da LUSA, repetida em todos os sites de órgãos de comunicação social, dá conta da descida no número de desempregados inscritos, o que acontece pela primeira vez em 10 meses.
Diz o texto que “o número de inscritos diminuiu pela primeira vez em 10 meses, 0,5 por cento, resultado de um decréscimo de 2.520 inscrições”.
Resta saber se isto significa reanimação da economia ou se é por carência de… trabalhadores ainda com emprego.
foto de Jorge Alfar

Somos todos iranianos



O regime teocrático iraniano está a perder a face. A repressão já se salda em dezenas de manifestantes mortos e isso revela bem a natureza intolerante daqueles ayatolas e dos laicos que os servem.
Por cada morte de manifestantes, Moussavi vê aproximar-se a sua própria e, perdido por um perdido por mil, estica a corda o mais que pode, apelando à continuação das manifestações e a uma greve geral. Moussavi sabe que já não tem perdão possível, sabe que os acontecimentos já o ultrapassaram e só espera continuar a cavalgar esta onda até chegar vivo à praia.
Reparo, com curiosidade, que o que se está a passar parece confirmar uma predição (desejo?) deixado por Joshua num comentário ao meu anterior texto sobre o Irão. Contrapondo ao que eu dizia, que apesar dos protestos Moussavi não passava de um insider do regime, Joshua escreveu: “Certo, mas reciclado ou não, há gente a morrer pela esperança reformadora que ele representa e, no processo contestatário, essas multidões podem criar um efeito em espiral que transcenda largamente o seu símbolo Moussavi e lhe exija ainda mais que a mera transformação aveludada do Regime dos Ayatollahs. O líder pode ser arrastado, como os capitães aprilinos nas suas insatisfações de carreira, para uma coisa inteiramente nova, maior que eles.”

domingo, junho 21, 2009

Espreitar o futuro

Um blogue sem caixa de comentários é um blogue amputado. Por muito que nos custe (refiro-me aos que escrevem nos seus próprios blogues) aturar alguns chatos que por aqui aparecem, a caixa de comentários é a ponte do blogue com o resto do Mundo e é um palco privilegiado para a troca de ideias, para a discussão. Vem isto a propósito de um texto publicado no Novo Mundo e que eu gostaria de ter tido oportunidade de comentar publicamente, até para ter reacções ao meu próprio comentário.
Bom, a Isabela fala sobre o futuro dos jornais, se as edições impressas vão morrer e ser ou não substituídas por versões on line. Diz ela que não se imagina a ler o seu jornal favorito num ecrã de computador... pois eu já só leio jornais no computador e acredito que dentro de alguns anos teremos alguns novos meios de comunicação bem mais populares que os tradicionais.
De acordo com dados do Netscope, o número de visitas aos principais sites noticiosos portugueses aumentou 15 por cento nos primeiros meses de 2009, quando comparado com o período homólogo do ano passado. Os sites noticiosos mais visitados este ano foram A Bola, o Record, O Jogo, o PÚBLICO, Sapo Notícias, Correio da Manhã e o Jornal de Notícias.
Na média dos cinco primeiros meses deste ano, o PÚBLICO lidera entre os jornais generalistas, atingindo pouco mais do que cinco milhões de visitas por mês, um crescimento de 17 por cento face ao ano passado. Já no ranking relativo a Maio de 2009, o PÚBLICO ocupa também a primeira posição no segmento dos generalistas, com 5,3 milhões de visitas. Falamos do Público, um jornal que não consegue vender de modo a tornar-se um verdadeiro negócio para o seu proprietário e que só ainda não fechou porque Belmiro de Azevedo não quis.
De resto, alguns dos grandes patrões do sector acreditam que essa mudança é impossível de conter. Há dias, li uma notícia que dava conta de que Rupert Murdoch vê num futuro próximo o fim da maioria das edições em papel e a transformação dos jornais em produtos analógicos, com actualização constante de notícias. Não haverá volta a dar-lhe, é uma questão geracional, os jovens já não compram jornais mas lêem no computador, no notebook, no iPhone.
Esta revolução já está em marcha. Já há exemplos, como nos EUA e na Finlândia, por exemplo, de jornais que abandonaram o papel para se dedicarem em exclusivo à internet.
Em Portugal, essa mudança ainda não aconteceu, ainda nenhum jornal se atreveu a abandonar o papel, mas todos os principais órgãos de comunicação social têm uma versão net, quer sejam jornais, revistas, rádios ou canais de televisão. E não se limitam a difundir texto, mesmo os jornais e as rádios incluem notícias vídeo nos seus sites, o que revela o formato futuro dos órgãos de comunicação social, que deixarão de se diferenciar em imprensa escrita, rádio ou tv, para serem todos tudo isso ao mesmo tempo.
Alguns jornalistas portugueses mais empreendedores, julgo que empurrados pelo desemprego e a falta de perspectiva de voltarem a ser assalariados, já estão a ensaiar os seus próprios sites noticiosos. Chamo a atenção para o Jornal do Pau, o Diário2.com ou, se quiserem ver uma coisa estrangeira, a Current TV americana. Espreitem… é o futuro.

sábado, junho 20, 2009

Não demorem muito a reflectir, tá?


Uma trintena de grandes economistas veio agora dizer ao governo que os anunciados investimentos públicos em auto-estradas, no aeroporto e no TGV são uma má opção. Dizem que são investimentos de fraca rentabilidade… e talvez sejam, mas tenho pena que só agora venham dizer isso (cheira demasiado a oportunismo). Muitos deles, quando lhes tocou serem ministros fizeram o mesmo ou pior, no que diz respeito à betonização do país.
Sempre ouvi dizer que desenvolver vias de comunicação é condição estruturante para o crescimento económico… mas parece que já não é. Já nem sei o que pensar. E se acho que mais auto-estradas são, porventura, dispensáveis num país tão pequeno e que já tem tantas… se aceito que um novo aeroporto talvez não seja a prioridade nº1 do país (embora gostasse de ver os aviões voarem mais alto sobre Lisboa…), acho que o TGV é essencial, não só porque encurta a distância entre Lisboa e o Porto mas, fundamentalmente, porque se não o fizermos vamos ficar sem ligação ferroviária de alta velocidade com o resto do Mundo. E isso será mais um estigma do nosso subdesenvolvimento no futuro.
Olhando para o Mundo, vemos o presidente Obama a investir dinheiro público na construção e recuperação de infraestruturas, no serviço de saúde, no sistema escolar, na indústria automóvel… com a finalidade de manter e criar emprego para que a economia reanime.
Em Portugal… vamos reflectir... à luz do pensamento de Cavaco.

PSD ao ataque


Ao chegar a casa, ontem, deparei com o outdoor com a cara de Hernâni Carvalho decorada com o símbolo do PSD e um slogan de campanha eleitoral. Confesso que fiquei surpreendido porque, conhecendo o Hernâni jornalista tenho alguma dificuldade em vislumbrar o Hernâni político… acho que quem se habituou a chamar os bois pelos nomes terá alguma dificuldade em pactuar, negociar, traficar influências, enfim… fazer política.
Mas a verdade é que ele já lá está, inserido no sistema. E a máquina já está a puxar por ele, porque também ontem vi um carro com bandeirolas cor de laranja e megafones a percorrer as ruas de Odivelas. A campanha de Hernâni foi a primeira a arrancar.
As eleições autárquicas em Odivelas têm sido ganhas pelo PS. Ao ir buscar o Hernâni Carvalho, o PSD revela bem que, à falta de méritos unicamente políticos, procura a vitória através de um candidato mediático que dá na pantalha e fala grosso. Deve ter sido mesmo o critério principal para a escolha dele, já que o Hernâni nem sequer vive em Odivelas.

A missão de Moussavi


Acho espantoso como no Ocidente se olha para o que se passa no Irão. Quem nunca antes se tenha interessado pelo assunto e leia, agora, os nossos jornais e blogues, ou oiça as nossas rádios e veja as nossas tv’s, há-de ficar a pensar que há um democrata de longa data chamado Moussavi que pretende derrubar o regime vigente e alterar o estado a que se chegou no Irão, onde a teocracia dos Ayatollah’s domina com mão de ferro tudo e todos. Mas não é nada disso que se passa.
Moussavi não é um outsider do regime, nunca foi. Acontece que para os Ayatollah’s o tempo de Moussavi já passou e o rejeitado percebeu que tinha ainda uma janela de oportunidade para não secar politicamente se reaparecesse como reformador. Então, Moussavi reciclou-se, eventualmente angariou apoios entre os adversários da teocracia, dentro e fora do Irão, porventura terá recebido financiamento para alimentar uma campanha eleitoral e o séquito de apoiantes que o enquadrassem na cena política. As democracias ocidentais costumam ser generosas em situações deste género. Foi assim que, durante muitos anos, o PS de Mário Soares foi alimentado por patrocinadores alemães e americanos.
Na minha opinião, Moussavi jamais será um democrata (tem um passado demasiado tenebroso e que, num regime mais aberto, se pode voltar contra ele), mas poderia ser um reformador, permitir alguma abertura política, principalmente na questão dos costumes. Daí o apoio que as mulheres lhe têm prestado, ansiosas por abandonarem o tchador que elas sentem como símbolo da desigualdade e da falta de liberdade.
Nos anos 80, Moussavi foi um fiel servidor do Ayatollah Khomeini, o pai da revolução iraniana e o tirano que instituiu o actual regime. Acredito que, hoje, Moussavi continua a apostar nas virtudes do regime, mas percebeu que sem uma reforma que permita alguma descompressão social os Ayatollah’s acabarão por perder o apoio da maioria da população e o regime acabará por cair. Moussavi quer salvar os Ayatollah’s, não derrubá-los, mas quer ser ele a conduzir essa reforma. Como homem religioso que é, Moussavi sente que essa é a missão que Deus lhe confiou.
Ora, nada disto quer dizer que a democracia está para acontecer no Irão.

sexta-feira, junho 19, 2009

Óh que pena...


Embora não morra de amores pelo homem, acho que o Benfica ficou a perder com a desistência do Moniz na corrida à presidência do clube. Sou daqueles benfiquistas que não contam nem para as estatísticas: não sou sócio, não vou ao estádio, não compro camisolas do clube, não gasto um chavo nos canais temáticos que dão jogos da bola, nada disso. Mas gosto do Benfica, desde pequeno. Alguém me inculcou esse gosto, mas não sei quem nem quando. Sempre me conheci benfiquista, mas sempre achei que sofrer por um clube de futebol não faz sentido. Gosto que a equipa ganhe, quando joga melhor que os outros. Gostaria que o Benfica voltasse a ser um clube de sucesso e, por isso, tenho pena que Moniz tivesse descalçado as chuteiras sem ir a jogo. Acho que o clube precisa de novos dirigentes, de outro tipo de dirigentes. O Benfica precisa de se livrar dos boçais e dos patos-bravos, dos grunhos e dos xicos-espertos que por lá andam há décadas sem proveito nem glória para o Benfica. Precisa de alguém que tenha uma cultura de vida diferente, que não se deixe deslumbrar pelo protagonismo propiciado pelo cadeirão de presidente do Benfica. José Eduardo Moniz podia ser esse dirigente.

Anúncio


A partir de hoje, este blogue passará a ter anúncios publicitários. A vida não está fácil e cá em casa todos temos de contribuir… uns tentando ganhar algum dinheiro, outros tentando poupar. Por isso, caros leitores, sempre que por aqui passarem ajudem o blogue a ganhar algum… basta clicar em cima de um anúncio. O autor do blogue agradece. Espero que o GoogleAdsense só anuncie coisas boas...

quinta-feira, junho 18, 2009

Não


Este caso da Autoeuropa é paradigma da imoralidade do sistema neo-liberal que, com raras excepções, se instalou em quase todos os países do Mundo.
Os trabalhadores recusaram perder mais direitos laborais e disseram não à proposta patronal de pagar menos pelas horas extraordinárias em seis sábados por ano, segundo ouvi na TSF. A proposta partiu da administração da empresa que pretende tornar a fábrica da Wolkswagen mais competitiva, reduzindo o custo da mão-de-obra, apesar deste factor não pesar mais de 5% nos custos de produção da fábrica. Pelo caminho, ficaram ameaças veladas de deslocalizar a fábrica, numa tentativa obvia de influenciar pelo medo a decisão dos trabalhadores.
Ninguém tem dúvidas de que os donos da Wolkswagen não hesitarão em fechar a fábrica portuguesa, caso considerem que vão ganhar mais dinheiro para outro lado qualquer. No fundo, tudo se resume a isso: ganhar mais dinheiro.
Quando nos anos 90 se começou a ouvir falar em globalização, na necessidade de quebrar todas as barreiras ao comércio livre mundial, percebeu-se que os capitalistas babavam-se pelos lucros potenciais que existem em mercados de biliões de pessoas, nomeadamente o chinês e o indiano. Na altura disseram-nos que íamos todos beneficiar com essa globalização, que os produtos iam chegar aqui mais baratos, porque os chineses produziam barato. Não nos disseram que íamos correr o risco de ficarmos todos desempregados, que os capitalistas iam todos fechar as empresas no hemisfério norte para reabri-las nos mercados asiáticos onde podem alegremente explorar indecentemente todo o tipo de mão-de-obra, mesmo a infantil.
Por mim, podem voltar a reerguer as barreiras alfandegárias, a taxar os produtos importados, a definir contingentes de importação. Prescindo das t-shirts a 5 € que se vendem no Continente. Prefiro dar 15 € por umas feitas em Vila do Conde.
Hoje, lamento ver como os dirigentes de um país se rebaixam aos ditames da administração de uma fábrica. O nosso ministro da economia disse esperar que “os trabalhadores reconsiderem as consequências que uma decisão destas pode ter”, deitando para cima dos torneiros mecânicos o ónus da questão e ilibando os gestores de qualquer tipo de má-fé. Também a promitente primeira-ministra, Manuela Ferreira Leite, falou em “bom senso” – coisa que na opinião dela faltará na cabecinha dos electricistas e fresadores. Nenhum deles defendeu os direitos de quem trabalha na Autoeuropa.

quarta-feira, junho 17, 2009

Atendimento prioritário


Hoje, não foi um dia bom. Saí de manhã para ir até à Caixa de Previdência dos Jornalistas. É verdade que a “caixa dos jornalistas” já não existe, formalmente, mas os serviços de atendimento continuam a ser diferenciados. Ainda estou para perceber, então, por que razão a extinguiram… Fui lá para inscrever o meu 3ºfilho no Abono de Família. Levei a Certidão de Nascimento, os documentos de identificação da mãe, os meus… pensei que era tudo. Mas não… faltava a declaração da Segurança Social a atestar que o abono não foi requerido pela mãe. A palavra do cidadão não basta, a atestação é fundamental. Ainda me passou pela cabeça que a funcionária da Caixa de Previdência poderia aceder à base de dados da Segurança Social e verificar a questão. Afinal de contas… estamos a falar de serviços públicos afins, contíguos. Mas não… tinha de ir a uma Loja do Cidadão e tratar do assunto. Fui.
A fila era longa. Como levava comigo o “rebento”, tirei uma senha F, destinada a situações prioritárias. A senha dizia F-062 e o quadro indicava que o utente F-54 estava a ser atendido… Dos cinco guichets, três estavam a funcionar. Vinte e cinco minutos depois, reparei que utentes chegados depois de mim estavam a ser atendidos. Eram pessoas munidas de senhas A, B, C ou D… e a senha F tinha avançado apenas dois números. Indaguei junto das funcionárias do atendimento, qual era a lógica do atendimento prioritário… e responderam-me que tinha de esperar pela minha vez. Pedi o livro de reclamações.

100 anos

Não liguei patavina ao Dia da Força Aérea que se comemorou no passado sábado. Tinha até recebido um “convite” via email para ir assistir às acrobacias à beira Tejo, mas não me apeteceu sair de casa para me meter em apertos e engarrafamentos e chatices para arrumar o carro e preocupações para não perder nenhum miúdo na multidão. Não fui.
Mas gostei que outros tivessem ido. Acho que a Força Aérea merece o meu carinho, quanto mais não seja porque é o ganha-pão de um bom amigo.
Ora, foi esse “meu” Major quem me enviou uma série de fotos respeitantes ao festival e que não resisto em publicar. Publico-as mais o texto do email dele.

“Nunca fui muito apreciador do género de cinema deste homem. Mas tem filmes maravilhosos. E é um homem notável.
E deu-me um prazer enorme ver o entusiasmo de criança que pôs nisto. Uma aventura que aceitou de peito aberto. Aos 100 anos. Os mesmos da aviação em Portugal. E foi voar num avião com 50 anos. E chegou fresco como uma alface.
Durante o almoço (antes do voo) onde bebeu uns belos copos de tinto, confidenciou-me como se fosse um grande segredo:
- Sabe, eu não tenho medo de envelhecer.... O meu medo é ficar dependente de alguém....”








E parabéns à Força Aérea.

Sustentabilidade

Todos pensamos em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Mas, porventura, deveríamos pensar em deixar filhos melhores para o nosso planeta.

terça-feira, junho 16, 2009

A propósito do TGV




Escreve o director do Expresso, no Twitter:



@HenriquMonteiro política tb é manter as clientelas satisfeitas. O incumbente quer satisfazer a sua, mas o desafiante tb e por isso quer adiar.


Compadres


Irritou-me ouvir o governador do Banco de Portugal admitir ter sido ingénuo perante as “habilidades” do banqueiro Oliveira e Costa. Não pela ingenuidade em si mesma, mas pelo que ela revela. É que tanto um como outro são membros dessa casta que tomou o poder económico e político nas mãos e que faz deste país uma cosa nostra, onde só eles e os seus filhos se dão bem.
Gestores, empresários, banqueiros, engenheiros, advogados e outros que tais, formam um círculo fechado onde coexistem diferentes grupos políticos que se encaixam uns nos outros, num sistema de geometria variável consoante o sucesso relativo que vão tendo a convencer o eleitorado a votar neles.
Olhando para a maioria dos partidos políticos, percebemos que as elites dirigentes não são mais do que grupos familiares ou de amigos. Amigos de longa data, muitos desde os bancos da escola primária ou secundária, ou filhos de famílias que comungam interesses financeiros ou outros. Não é por acaso que as filhas de uns casam com os filhos de outros, gerando futuros políticos de confiança genética a toda a prova.
Não foi ingenuidade, senhor Vítor Constâncio. Foi compadrio.

segunda-feira, junho 15, 2009

Moussavi não é nome de flor


É verdade que o que se passa no Irão cheira a falcatrua eleitoral, mas não basta à oposição dizer que houve batota. Será preciso comprová-lo e julgo que isso está longe de ter acontecido. Durante a campanha eleitoral, se os comícios do principal adversário de Ahmadinejad tinham muita gente, os do presidente candidato também… e, mesmo agora, apesar das manifestações de protesto atraírem muita gente, não julgo que o número seja revelador de que a maioria da população está a favor do protesto. O que mais indicia a falcatrua é a reacção musculada das autoridades. Quem não hesita em bater é porque não tem outros argumentos. As cacetadas policiais revelam a verdadeira natureza dos dirigentes políticos iranianos. Mas nada disso basta para reconhecermos o senhor Moussavi como merecedor de crédito.
Um tipo que foi primeiro-ministro do Irão nos anos 80 devia levantar algumas suspeitas, mas como para o Ocidente vale tudo para deitar abaixo Ahmadinejad, o senhor Moussavi passa a ser apresentado como democrata de longa data. Mas não é bem assim… lembro que quando esse senhor foi pau mandado dos Aiatolas, a repressão sobre o povo não teve limites. Não lembro apenas as perseguições políticas, os assassinatos. Lembro que foi ele quem reintroduziu a pena de morte e os castigos corporais na via pública para quem não respeitasse a sharia (lei religiosa). Coisas simples, como sexo fora do casamento, consumo de alcóol ou homossexualidade, passaram a ser crime. O Islamismo passou a ser religião do Estado e todas as outras foram proibidas. Marxistas, católicos, judeus e laicos foram fuzilados. As mulheres foram proibidas de usar maquilhagem ou mini-saias, e ouvir música rock ou rap passou a ser razão mais do que suficiente para levar gente para a cadeia.
Talvez Moussavi tenha mudado, entretanto. Talvez Mousavi tenha ganho as eleições, mas eu não punha as mãos no fogo por ele.

Ainda vou ter um amigo na secretaria de estado do ambiente


"Um projecto do tipo da AD (Aliança Democrática) de Sá Carneiro, no qual o PPM participou activamente, é o modelo que mais contribuirá para a estabilidade e progresso do país" – diz o meu amigo Fred, cabeça-de-lista do PPM nas últimas eleições europeias.
O PPM oferece-se para representar o papel que cabe aos Verdes na coligação CDU.
Não sei é se a dona Manuela gosta de alface.

domingo, junho 14, 2009

Posto de observação - 1


Não digo que o PS não possa vencer as próximas eleições legislativas, mas que vai ser muito difícil contrariar os ventos de mudança que surgiram das eleições europeias, lá isso vai.
Nos últimos 4 anos, o PS tratou mal toda a gente, incluindo o seu eleitorado mais fiel. Tal como Paulo Pedroso diz, numa entrevista publicada hoje no Correio da Manhã, as reformas levadas a cabo eram necessárias (até a oposição da direita o dizia…), “mas o governo não pode é tratar o eleitorado como se fosse dispensável”.
Percebe-se o que Paulo Pedroso quer dizer: não se governa sempre com a intenção de angariar votos, mas não é possível governar sempre contra tudo e todos. E foi isso que Sócrates fez, nomeadamente ao assumir a opção “beligerante” face aos sindicatos. O que este governo PS fez, podia ter sido feito por qualquer governo de direita, sem espanto.
O governo fez de conta que a luta de classes é um cenário da Guerra Fria e que, hoje, não faz sentido continuar a dar relevo à acção sindical. Um governo socialista deveria ter tido um papel nivelador na desigualdade existente entre patrões e trabalhadores, mas decidiu promover um novo Código de Trabalho que cava ainda mais essa diferença, liberalizando os despedimentos. Na verdade, Sócrates seguiu as pisadas de Cavaco que, via Bagão Félix, deu inicio à chamada “flexibilização” nos anos 90. O patronato sempre disse que as leis protectoras do trabalhador são contrárias ao desenvolvimento, porque afugentam os investidores. Na verdade, o que eles querem dizer é que essas leis afugentam os investidores que não têm qualquer escrúpulo social. O PS nunca devia ter pactuado com isto.
Hoje, vemos bem como a classe média laboral está desamparada, desempregada, sem capacidade para cumprir com os compromissos que lhe foram impostos pelo sistema: a escola privada dos filhos, a prestação da casa própria ou a prestação do carro. Hoje, Portugal é o país onde existem as maiores desigualdades salariais na Europa, entre o que ganham os gestores (onde não há qualquer tecto salarial) e o salário proposto aos restantes trabalhadores (que é cada vez mais baixo). Este fosso salarial atinge dimensões escandalosas mesmo no sector empresarial do Estado, onde seria mais natural haver algum comedimento nesse tipo de atrevimentos. Mas não há.
Hoje, vivemos num país onde desapareceu a escolha de uma profissão como realização profissional… As pessoas procuram uma carreira preocupadas, apenas, com o sucesso social e financeiro, o que, ironicamente, na actual crise, é cada vez mais difícil.
Para vencer as próximas eleições, o PS teria de alterar este estado de coisas. Não me parece que haja tempo para tarefa tamanha e não sei se o eleitorado vai continuar a fiar-se em promessas eleitorais.
A oposição já se prepara para regressar ao poder. Ainda hoje, no Diário de Notícias, Paulo Rangel confirma um provável cenário de acordo pós-eleitoral entre o PSD e o CDS, para formar um governo de coligação.
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sábado, junho 13, 2009

Apagão


Ontem, nos Estados Unidos, mais de 2 milhões de lares viveram uma noite diferente: não conseguiram ligar a televisão. Ou por outra, ligaram mas nada deu na pantalha. A situação vai durar ainda algum tempo a ser resolvida e só daqui a uns meses poderemos ter a certeza das consequências deste apagão televisivo nos índices demográficos das regiões mais afectadas.
Não foi nenhum acto terrorista, apenas uma imposição legal que obrigou ao início das emissões em sinal digital. As tradicionais antenas deixaram de funcionar, a não ser que os utentes tenham adquirido um descodificador para converter o sinal analógico em digital.
O governo americano tem um programa de ajuda financeira para esta fase de adaptação dos utentes à nova tecnologia, mas os 40 dólares de financiamento parece que não chegam para comprar o descodificador…
Cerca de 1800 estações de televisão foram afectadas por esta transição tecnológica.
Em Portugal também estamos à beira de um evento idêntico (o apagão televisivo), já que o Estado (através da ERC) torpedeou o concurso para a atribuição do 5ºcanal generalista (lembram-se?) e não me parece que alguém queira gastar dinheiro para comprar novos equipamentos de recepção do sinal de televisão para continuar a ver a mesma televisão que já vemos. É verdade que em Portugal a Lei diz que a fase transitória pode ir até 2012… mas a PT está em marcha acelerada para dar início às emissões digitais até ao fim deste ano.
A propósito disto (do 5ºcanal), soubemos que um dos concorrentes interpôs uma providência cautelar para “congelar” a decisão da ERC e, assim, impedir que o governo pudesse avançar com novo concurso sem antes o tribunal se pronunciar sobre o modo como o anterior foi anulado. Mas isto foi em Abril, se a memória não me falha e nunca mais se ouviu falar do assunto. Quem sabe o que o tribunal decidiu sobre a providência cautelar? Nenhum OCS pega no assunto, excepção honrosa da revista Telecabo, o que revela bem o apagão que por aí vai sobre isto…

Lado-a-Lado



Às vezes vejo o Jornal das 9 da Sic-notícias. Trabalhei uns anos no antigo Jornal das 9 do canal 2 da RTP, que foi uma escola de profissionalismo que marcou quem por lá passou, apesar de algumas malfeitorias que por lá se fizeram. Também o Mário Crespo tem alguma nostalgia desse tempo e sei que é por isso que a Sic-notícias recuperou esse título que, entretanto, a RTP estupidamente deixou de utilizar.
Este Jornal das 9 feito em Carnaxide é um espaço banal de informação. É claro que o savoir faire do Mário Crespo disfarça um pouco a debilidade da redacção, mas não suprime a falta de criatividade, a agenda sem surpresas, que caracterizam hoje a produção da informação do grupo Sic. Além disso, o Jornal tem desequilíbrios difíceis de aceitar. Por exemplo, às sextas-feiras o espaço de debate chamado de Frente-a-Frente é abrilhantado pelas participações de um militante do CDS e outro do PC. A ideia é ter um tipo de esquerda a defrontar outro da direita, mas quando estão os dois na oposição a coisa não funciona. E ontem foi muito curioso assistir ao “debate”. Quando o CDS dizia mata, o PC respondia esfola. Fartaram-se de bater no ceguinho (ou seja, no governo) e a mediação do Mário resumia-se a um sorriso beato. Aquilo não é um frente-a-frente. Devia-se intitular antes lado-a-lado.

sexta-feira, junho 12, 2009

Galáctico, de facto






Cristiano Ronaldo não tem culpa da estupidez dos outros. Se há quem pague 90 e tal milhões de euros pela sua transferência, o que pode ele fazer? Se há quem lhe queira pagar 25 mil € por dia, para ele jogar à bola… o que há-de ele fazer senão receber o dinheiro e gastá-lo o melhor e o mais depressa que puder? Logo na primeira noite, deve ter gasto uma pipa de massa, porque putas daquelas saem caríssimas.

As razões da abstenção (2)


Diz Baptista-Bastos, no Diário de Notícias:



"É verdade que o Bloco subiu, o PCP aumentou o número de votantes, e o CDS sacudiu a letargia com a qual desejavam amortalhá-lo. Mas as coisas estão rigorosamente na mesma: elementares e antigas. A mesa está posta para os mesmos. E não é preciso restaurar a frase de Lampedusa; basta reler, por exemplo, o "Portugal Contemporâneo", do Oliveira Martins, para se entender quem manda e sempre aqui mandou."



8


Revelar as oito metas a alcançar antes de morrer, foi o desafio que recebi da Isabela Figueiredo.
A ordem é aleatória:
1- Ensinar aos meus filhos os conceitos de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para que eles possam viver em plenitude e com sabedoria.
2- Viajar muito, sempre e, antes do fim, largar amarras para as últimas dez voltas ao Mundo.
3- Viver o suficiente para ver os miúdos crescidos.
4- Nunca perder a capacidade de me indignar.
5- Nunca perder a capacidade de me apaixonar.
6- Nunca perdoar a quem não merece perdão.
7- Voltar a realizar-me profissionalmente.
8- Continuar a estudar.

Não repasso a ninguém. Quem quiser seguir esta corrente terá de tentar nos outros links propostos n’ O Novo Mundo.

quinta-feira, junho 11, 2009

Abstenção, causa e consequência

Cavaco Silva, no discurso do 10 de Junho, em Santarém:

"...a abstenção deve fazer reflectir os agentes políticos”, já que, “a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções”.

Caras de cú...

Nos dicionário da língua portuguesa, a palavra abstenção significa a recusa ou desistência voluntária de um direito político ou social ou de participar numa eleição. Ou seja, trata-se de um acto consciente que implica uma tomada de decisão. Não se trata, portanto, de uma atitude passiva ou negligente, o que não significa que parte dos abstencionistas não o seja.
Na verdade, a abstenção não tem qualquer tipo de influência no acto eleitoral, onde só contam os votos entrados nas urnas. Mas o mesmo se poderá dizer dos votos brancos ou nulos que também não têm qualquer tipo de validação. Abstenção e votos brancos ou nulos apenas contam para a estatística e, talvez, para a consciência dos dirigentes políticos. E contam de modo igual. De igual modo podem ser considerados veículos de protesto, já que incorporam a aparente vontade dos eleitores em não votar em qualquer um dos candidatos presentes.
Do meu ponto de vista, considero que a abstenção ou votar branco ou nulo, são expressões de protesto mais válidas do que, por exemplo, o voto em candidatos excêntricos, como foi o caso de Cicciolina, uma actriz porno que conseguiu ser eleita em 1987 para o Parlamento italiano. Uma mulher política com uma performance muito apreciada pela Democracia (link). Mais recentemente, outra estrela da pornografia, Milly D'Abbraccio, concorreu para o Parlamento italiano, numa campanha onde exibia o rabo com a frase «Basta destes caras de c...». Mas quem tem um primeiro-ministro chamado Berlusconi já está habituado a tudo.
Em Inglaterra, a vencedora do concurso Miss Grã-Bretanha 2008 decidiu disputar uma vaga no Parlamento, para “dar mais glamour” à House of Commons… a ruiva Gemma Garrett foi candidata pelo Partido Beauties for Britain (Partido Beldades para a Grã-Bretanha). Os ingleses, que infelizmente não são italianos, não elegeram a pequena.
E o que dizer da candidatura do macaco Tião, um chimpanzé do Zoo do Rio de Janeiro que foi proposto como candidato para as eleições autárquicas do Rio em 1996… o chimpanzé recebeu 9,5% dos votos expressos nas urnas, qualquer coisa como 400 mil votos. Foi o 3ºcandidato mais votado, teria tido direito a um lugar na vereação, mas o Tribunal Eleitoral brasileiro considerou nulos os votos expressos a favor do bicho. Uma pena, Tião tinha um sorriso tão bonito…

As razões da abstenção



Por António Barreto:


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“A sociedade e o estado são ainda excessivamente centralizados. As desigualdades sociais persistem para além do aceitável. A injustiça é perene. A falta de justiça também. O favor ainda vence vezes demais o mérito"...



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E eu assino por baixo.

quarta-feira, junho 10, 2009

O estado a que isto chegou...



Na TSF, esta manhã, ouvi a jornalista perguntar a Vasco Lourenço se a homenagem a Salgueiro Maia não era um acto reparador de justiça, embora tardio… Vasco Lourenço respondeu que há erros que não têm emenda possível. Para o antigo capitão de Abril e actual presidente da Associação 25 de Abril, as injustiças que se exerceram sobre Salgueiro Maia em vida, não podem ser reparadas agora. É tarde demais. Mas nunca é demais lembrar que Cavaco Silva, quando era primeiro-ministro, há precisamente 20 anos, recusou uma pensão ao capitão de Abril, enquanto a concedeu a dois antigos agentes da PIDE.
Na madrugada de 25 de Abril de 1974, na parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém, o capitão Salgueiro Maia falou assim aos soldados: "Há diversas modalidades de Estado, os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui." Foram todos os 240 homens que ali estavam. E fizeram uma Revolução.

Sr. Comendador





Entre os condecorados deste 10 de Junho, há pelo menos um que merece a distinção. Chama-se Alfredo Neres e é padre missionário, Comboniano. Conheci-o no norte do Congo, em Bondo. Já aqui escrevi sobre ele. Convido-vos a reler estes três posts - primeiro, segundo, terceiro - escritos em 2006, mas que revelam quase tudo o que sei sobre Alfredo Neres. Gostava de o ver no meio dos figurões (ex-ministros, almirantes, artistas da moda, catedráticos e outros doutores) que com ele vão receber a comenda. Tímido, meio desajeitado, Neres vai suar as estopinhas e desejar estar lá no mato, entre os seus, que já há muito tempo lhe dispensaram o merecido reconhecimento e amizade.

Farsolas


Cavaco Silva não promulgou o Decreto nº 285/X da Assembleia da República, que altera a Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, que regula o regime aplicável ao financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais. A rejeição presidencial contraria um voto unânime do Parlamento. Nenhum partido votou contra este Decreto e, espantem-se… agora quase todos se agacham perante o veto. Se não estou errado, apenas o PC continua a dizer que este Decreto vinha substituir uma Lei má e que ninguém respeita.
O financiamento dos partidos políticos sempre foi um dos calcanhares de Aquiles do regime. Julgo que nenhum partido cumpre a Lei a preceito, principalmente os partidos do poder, que gastam rios de dinheiro em cada campanha eleitoral e se amancebam levianamente com os donos do capital.
Sempre se ouviram rumores sobre os tortuosos caminhos do financiamento partidário. E, na verdade, não é raro ver dirigentes partidários dividirem o seu tempo e competências com empresas de construção civil, empresas financeiras, além das empresas do sector empresarial do Estado. Acabar com este tipo de suspeição é urgente. Esta nova Lei votada na Assembleia da República alargava o raio de acção dos partidos na recolha de fundos. Ou seja, não acabava com os eventuais conluios perniciosos entre o poder executivo e os donos da massa, mas tornava o funil menos apertado e, portanto, eliminava a necessidade dos partidos utilizarem métodos ilegais para se financiarem.
Cavaco disse que era “inoportuno”, face à situação de crise em que vivemos, permitir uma vida desafogada aos partidos enquanto o povo continua a apertar o cinto. Trata-se, como é óbvio, de uma sentença farsola… porque, como é bom de ver, os partidos continuarão a financiar-se onde for preciso, continuando a vender favores e benesses.

terça-feira, junho 09, 2009

A bomba, um sorriso




Os atentados bombistas já fazem parte do quotidiano e isso retira-lhes capacidade de se tornarem notícia… é o caso do que se passa no Iraque ou no Afeganistão. Ao fim de tantos anos de conflito já quase não sabemos o que por lá se passa, embora pouco tenha mudado. Mas, volta e meia, lá vem um estilhaço de mais uma bomba cravar-se na alma… Vem isto a propósito do atentado que destruiu o Pearl Continental, o melhor hotel de Peshawar, uma cidade paquistanesa próxima da fronteira com o Afeganistão. Nos dias quentes da invasão americana, o Pearl Continental foi poiso obrigatório para todos quantos andavam por ali em reportagem ou a tentar entrar no Afeganistão. Foi lá que vi pela última vez uma camarada de trabalho que, dias depois, atravessou a fronteira afegã e morreu assassinada por assaltantes na estrada de Jalalabad.
Foi no hall do Pearl Continental que a Maria Grazia me sorriu, naquele dia. Foi esse sorriso que esta bomba me trouxe de novo.

Pó eleitoral

















Debate na RTP sobre o futuro próximo deste país, depois das eleições de ontem. Um debate muito esclarecedor. Em representação do PS e do governo, o ministro Santos Silva, quando confrontado com a necessidade do PS se aliar com algum dos outros partidos da esquerda, revelou bem o cisma que divide a esquerda ao apelidar de não-democráticos o BE e o PC… Ou seja, com uma demarcação artificial e espúria, arrogante, o PS deita a perder qualquer possibilidade de se ter um governo de coligação de esquerda, pela primeira vez desde o fim da I República. Santana Lopes e Bagão Félix rejubilaram.














Quanto a atribuírem algum significado, político ou sociológico, aos 62% de abstenções ou aos 6% de votos nulos e brancos, quase nada se disse. Ou seja, as the show must go on, fingem que aquilo não foi nada e toca a andar que prá frente é que é o caminho. Julgo mesmo que foi o único item da discussão em que estiveram todos de acordo, do CDS ao PC.














Outro pormenor triste, foi a relutância revelada pelo BE em se assumir como "partido de poder". Não se percebe muito bem, então, o que andam lá a fazer, se não querem ser governo. De que serve votar neles?
Estes dirigentes de partidos políticos teimam em não perceber que a governabilidade do país está em risco. Continuam a agir como se nada mais houvesse para além da alternância no poder entre o PS e o PSD, com apoios de geometria variável no Parlamento consoante o oportunismo político. Acho que estão muito enganados.

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Jornalista; Licenciado em Relações Internacionais; Mestrando em Novos Média

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